NOVELA #1: O negro de Pedro, o Grande (Aleksandr Púchkin)



          A diferença entre "conto" e "novela" às vezes é tênue (e a confusão é frequente): há de se prestar atenção à forma do texto, ao tamanho (se é curto, é conto; se é longo, é romance; se não é longo, nem curto, é novela), ao desenvolvimento das personagens, ao efeito no leitor, etc, etc...
          Publicado em 1837, O negro de Pedro, o Grande (Arap Petra Velikogo) é o que se pode chamar de novela inacabada; aparentemente, a intenção do autor era a de escrever uma novela sobre seu trisavô que foi comprado de um sultão, dado de presente ao czar, e tornara-se o seu preferido. Bem educado na França, militar bem sucedido (participou da Guerra de Sucessão Espanhola), querido pela maioria (a não ser por aqueles que consideravam "estranho", digamos assim, receber um negro, mesmo sendo o preferido do czar, em seus soirées), acaba se envolvendo romanticamente com uma duquesa, com quem tem um filho; volta para a Rússia, atendendo ao chamado de Pedro, o que acaba sendo conveniente, pois é necessário evitar escândalos. E por aí vai a novela, até o encerramento abrupto, que deixa o leitor indignado por não mais nada para se ler da história... 

"O aparecimento de Ibraim, a sua boa apresentação, a cultura e inteligência inata despertaram em Paris a atenção geral. Todas as senhoras queriam ver em sua casa Le nègre do tzar e disputavam-no furiosamente. O regente convidava-o muitas vezes para as suas alegres noitadas: ele tomava parte em jantares animados pela mocidade de Arouet (Voltaire) e pela velhice de Chaulieu, pela prosa de Montesquieu e Fontenelle; não perdia um baile, uma festa, uma estreia, e entregava-se ao turbilhão geral com todo o ardor da sua idade e da sua raça."
(p.21)

"A doce atenção das mulheres, que é quase o único fito dos nossos esforços, não somente não lhe alegrava o coração, mas fazia-o até vibrar de indignação e amargura. Sentia que era para elas uma espécie de bicho raro, uma criatura diferente, estranha ao mundo, para o qual fora transportada casualmente e com o qual nada tinha em comum."
(p.22)

"(...) confesso que as assembleias não são igualmente do meu agrado: a qualquer momento, pode-se tropeçar em um bêbado, ou ainda ser embriagado para divertimento de todos. É preciso tomar muito cuidado para que um peralta não faça qualquer travessura com a nossa filha; e a mocidade de hoje em dia está muito mimada, é um verdadeiro despropósito."
(p.44)

"De todos os jovens educados no estrangeiro (que Deus me perdoe!), o negro do czar é quem tem mais jeito de gente."
(p.45)



Onde encontrar O negro de Pedro, o Grande: A dama de espadas - Prosa e Poemas


Um comentário:

  1. Oi Tatiana.

    Não conhecia essa obra, mas gostei muito de sua resenha, embora já saiba de antemão que é considerada uma novela inacabada, eu com certeza irei conferir.

    Beijos.
    Alana Marques
    colecionadoresdelivross.blogspot.com.br

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