CONTO #16: A Nevasca (Tolstói)



          Publicado em 1856, A Nevasca (Metel) conta a história desse narrador que precisa fazer uma viagem de uma estação à outra. Não sei vocês, mas quando comecei a ler este conto, fiquei com a impressão de que seria uma viagem curta, rapidinha, logo ali! Porém, não é o caso. Ou, talvez seria não fosse a nevasca que o narrador, o amigo que o acompanha e o cocheiro precisam enfrentar. E, como o próprio título já diz, é A Nevasca. Com letras maiúsculas. 
          Tenho a impressão de que esse pode ser um conto um tanto monótono e cansativo para alguns de nós, leitores que nunca precisamos atravessar uma nevasca. A viagem é lenta, e essa lentidão é retratada no texto, não só quando descreve o trajeto, mas os pensamentos, as ações, etc. Trata-se de um conto em câmera lenta. O frio extremo também tem seu papel no conto. A febre causada pela intempérie, que leva o narrador a delirar e misturar o que está acontecendo no momento com memórias da infância, também. 

"Eu não tinha vontade de voltar; mas vagar sem rumo a noite inteira no meio da nevasca e do frio gelado numa estepe completamente nua, como era aquela parte da Terra das Tropas do Don, não parecia nada divertido. "
(p.342)

"(...) eu tinha visto a estrada apenas na imaginação, já não enxergava mais o trenó. Comecei a gritar: "Cocheiro! Aliochka!", mas minha voz - eu sentia como o vento a apanhava direto na minha boca e no mesmo instante a levava para longe de mim."
(p.347)

"Em vão os olhos procuram algum novo objeto: nem marcos da estrada, nem montes de feno, nem cercas - não se vê nada. Em toda parte, tudo é branco, branco e imóvel (...)"
(p.357)

"'Será que estou morrendo congelado?', pensei no meio do sono. 'O congelamento sempre começa com o sono, é o que dizem''(...)"
(p.373)


Onde encontrar A Nevasca: Contos Conpletos Liev Tolstói

2 comentários:

  1. Oi tati, essa descricao do sentimento do tempo e sensações causadas pela Nevasca me lembrou a estadia em A Montanha Mágica, do Mann... ❤

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  2. Contos russos monótonos me lembram o livro A Estepe do Tchekhov, que é (ou me pareceu ser) propositalmente denso e contemplativo. Quase um filme do Tarkovsky. Esses russos são fantásticos ❤

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