Diários de leitura: a volta dos que não foram

Eis o retorno dos Mini Vlogs como deveriam ser: diários de leitura como complemento de postagens aqui no blog ;)

Yay.
Sim.

A partir de agora, os Mini Vlogs não estarão mais disponíveis no canal.
Apenas aqui, no blog! \o/

Bem, comecemos os trabalhos.

Estou lendo Deuses Americanos.
Do Neil Gaiman.
De novo.
Segunda tentativa.

Dessa vez, seguindo a sugestão do pessoal que acompanha o canal no youtube, resolvi tentar de novo, em inglês.
Além das sugestões, resolvi pegar esse livro de novo para ler durante o All About Gaiman (especial que está rolando no canal da May [é só clicar para ver o vídeo explicativo ;) ] ).

Com muita fé.

Mas hein, a primeira tentativa.

Lembro de ter comprado esse livro, em, quê, 2009, 2010, logo depois de ter lido Lugar Nenhum (até então, pior livro do NG da vida - sei que muita gente adora, mas eu, sinceramente, não sei por quê. Para ver meu parecer sobre esse livro, bem, taí o link :)
Nos comentários do vídeo em que comentei sobre essa leitura frustrada (frustrante?), muita gente me recomendou "A Obra Prima do Gaiman" - Deuses americanos.

Ok, eu já tinha lido Sandman, e pensei "minhanossassenhora, isso deve ser bom."

Comprei.
Edição tosca, capa estranha, diagramação tenebrosa (letras miudinhas, espaçamento inexistente, economia de papel e tinta de impressão).
Não vou comentar sobre tradução/revisão, porque - desisti no primeiro capítulo.
Naquele momento em que , você aí que leu o livro deve se lembrar, aquela deusa/prostituta pede pro rapaz adorá-la durante o ato...

A vida é muito curta.

Passei o livro adiante.

E deveria ter terminado por aí minha história com Deuses americanos, mas nãaaao... lá vai Tatiana de novo.

Edição de 10 anos de aniversário, texto "sem cortes", e... bem, veja o vídeo...




PS: Meu amigo Bruno deixou comentário na minha foto do instagram, dizendo que esse livro foi o strike 2 do Neil Gaiman pra ele, e que nunca mais passou perto de NG.
Bem, esse também foi meu strike 2.
Se eu não tivesse lido Sandman, Livro de cemitério, e outras coisas antes dos strikes, talvez também tivesse desistido... hm...

O Demonologista (A.K.A Trollado pelo Capeta) - por Hpcharles

“Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.” - (João 8:44)

E lá fui eu, ansioso por encontrar algo que finalmente chegue perto de O Exorcista, investindo na mesma ilusão acolhida pelo cinema e pela literatura faz décadas, me imbuindo na quimera de encontrar uma história do Canhoto tão legalzona como a da menina que vomitava sopa de ervilhas. Eu sei, a culpa é minha. E a vontade de ser feliz era tão grande que eu mesmo violei, em nome do sonho, uma regra que dificilmente quebro: “não confie no hype!"

Meus caros, se Andrew Pyper possui algum mérito em seu livro, é o de nos ensinar que a Bíblia realmente está desatualizada. O escritor então, em um momento de genialidade,  transforma o “Pai da Mentira” em um troll corriqueiro. Tipo aquele que entra em seu canal de Youtube de forma rotineira e escreve comentários e pedidos sem o menor sentido. Só para te aporrinhar e te deixar com um “WTF” na ponta da língua. Pois é…está aí, em síntese apertadíssima, o resumo do vilão de O Demonologista.

Mas como disse antes, a culpa é minha. É que foi fácil ficar atraído pela edição bacanuda da Darkside, com capa dura aveludada, lombada imitando envelhecimento, letras em alto-relevo. Coisa do demônio, se me permitem o péssimo mas oportuno trocadilho. E parou por aí. Nas trezentas e poucas páginas em que a história é contada, nada chega nem perto de merecer o esmero empregado na edição.

Basicamente o livro conta a desventura de um professor do Departamento de Inglês da prestigiosa Universidade de Columbia que, por ser especialista em mitologia e narrativa religiosa judaico-cristã, com trabalho acadêmico reconhecido por Paraíso Perdido, é “escolhido” pelo Capiroto para ser alvo de suas investidas. Interessante? Está bonito até aí? Pois é, mas o gigantesco, o colossal problema do livro, está no desenvolvimento dessa ideia.

Desde o início o autor falha em proporcionar verossimilhança à trama, abusando de apelos emocionais fúteis e acriançados. A vida pessoal do protagonista é desinteressante, cansativa e usada, em inúmeras oportunidades, como muleta para a capitalizar a narrativa. Os poucos momentos de tensão que o livro consegue criar, como por exemplo o primeiro encontro com o Coisa Ruim em Veneza, se perdem no meio de devaneios pessoais desnecessários e “chororôs” familiares. O rapto que amarra o catedrático aos acontecimentos, criando a teia dramática, logo esgota o leitor ao contrário de instigá-lo. Para se ter uma ideia dos recursos apelativos usados, nos é revelado, bem no início, que um ativo personagem tem câncer. Ocorrre que, tal moléstia, ao longo de todo o livro, não interferirá em nada nos fatos narrados e sofridos por ele. E tanto não interferirá que ele come fast food, transa (tenta), dirige por horas e horas a fio e por fim morre em LUTA CORPORAL. Enfim, uma pessoa saudável não faria melhor. Para que então a inserção de algo tão nefasto logo no começo da narrativa? Será que o autor percebeu que sua história em si não era dramática o suficiente? Por favor…

No entanto, não se pode dizer que esses detalhes incidentais sejam o nó górdio que torna o livro ruim. O que o faz péssimo é a falta de empatia que o leitor tem com os protagonistas somados à pobreza lógica, a fragilidade de sentido entre os acontecimentos descritos ao longo da narrativa. O professor em comento é uma pessoa fraca, sem carisma e com pouquíssimo elã para enfrentar uma entidade sobrenatural, supostamente onisciente e super-poderosa. E a entidade, que é onisciente e super-poderosa, também é…como direi…enfadonha a dar com o pau. Senhores, o demônio, que ao longo dos séculos sempre foi retratado como um sedutor, como dotado de inteligência e astúcia incomparável, como um perfeito estrategista, nesse livro não passa de um troll. Sua maior maldade nesse livro parece ser impor ao infeliz professor, ao longo da história inteira, entediantes e intermináveis viagens de carro sem justificativa suficiente. Lógico que o malfadado protagonista compra um Mustang para cumprir sua tarefa, o que só serve para acentuar sua crise de meia idade e torná-lo mais caricato ainda. Enquanto fica comendo comida de estrada e fugindo de um “matador do Vaticano” (quer clichê, então toma!), o desgraçado se depara com fenômenos sobrenaturais inseridos de forma claudicante, vazia, os fazendo prescindíveis por defeito de nexo. Em um livro que se propõe a narrar uma batalha do bem contra o mal, o mínimo que se espera é uma antítese bem construída, com lógica firme e coerência cristalina.

O leitor, coitado, cansa dessa road trip sem sentido, e ansiando por ser poupado desse inferno de livro (trocadilho infame n.2) mal se dá conta quando se pega torcendo pelo demônio, desejando que o Tinhoso leve, logo e de vez, o infeliz professor.

Cumpre ressaltar que apesar das inúmeras citações a Milton, tais remissões não ajudam à criação de uma lógica teológica consistente. O bolo não dá liga e as soluções encontradas pelo autor beiram o risível. Para se ter noção ao que me refiro, em determinado momento, o chatonildo do professor pega um taxi e o motorista, que é brevemente possuído (qualquer um parece poder ser possuído a qualquer tempo sem maiores explicações ou dificuldades - #assimficafacil), muda o destino da corrida para o famoso Edifício Dakota em NY. Como o taxista o deixou na esquina norte do edifício, o professor então tem a extraordinária intuição de que deve se dirigir ao estado de Dakota do Norte. Repare a “brilhante” saída inventada pelo autor para dar continuidade à trama. E só para ficar claro, com todo o respeito…é como se a porra do Diabo o tivesse enviado para o Piauí. Essas deduções e advinhações inconsistentes e pateticamente infantis, dignas dos bons tempos dos jogos do programa do Sílvio Santos, permeiam todo o livro, com o protagonista sendo estabalhoadamente empurado para cima e para baixo dentro dos Estados Unidos.

Meus caros, há muito pouco a se aproveitar nesse livro. Confesso que ao ler nos jornais e na Internet algumas notas sobre O Demonologista, fiquei atraído pela possibilidade de que uma boa história de horror houvesse sido criada. Mas não há nada. Os diálogos entre o protagonista e a entidade carecem de profundidade, de inteligência e até de coerência Bíblica, em se tratando de uma entidade ligada ao cristianismo. O autor conseguiu a peripécia de tornar o Demônio uma figura sem atrativos e criou como contraponto um “herói” sem viço, anêmico, sem virilidade, incapaz de gerar identificação ao leitor.

No entanto, se você comprou um exemplar de O Demonologista buscando apenas algum tipo de história de horror trivial, não se desepere. A encontrará. Ao terminar de ler, você certamente se recordará assustado o quanto pagou pela edição e se assombrará ao lembrar do tempo que foi jogado fora e que poderia ter sido empregado fazendo algo melhor, como por exemplo...ler um bom livro. E por fim sentirá aquele característico frio na nuca ao elocubrar se você só leu essa bobagem até o final porque gastou dinheiro, porque é masoquista, ou se foi o Demônio que te fez ler. É isso. Só pode. Foi ele. Maldito troll do inferno!




O Demonologista (The Demonologist)
Andrew Pyper
2015

A fileira de carrinhos (por Hpcharles)




Existem fases em que dormimos menos. O sono quica e te estraga não só para o dia seguinte, mas para a vida. Ficamos irritadiços, nos tornamos injustos, brigamos até com o café, nosso grande amigo. Mas os sonhos, pelo menos comigo, se tornam mais vívidos, significativos, mensageiros. Semana passada tive um sonho desses.
Me vi bem criança, ainda sem culpas ou arrependimentos, sem ter sido visitado pela política ou pela religião. Estava feliz. Sentado no chão de sinteco polido, montava uma longa fileira de carrinhos de metal. O sol entrava por uma fresta da janela não alcançada pela cortina colorida, aquecia a mim e clareava todo o recinto. Eu sorria mas ao mesmo tempo era meticuloso, obstinado em deixar a carreata retilínea. Ao notar um pequeno desvio de um dos carrinhos, me punha logo a ajeitá-lo, implacavelmente. Por vezes tentava usar o rodapé como parâmetro, mas não confiava em sua exatidão. Para aquela tarefa, só confiava em mim.
E ficava assim por muito tempo. Como se aquilo fosse imprescindível. Como se os mini para-choques dos mini veículos, necessitassem ser colados precisamente, um atrás do outro, de maneira peremptória e plena. O prumo era mais importante do que os carros, mais relevante do que a brincadeira, mais valioso do que eu. Era o que sabia naquele instante, naquele sonho.
No entanto, em determinado momento, de sobressalto, sem avisar ao sonhador, solto um riso divertido e dou um tapa nos “matchboxes”, desmanchando irremediavelmente todo o árduo trabalho que tivera. Após isso, me levanto e saio do quartinho como se aquilo tudo não tivesse sentido qualquer. Como se todo aquele esforço espartano para alinhar a fileira fosse inócuo, improfícuo, inútil em qualquer finalidade.
Acordo então e, novamente infestado de insônia, passo a deslindar a experiência que tive, buscando-lhe significado ou razão. Penso nos carros como momentos de minha vida e em como tentei ajustá-la, assim como fiz como a fileira. Me recordo de como tentava não deixar espaço entre os carrinhos, a fim de que se encaixassem de forma mais eficaz. Lembro dos momentos de minha existência em que o alinhamento parecia exato e o comboio era como uma hoste de vassalos rigidamente exigidos por suseranos para, depois, descobrir que não era. E que houve um desfile de carros alegóricos. Fantasias. E que a realidade é que a linha estava toda enviesada. E que minha vida também estava enviesada e eu não percebia. Apesar de, constantemente, tentar alinhá-la. Assim como não entendia como eu, quando criança quimera, fui capaz de desfazer tudo o que construí com apenas um tapa. Sem considerar que isso acontece todos os dias na vida de tantas pessoas.
O que saberia aquele garoto que eu, muito mais vivido, muito mais adulto, muito mais versado, não poderia saber? Me ergo da cama e me dirijo até a cozinha para beber um copo de água. Sento alguns instantes à mesa da sala e de repente tudo parece fazer sentido. Entendo tudo.
Descubro o que percebeu o menino ao destruir a fileira e que o homem não era capaz de desvendar. E não apenas isso, sabia o porquê. O sonhador não entendia o sonho porque não se cuidava de sapiência, mas de pureza. A perda da inocência, corolário nefasto de se viver a vida, é que passamos a enxergar algumas coisas e ficar cego à outras. Deixamos de confiar, de acreditar. Primeiro nos outros e depois paramos de confiar em nós mesmos, inúmeras vezes.
Nos concentramos em aparar arestas, em contornar crises, nos prendemos ao último carro da fileira, quando existem outros tantos mais à frente, mais atuais, que compõem a frota e que também foram importantes para que toda a linha, enfim, consignasse determinada figura. E então transformamos a caravana em cáfila, por dinheiro, e depois em cortejo fúnebre, por morbidez, ao invés de apenas brincar com os carrinhos. No final não vemos mais a fileira como ela é. Vemos a fileira, mais névoa. Vemos a fileira, mais as vicissitudes. Vemos apenas as vicissitudes. 
O que o pequeno menino sentado no quarto descobriu antes de mim, porque olhava e via, e depois fez questão de se esquecer para poder sobreviver, é que não fazia sentido ficar mexendo nos carrinhos. Mesmo em sua brincadeira soube que era perda de tempo, pois a linha nunca ficaria perfeita para ele. E não ficaria porque constatou que não é a fileira de carrinhos que fica torta. O que fica torta, na verdade, é a vida.

E então dormi para o menino poder voltar a brincar.

Diários de leitura #4: Muitos questionamentos...

Bem, como já era esperado, Tatiana não está conseguindo cumprir a frequência ideal de um post por dia.

Rio de Janeiro, 13 de Junho de 2015

No último sábado, continuei a leitura d´A Montanha Mágica do Thomas Mann e sobrevivi à leitura do diálogo francês entre o Hans Castorp apaixonado e a russa Clawdia, objeto de sua paixão, durante a festa de carnaval.

Ele se lembra de que, quando era pequeno, na escola, um dia criou coragem pra pedir um lápis emprestado à sua crush. E que ele guardou as casquinhas do lápis, depois de tê-lo apontado por muito tempo.

Quem nunca guardou casquinha de lápis emprestado pela/o crush?

Oras.

Mas tá, o interessante é o momento "madeleine" (vide Proust) causado pela necessidade de um lápis para participar de uma brincadeira com desenhos durante a festa de carnaval do sanatório.
Ele vai lá pedir um lápis pra clawdia e se lembra de que era ela mesma, sua crush da infância.
E cria coragem pra conversar com a moça.

Em francês.

Porque toda paquera/xaveco/insira aqui o termo atual pra isso  fica muito mais legal em francês.
Só que, a moça é russa.
Ela sofre um pouco pra se comunicar em alemão.
que dirá em francês.
Vira e mexe ela pede pra que ele fale em alemão, mas ele não tá nem aí - continua no francês, mesmo.
E dá tudo certo, eles conseguem conversar.

Parei de ler por volta da 1:00 da manhã, por volta da página 570.

Essa leitura me gerou alguns questionamentos que foram levantados no incrível mini vlog #3:




14 de junho de 2015

Domingo.

Dia de deixar Hans Castorp descansar e começar a releitura de Memórias de um Sargento de Milícias.
Um dos livros mais divertidos da vida.
O motivo da releitura é o projeto de vídeos semanais sobre os livros da lista da FUVEST/UNICAMP.
Vou reler esse livro 500 vezes e vou achar a leitura divertida todas elas;)

15 de junho de 2015

Esfriou. \o/

Fiquei deprimida (não devido ao frio, claro, mas devido às vicissitudes da vida. Ah, sim, tá tudo bem. Todo mundo fica deprimido de vez em quando ;). E quando a gente fica deprimido, a gente não lê - a gente dorme no tempo livre.

De modo que, não li nada.

16 de junho de 2015

Terça feira ainda estava friozinho!
E retomei a leitura de Leonardo vivendo altas aventuras no Brasil colônia.
Quase acabando o 37o livro do ano.

17 de junho de 2015

Terminei o Memórias de um Sargento de Milícias e corri pegar o Seu Moço, da incrível Patrícia Pirota.

Gente.

Né porque é minha amiga, não.

Mas, Ô Livro Lindo!

Li metade e economizei a outra metade para o dia seguinte ;)
Porque eu sou dessas.


18 de junho de 2015

Terminei o Seu Moço.

E não vou dizer nada até fazer vídeo sobre essa lindeza toda lá no canal.

E retomei a leitura do Tempo Redescoberto, o último volume do Em Busca do Tempo Perdido do Proust.

Estou na reta final desse livro, mas não pretendo terminá-lo ainda hoje.
Acho que vou acabar esticando esse livro até o fim de semana.

O vídeo do "Lendo Proust" dessa semana, já está engatilhado: vai ser sobre o termino da leitura da biografia do autor, então, o término do livro vai ficar só pra semana que vem ;)

Até onde li, Proust ainda está em um soiré ao qual ele decide ir depois de muito tempo confinado em casa e em casas de repouso, onde reencontra várias personagens do livro e percebe como o tempo passou (estão todos envelhecidos), e como o tempo tratou de forma diferente cada uma daquelas pessoas.

Lindeza de livro, só digo isso.




Diários de Leitura #3: Hans Cartorp causando no sanatório...

Rio de Janeiro,11 de junho, 6:30

Acordar antes das 7:00 é muito difícil...

Resolvi retomar a leitura daquele trambolh..., digo, livro incível, chamado
"A montanha mágica" , do Thomas Mann.

É. Aquele mesmo.
Que eu comecei a ler no mês passado.
Foi tirado da minha latinha de livros por ler (ou TBR, como preferir...)

Por motivo de força maior (aka uma matéria na Folha de SP dizendo que eu faria vídeos para os vídeos do vestibular...), resolvi ler os livros da lista de leitura obrigatória da FUVEST; e, atendendo a pedidos do pessoal que acompanha os vídeos, acabei incrementando a lista com os livros da UNICAMP (já me corrigiram, que o certo é dizer "vestibular da COMVEST"; preciso corrigir isso nos vídeos...
Na minha época a gente dizia "vestibular da unicamp", mesmo ;)

De modo que, a leitura da Montanha ficou em stand by.
Com muita dor no coração, porque, olha. Senhor Livrão, viu?

Portanto, cacei uma capinha protetora de livros que comportasse o calhamaço, e levei Hans Castorp para passear, hoje, na ecobag.

11:00

Não consegui ler muita coisa de manhã.
Vinte páginas, e olhe lá.
Vejamos se a tarde será mais produtiva.

16:00

Comi um açaí.
Achei legal compartilhar.

17:30

Hans Castorp está causando no sanatório.
E eu fiz mais um mini vlog:


19:00
enquanto os pimpolhos faziam prova, aproveitei para ler mais algumas páginas...
´Tá lá o Hans Castorp mandando cartão de get well soon (fique boa logo) para uma garota X do sanatório.
Não, ele não a conhece.
Mas resolveu mandar o cartão e flores só pra ver o que acontece.
Porque ele acha que ela vai morrer e ele precisa fazer alguma coisa.
Quero nem ver no que vai dar essas tramoias de Hans Castorp...
23:00
Não li nada quando cheguei em casa.
Amanhã tenho aula cedinho, e uma pilha gigantesca de provas para corrigir.
Ou seja.
Vou ficar um tempo sem saber o que mais Hans Castorp vai aprontar na montanha.
Saldão do dia:
35 páginas.

Diários de leitura #2: Nem 30 páginas...

Rio de Janeiro, 10 de Junho de 2015

Quarta feira.

Aquele dia em que – nada acontece.
É a metade da semana.
Ainda está longe para o fim de semana.
Ou seja, o dia mais sem graça do mundo.
É uma extensão da terça-feira e uma prévia da quinta, que, sim, está mais próxima do fim de semana. (A gente supera a quinta-feira porque “ainda bem que amanhã já é sexta!”).
Mas a quarta-feira?
Não há esperança para a quarta-feira.

Comecei o dia lendo mais um capítulo da Angélica.
O conde tem lhe dado presentes bacanudos.
E ela já notou que o conde é muito legal e galante com todas as outras mulheres, menos com ela (também, não é pra menos – só falta a moça sair correndo e gritando de nojo e medo toda vez que ele se aproxima).
Ou seja, já temos aí um certo ciuminho instalado.

Dou mais 30 páginas até Angélica se render aos charmes do marido coxo-cheio de cicatrizes-que fez pacto com o demo.

14:00

Foram menos de 30 páginas.

15:00

Levando o livro para passear – vai ser minha leitura de ônibus e, se der tempo, enquanto meus alunos fazem prova, vou tentar ler mais algumas páginas ;)



23:00

Encerrando os trabalhos de leitura do dia.
100 páginas cravadas de angélica – Marquesa dos anjos, que, né, chega ao fim.


Eis um vloguezinho mequetrefe sobre o término da leitura:




Saldão do dia:
100 páginas
1 livro terminado

Diários de leituras #1: One Piece, essa lindeza toda



Rio de Janeiro, 9 de Julho de 2015

Terça feira é aquele um dos dias da semana em que eu tenho aulas de manhã e à noite.

No mesmo lugar.

Sim.

Bem feliz, assim, mesmo.

Como eu moro “perto” *cof, cof* (nah, é verdade, eu moro perto, mesmo, do meu trabalho – mas como eu não poderia ter, na vida, essa sorte toda, é claro que tinha que ter alguma pegadinha nessa estória de a Tatiana morar assim, tão perto do trabalho, claro, claro – eu levo, em média, uma hora de lá pra cá.
Sério. São apenas 3 pontos de ônibus.
3 pontos de ônibus.
Isso para quem morava em Diadema e trabalhava na Vila Mariana/SP, é L I N D O.
Só que não.
No meio do caminho, tem uma obra mal feita.
Um terminal de ônibus que acaba com a alegria de viver dos moradores locais. E de todos os seres humanos que precisam passar por ali.
E eu descobri que no Rio de Janeiro, você não pode, simplesmente, confiar na numeração dos ônibus.
Para quê facilitar a vida do proletariado se eles podem dificultar?
Cada motorista faz o caminho que achar melhor, quando ele bem entender.
E se ele decidiu que não vai passar no seu ponto de ônibus, azar o seu.

De modo que, yaaaaay, continuo a ter muito tempo livre no trajeto de casa para o trabalho, e do trabalho pra casa.

Ou seja: tempo para ler :)

Ou seja: <3 comment-3--="" nbsp="">

(* Ok, menos quando você está lendo sobre a cachorrinha Baleia, do Vidas Secas, por exemplo, e chora rios em público, e... bem, nem sempre é tão legal assim ler no transporte público ou no ponto de ônibus... )

De modo que: resolvi fazer um diário de leitura nesse blog.
A ideia (que eu já sei que não será realizada ao pé da letra, e já aviso...), é registrar impressões de leitura on the go, ou seja, durante a leitura.

Para tanto, vou usar o gravador do celular, a câmera do celular pra fazer vídeos relâmpagos, o moleskine que carrego na bolsa praticamente em branco (já faz uns meses que não anoto nada ali. Hm. ). E, sempre que possível, organizar toda a zona em postagens por aqui.


Assim sendo, let the games begin. Vamo aê.


Hoje cedo, então, coloquei na ecobag o trigésimo primeiro volume de One Piece, aquela lindeza de mangá.



E só posso dizer que OP nunca me decepciona. Sempre saio feliz, satisfeita e saltitante da leitura de um voluminho novo.

Como disse, estou no volume 31, e a saga que estou acompanhando no momento, terá fim no volume 32 (brigada, gentes que acompanham meus vídeos de Quadrinhos & Mangás lá no canal ;)  ‘cêis são tudo lindo e vivem corrigindo com amor as groselhas que eu digo por lá <3 nbsp="">

Nesse volume a gente vai ficar sabendo o que aconteceu com o Norland, aquele cara que escreveu aquele diário de viagem a Skypiea, a idade no céu, que está com a turma do chapéu de Palha.
E. Que triste. Mas, bonito.

Li alguns capítulos antes da primeira aula começar. Outros no meu intervalo entre aulas, e terminei o volume entre a espera do ônibus e o trajeto.

Apesar de estar me coçando para saber como a saga termina (já tenho o volume 32 bem aqui, ó. Trouxe de SP até o volume 35, ou seja: não vai ser por falta de One Piece, esse mês.  ), não vou leva-lo para minha segunda jornada de trabalho, logo mais.
Vou levar o volume I da série Angélica – Marquesa dos Anjos, que eu comecei a ler na viagem de ônibus de SP para RJ no ú’timo domingo.



Estou lendo esses livros por livre e espontânea pressão de dona Camen, a mãe, que me torra a paciência desde que eu aprendi a ler, praticamente, para ler esses livros.

São, se não me engano, 15 volumes.

Mas ela só tinha até o volume 11, e achava que a estória acabava por aí.
Mas minha irmã, quando cedeu à leitura dessa série há uns dois anos, acho, descobriu que ainda tinha mais alguns volumes para completar a coleção da mãe.

(Segundo ela, essas continuações não são da mesma qualidade, podem ter sido escritas por um ghost writer, ‘sas coisas...)

Enfim, comecei a ler o primeiro livro, e... não é que é bom, mesmo?

É romanção, mesmo, pra quem gosta de romance histórico.

Conta a estória da protagonista, Angélica (dã), que até onde eu li, tem 15 anos e passou a adolescência num convento sendo educada. Parei a leitura no capítulo 10, no qual um irmão dela vai busca-la , porque conseguiram um casamento para ela.
Estamos falando do século XVII, na França. O pai tem o título de “barão”, mas mesmo assim, a vida para a família não era boa.
No início do livro, angélica é uma criança de 10 anos, que passa privações, por ataques de saqueadores e coisas do tipo.

Parei na página 139, quero ver se avanço um pouco nessa leitura até a noite.


23:00

Encerrando o dia de leituras com mais dois capítulos de Angélica. A coitada foi “vendida” pela família em casamento com um conde riquíssimo, porém – coxo.
Brás Cubas, é você? Lembrei da mocinha bonita, mas coxa, que ele conhece quando jovem. Mas não tem nada a ver, aqui a situação é aquela velha conhecida da sociedade paternalista: o pai precisava de dinheiros para manter o bom nome, o conde precisava de uma mulher bonita para se casar, é isso.
Mas, aparentemente o conde é legal. Só é coxo. E tem várias cicatrizes horrendas no rosto. E mexe com alquimia e tem fama de ser o demônio. Fora isso, tá tudo sussa, Angélica, relaxa.

Parei na página 180.

Amanhã, tem mais.


SALDÃO DO DIA:

1 mangá

40 páginas do Marquesa dos Anjos (três capítulos).

Ninguém vai ficar com Mary (por Hpcharles)


"The politically correct crowd is tolerant of all viewpoints, except those they disagree with."
Bobby Jindal

"I am greatly misunderstood by politically correct idiots."
Brigitte Bardot


Meus caros, está cada vez mais difícil dizer qualquer coisa que não seja na direção exclusiva da mais vulgar babação de ovo. A crítica negativa que frequentemente se mostra como a mais produtiva - vez que catapulta quem presta ao apuro - está sendo defenestrada sem dó nem piedade.

Tudo porque foi se criando ao longo do tempo uma geração de bebezões ultra sensíveis que, alimentados por mammys com leite Ninho servido em tijelinhas multicoloridas, não suportam serem contrariados em seus gostos e atitudes. É compreensível. Tais párvulos que provavelmente se comportavam como minúsculos déspotas do lar, césares em seus núcleos familiares, precisam agora, expandir seus impérios. Nesse diapasão, mal lhes cabe o pequeno teclado, ansiosos que são pelo infinito internético.

Atabalhoados e irascíveis, acreditam soberanamente que a vagabunda cultura que ajudaram a implementar e que basicamente consiste em alardear que se sentem ofendidos por desigualdade e forma de discurso, geraria, em vilões sinceros mas desbocados, a expectativa ou obrigação de ligarem a mínima para o espinho que entrou em seus pezinhos delicados. Mas não gera. Não dá certo. Funciona apenas com os paumolescentes, os acabadiços e com os xodós da vovó. Na verdade, a outra parcela, aquela despudorada - na qual me incluo - , caga um quilo para esse tipo de mentalidade trivial, eivada de obsceno passadismo.

Como afirmei, apesar de não dar a mínima para esse tipo de manifestação no sentido intelectual da bagaça, ou seja, não me desvio do que pretendo dizer para agradar a ignorância e a sensibilidade de cristal alheia, já que ainda não resido na Coreia do Norte, é razoável consignar que o M.O. desses pascácios “seiláquenzinhos” enche os colhões de qualquer um que seja um pouco mais esclarecido.

Sim, porque para eles tudo é pessoal. A porra do autor que os caras curtem pode morar no Alasca no meio do gelo e levar seus livrinhos aos correios para serem despachados para a editora usando trenós puxados por um par de huskies, mas para eles é como se fosse o tio querido que conta piadas sem graça nos feriados. É íntimo, brother pacas! Feliz em seu iglu, ele não está nem aí para os capiaus, que como rábulas desengonçados, insistem em lhe defender com a própria vida e alma, mesmo que ele nunca tenha pedido por isso. Nem de longe. Mas sabe como é, né?

A regra é que só se pode ou se deve dizer que é bom, caso contrário o apropriado é calar silente. Se alegar que é gordo, feio, fedido, bolorento, meio barro, meio tijolo, como um tradicionalíssimo cagalhão matinal, não vale. Mesmo que seja e que você explique porque é com toda a paciência, assim como se explicaria àquela sobrinha de 5 anos de idade que ainda tem sua capacidade cognitiva limitada e adora brincar com cubinhos lógicos.

Esse LIXO comportamental é o pai do debate asnático, do respeito não conquistado, de tudo aquilo que não foi dito quando poderia ou deveria ter sido. E é essa merda que parece receber cada vez mais adubo nas redes sociais. Gente com pouco o que fazer e que parece direcionar o tempo – que tem de sobra – para ser a diretriz moral do mundo, se prestando ao desserviço de determinar o quê ou como, eu ou você, podemos avaliar algo. Mesmo que o façamos em nosso canal/página/site, o caralho que for. Mesmo que tenhamos lido muito mais sobre o assunto do que a pessoa, que preguiçosa (invariavelmente o é), não tenha sequer se dado ao trabalho de dar um “Google”.

Pois é assim que caminha a porra da humanidade. Um batalhão de nenéns precocemente desmamados, chorões sem o picolé, que urgem por encaixotar as opiniões, as nivelando por baixo, ou chutando pra escanteio. Que bosta. Vai ver é a fralda que fica suja em cada contradita digitada.

Parvos, se arrepiam com qualquer “xingamentozinho”, mas não percebem que a opressão educada que apregoam é cem vezes mais ofensiva e irritante. Tem que ser o time deles e jogar no esquema que escolheram. "Mas eu usei com "TODO O RESPEITO" na frase e fui ofendido". Sim, porque para esses príncipes, ao que tudo indica, a cortesia espúria impermeabilizaria a ofensa. Ora, vão se foder. Mas vão...por favor.

Quantos desses viram ou riram a valer com as comédias sem limites dos irmãos Farrelly? Será que foram lá bombardeá-los por conta da graça com retardados, anões e cia? O que seria de filmes como “Quem vai ficar com Mary” e “Eu, Eu mesmo e Irene”, com essa trupe de pândegos involuntários que infesta o mundo virtual?

Podem gostar do que há de pior, de mais estúpido, do que é mais pobre esteticamente, das rimas vomitadas por ignaros, do humor previsível, dos livros que não deveriam ter sido escritos, da mesmice coloridinha, do estupro da arte por editoras, estúdios, progaganda e comércio, mas, ainda assim, temos que dosar nossas críticas pelo medidor deles. Melhor isso do que a verdade certificada, embasada, bem argumentada. O discurso é pífio, mas a tolerância deve restar lá, no pedestal de marfim. Não importa o preço. Tudo para o cagão ficar bem. Quer um cafuné, bebê?

Maldita condescendência covarde e improdutiva!

Afirmo sem pudor ou medo de errar que já passei do limite algumas vezes e já vi muitos outros passarem também. Mas me recordo justamente "desses outros", estivessem certos ou errados. Foi com eles que acordei, que me motivei, que percebi que deveria aprender mais. Com aqueles que não me deram desculpas esfarrapadas, que não passaram a mão na cabeça, que romperam com a hipocrisia, que caminharam em outra direção, ao arrepio da manada.

Destarte, se desejam morrer abraçados com a mediocridade de tal comportamento, se almejam como meta o óbvio, se optam por viver a vida inteira sem embates intelectuais, fingindo que está tudo bem e utilizando a palavra “respeito” como escudo de areia, ótimo. Mas, nesse processo, por obséquio, tentem não cagar regras para quem não quer morrer afogado, abraçado com a bigorna.

Não é por nada, não. É só porque é chato e cansativo pra caralho. E também porque é burrice. Sempre existirá alguém que não irá ligar a mínima para a sua sensibilidade perfunctória, alienada, imberbe. E não, não escrevi esse texto porque me preocupo com aqueles que vivem na segurança de seus condomínios politicamente corretos. Me preocupo é comigo mesmo. Sim, porque quando a bolha estoura e o padrão a ser adotado é o restritivo, inclusive legalmente, ninguém pode dizer é nada. Aí você vai chorar. Justamente porque estão tentando cercear aquilo que VOCÊ pode dizer ou não. Porque alguém, em algum lugar, está trabalhando para determinar o que é correto ou não a ser reproduzido. Porque estão tentando impor padrão a você, como você agora faz com os outros.

Como é fácil perceber, a minha preocupação é totalmente egoísta. Eu genuinamente quero que você se foda com a cultura da indulgência gratuita e leve junto a sua enfadonha glamourização do mimimi. Isso foi ofensivo o suficiente para você? Pois fique feliz...ainda há espaço para a ofensa.
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