CONTO #36: Ligeia (Edgar Allan Poe)



             Publicado pela primeira vez em 1838, Ligeia (cuja pronúncia se aproxima do nome "Lídia") conta a história do homem que se casa com o amor de sua vida. Jovem, linda, inteligentíssima, cheia de vida, Ligeia preenche a vida do narrador de tal maneira que, ao adoecer repentinamente e deixar de existir, deixa um vazio imenso, impossível de ser preenchido.
               Num primeiro momento, nosso narrador tenta escapar da dor da perda irreparável abusando do ópio. Essa fuga da realidade logo se torna um fardo, e, um belo dia, entra em cena uma nova moça. Linda e cheia de vida, mas de uma beleza muito diferente da de Ligeia, Roweena encanta o narrador que acaba contraindo novo matrimônio. Porém, ele não se engana: Roweena não é páreo para Ligeia. Comparações desta com a primeira esposa são inevitáveis ao longo do tempo.
            Até que, certo dia, Roweena também adoece. Paro meus comentários sobre o enredo da história por aqui, mas o desfecho é, como não poderia deixar de ser em se tratando de Poe, assustador.  

"Juro pela minha alma que não posso lembrar-me de como,
quando ou mesmo precisamente onde travei conhecimento, pela primeira vez,
de Lady Ligeia. desde então, longos anos decorreram, e os muitos sofrimentos por que passei
perturbaram-me a memória. Ou talvez não possa recordar-me desses pormenores agora porque, na verdade, o caráter de minha bem-amada, seu raro saber, seu singular embora plácido
tipo de beleza, a emocionante e aliciadora eloquência da sua veludosa fala
musical, tivessem conquistado meu coração tão furtiva e 
constantemente que mal me dei conta deles então."
(p.17)

"Pois Deus não é mais que uma grande vontade, penetrando todas as coisas
pela qualidade de sua aplicação. O homem não se entrega aos anjos, nem se rende
inteiramente à morte, senão pela fraqueza de sua débil vontade."
(p.22)

"Eu disse que seu saber era tal que jamais encontrara semelhante em mulher alguma,
mas onde está o homem que perlongou com êxito com êxito todas as amplas áreas da ciência moral, física e matemática?"
(p.23)

"O vento soprava com força atrás das tapeçarias, e eu quis
mostrar-lhe (coisa que, confesso, eu mesmo não acreditava de todo) que aqueles
respiros quase inarticulados e as sutis variações das figuras sobre a parede não eram
senão efeitos naturais do costumeiro soprar do vento."
(p.32/33)

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