"Pseudismo", a arte de ser irrelevante (por Hpcharles)


Eu não sei quanto a vocês, mas acho uma puta sacanagem com o troll quando ele é comparado ao pseudointelectual. Injustiça das piores, da mais vagabunda. E é injustiça porque nem todo o troll é execrável. Tem troll que sabe brincar, é criativo, imprevisível. Dependendo da situação, dá até para rolar um afeto. E como não daria, se tem troll que te segue durante anos? Que te trolla porque na verdade te ama e quer estar presente. Sonha em tomar um expresso juntinho, para te lembrar quando apareceu para dizer que o “som tava uma droga naquele vídeo de merda”. Mas é tudo da boca para fora. Se bobear, depois de um tempo, dá até para convidar para o churrasco. Ele continuará a ser troll, não se engane, mas você já está acostumado e quando ele se vai, parece que falta algo em sua vida. Pois é, e é exatamente o maldito.
O pseudo, não. O pseudo está além da redenção. O pseudo realmente te odeia. Te acompanha justamente por isso. Porque não suporta quem realiza projetos e se dá bem. Para o pseudo, só duas coisas são importantes: ele mesmo e a atenção que pode receber. E como todo narcisista, a necessidade de sublimar a absurda insegurança dando aquele boost gostoso na autoestima é praticamente irrefreável. É questão de força de vontade que, evidentemente, ele não possui.
O pseudo é facilmente detectável. E o é pela irrelevância. O pseudo te responde mesmo que você nunca tenha lhe perguntado nada. Seus comentários são repletos de ilações desinteressantes - normalmente coalhadas de referências técnicas superadas, filosofia pedestre ou posições minoritárias – emanadas com as palavras que ele aprendeu naquele mesmo dia e temperados, quase que inevitavelmente, com algum tipo de ataque pessoal. Você lê e o bocejo vem de brinde. Lexotan puro. O “Mané Fracasso” poderia ajudar a si mesmo e usar o sarcasmo, mas não, sem qualquer vestígio da sofisticação que acredita possuir, prefere "dar o papo reto", em um rompante de virilidade. É preciso que TODOS saibam e compreendam a magnitude do fato de que ele está na área. Área que marcou com urina. Ademais, sarcasmo não é para todos. Impende criatividade, espirituosidade e coeficiente de humor. O pseudo carece de tais qualidades. Confuso, arroga o contrário, mas é um turrão, acima de tudo. Sonífero em forma humana. Boooooring da porra.
O pseudo também costuma se manifestar utilizando um M.O. que, com pouca ou nenhuma variação, se constitui em: enredinho pedante + informação irrisória + ofensa gratuita(se refutado). Acertei?! I know, right?! Sabia que vocês já haviam se deparado com um “jênio” desses, por aí.
O pseudo “precisa” suscitar profundidade em qualquer assunto em que vislumbre brecha para acomodar a sua insignificância. Daí se presta a catapultar pérolas de sapiência que, malandramente – sim, ele se acha um bilontra - dá um jeito de parecerem quase prestidigitadas, tal a imponência que empresta ao velho teclado sujo com farelos de Cheetos. Não importa se você estiver falando da moela que comeu naquele restaurante de beira de estrada, só porque o carro pifou e não havia outra alternativa. Se estiver de ovo virado – e normalmente está – ele vai querer discutir a metafísica da diarreia que se seguiu ao festim. Fazer o quê, meus caros? Essa é a sua natureza. Que culpem a deus. O elemento está só cumprindo a missão que abraçou no mesmo instante em que descobriu que a tampa da caneta Bic é do tamanho exato de seu pênis. Que coisa incrível! Deve ser por isso que é tão chegado a uma punhetinha intelectual e quem não tem cão caça com espingarda mesmo, pois life is a bitch. Sendo assim, se há paz, o guerreiro vai trazer a discórdia. Isso é certo como a conta da luz.
Cumpre ressaltar que o pseudo odeia opiniões que não sejam as dele. Especialmente se fizerem sentido. Porra, quer deixar o imprestávelzinho puto? Diga algo que faz sentido ao arrepio de qualquer tergiversação inútil. Isso equivale a enfiar-lhe o dedo no reto. Mas, nesse processo, cuidado com o que diz! O pseudo é lépido como um mangusto e, presenteado com a possibilidade que você, incauto, lhe deu de mão beijada, irá agir. Após a ereção meia bomba que subitamente lhe acometeu (no caso, meia tampinha de caneta Bic) por avistar a possibilidade de postar algum comentário brilhante, e seus comentários são sempre brilhantes, ele vestirá sua capa de paladino da erudição e tentará, desengonçado, parecer tudo aquilo que não é. Descolado, confiante, "chique no úrrrrrtimo". O fato é que, na abissal maioria das vezes, o pangaré não faz a menor ideia do que defende. É pura tosa de porco. Muito grito para pouca lã.
Quando devidamente avisado que será bloqueado, porque né...ninguém matou a mãe a porrada para ser obrigado a aturar tal azêmola, é comum se empertigar, clamando por justiça ou providência que só ultra humanos poderiam lhe conceder. Bate o pezinho, torce para o mouse do outro quebrar, arrota que fazem o que fazem porque não compreendem os prodígios mesmo que estes lhes espanquem aos olhos. É, os seres iluminados são assim mesmo, rejeitados, crucificados, expulsos de canais, blogs e da casa da “mammys”. Por fim, se resigna, pega seu violão e toca uma do Beto Guedes.
Gente, no fundo é tudo fingimento. O pseudo adora ser bloqueado, ofendido de volta, banido do certame. É só assim que ele pode exercer plenamente sua Síndrome de Pombo Enxadrista. Após cagar todo o tabuleiro ele bate as asas e voa, cantando vitória. Glória que precisa dividir com os pares, porque senão não tem graça. Mas normalmente comemora sozinho mesmo, já que fora os mais ignorantes, os loucos de toda a sorte e os de péssimo gosto, quem é quer ouvir as desventuras dos pseudos?
Mas sabem mesmo o que mata o pseudo? A falta do contraditório. Isso é como cicuta para o “bastardo inteligente”. Se não colocar para fora todo aquele discurso anódino, acumulado ao longo anos de rejeição diária, o corpicho que cresceu abastecido com qualquer refri litrão, não guenta o tranco. É síncope, AVC, frieira, siso inchado, é pá de cal.
Não existe nada pior para um cara desses do que ver seu comentário abandonado no meio de tantos outros, sem uma objeção sequer, mesmo que simplória, sem uma positivação mequetrefe, sem um carinho fugaz. Nada o assusta mais. Nem bala de prata, alho, ou estaca de madeira. NADA! Quando isso ocorre, confesso que fico com dó. Sou humano. Se vejo disparate de tal quilate vou lá e largo um click condescendente, consignando um "joinha" amigo. Se puder evitar um suicídio, eu evito.
Mas para quem não quer a interação tão bacana com um pseudo, para quem não anseia por se banhar na fonte do conhecimento mais producente, ou experimentar uma troca saudável com criatura tão exótica, fica a dica e o antídodo. NÃO RESPONDA AO PSEUDO! Lembre-se de que se o fizer você até poderá se sentir bem durante alguns segundos, mas estará dando a ele tudo o que ele quer. Atenção. 
Aquela mesma atenção que a própria mãe não ofereceu, justo quando ele mais precisava.

Apenas por pertinência...(por Hpcharles)


"O homem sensato não deixa de sentir prazer com o que tem pelo fato de alguém ter mais ou melhor. A inveja, na realidade, é uma forma de vício, em parte moral, em parte intelectual, que consiste em não ver as coisas em si mesmas, mas somente em relação com outras. (...) Quem deseja a glória, poderá invejar Napoleão. Mas Napoleão invejou César. César invejava Alexandre e Alexandre, provavelmente, invejava Hércules, que nunca existiu. Não se pode, por conseguinte, combater a inveja só por meio da conquista da glória, pois haverá sempre, na história ou na lenda, algum personagem cujos feitos tenham sido mais gloriosos. Pode-se combatê-la, sim, pelo gozo dos prazeres que se nos oferecem, pelo trabalho que tivermos de realizar e evitando comparações com aqueles que imaginamos, talvez sem razão, mais ditosos do que nós." (Bertrand Russell, em "A conquista da felicidade")

Pois é...
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