Quando os livros se tornam apenas peso de papel (por Hpcharles)


That is sad until one recalls how many bad books the world may yet be spared because of the busyness of writers.  
                     Gore Vidal
 There are good books and there are bad books, period, that's the distinction.    
                    Norton Juster
It is far better to be silent than merely to increase the quantity of bad books.   
 Voltaire
Semana que passou, em um dos vídeos veiculados no canal da Tatiana, ela própria, mais as vloggers Juliana Gervason e Patrícia Pirota, se encumbiram de responder algumas perguntas enviadas pelos assinantes de seus canais. E uma delas foi: “todo livro vale a pena ser lido?”
Patrícia foi categórica ao dizer que não, Tati disse que depende (de quê?) e Juliana foi contundente em dizer que sim. Os argumentos da última, em síntese apertada, foram que “só é possível saber se o livro vale a pena ser lido após tê-lo sido” e “mesmo o livro ruim pode servir de iniciação a leituras mais relevantes, consistentes ou qualquer coisa que o valha”.
Cumpre ressaltar que o vídeo em comento está no ar e apenas parafraseei os comentários da Juliana. As aspas foram usadas apenas para não dar tom formal ao texto, alimentando o maldito vício de formato jurídico amealhado ao longo de décadas, elencando ítens, criando numerações.
Em primeiro lugar, me absterei em relação ao "depende" da Tati. Não por força do "ungido" sacramento do matrimônio, mas porque não foi dito exatamente porque "depende". Para ser honesto, penso que não depende de "nadica de pitibiriba", mas como não conheço seus argumentos, a honestidade intelectual me impede de tecer juízo premeditado.

Dito isso, com o maior respeito, acredito que Juliana não poderia estar mais errada. Nem se fizesse força. Existem livros que não deveriam ser lidos. Nunca. E não por possuírem quaisquer conteúdo imoral, proibido, subversivo ou por conter sexualização exacerbada. Claro que não. De fato, estes são justamente os que eu indicaria em primeiro lugar. Há livros que não deveriam ser lidos apenas porque são ruins e a vida é deveras curta. E assim o são porque são mal escritos, porque possuem estórias que não valem a pena serem contadas.
É evidente que as premissas levantadas pela Juliana aparentemente ainda permanecem. Mas não deveriam. Em primeiro lugar, porque alegar que só se pode saber se algo presta após conhecê-lo de forma pessoal ou presencial é uma falácia lógica primária. Que tal beber cicuta para saber se mata? Será que nossa ciência moderna, que possui pouco mais de 60 anos, pode afirmar com segurança que o antigo planeta Plutão orbitou o Sol realmente, já que sua órbita leva mais de 250 anos para se completar e portanto nunca fora observada? É claro que pode. Entenderam onde quero chegar, meus amigos?
Não pretendo aqui carregar o texto com discussões epistemológicas sobre limites e validade de conhecimento justificável, mas existem inúmeras coisas na vida que não precisamos experimentar para saber que não são boas. Livros não fogem a tal adução.
Podemos dispensar alguns livros pelos mais variados motivos. Por opiniões de pessoas em quem confiamos, por conhecermos a escrita de determinado autor e dela não sermos afetos. Podemos dispensar livros por tema, linha de abordagem, pela diagramação, até pela capa. É só querer. Mas é evidente que não foi bem a isso que Gervasson se referiu. Entretanto o que ela não percebeu, é que a dispensa de um livro não possui relação com vidência, mas com experiência. Não se cuida de adivinhação, mas de constatação. Constatação oriunda de anos de leituras anteriores, de apreciação crítica, quiçá do controverso “bom senso”.
Afirmo, sem medo de errar que, no meu caso, me bastam algumas páginas para saber quando ceder ao sono teria sido uma opção mais inteligente. Existe todo um “background” de leitura que fornece ao leitor mais calejado, indicações de que tal alfarrábio possa ou não valer a pena. É de bom alvitre ressaltar o óbvio: o livro já era ruim antes de você o ler. A culpa é sua que quis provar a manga.
Mas e quanto ao gosto de cada um, HP? É uma pergunta natural, mas que não resolve o assunto. Pela enésima vez: apenas o fato de gostarmos ou não de algo, não traz qualidade, virtude ou defeito ao que gostamos ou desgostamos, a não ser para nós mesmos. Para se atribuir valor é preciso se dizer o porquê se considera bom ou mau. Um livro não se torna bom magicamente apenas porquê gostamos, ou porque se tornou um “best-seller”.
É claro que isso é vendido logo na capa. “Número 1 em vendas em tal lugar”. Grandessíssima merda! Ora, meus amigos, se quantidade fosse qualidade, seria o caso de comermos merda, não é mesmo? Afinal, bilhões e bilhões de moscas não podem estar erradas. Aceitar que algo é verdadeiro ou positivo apenas porque muitos o fazem é apenas abraçar o estúpido argumentum ad populum, uma bobagem total.
Para se analisar se um livro é bom existem inúmeros critérios a serem considerados, mas dizer “eu gostei, então é bom”, é primário e mais do que isso, insuficiente. Quais são os parâmetros que você utilizou para se chegar a afirmação de que tal obra presta? Aí o buraco é mais embaixo e impenderia um texto próprio. Mas o que importa agora, é que dei essa volta para contraditar a segunda afirmação da querida Juliana.
É cristalino que uma obra inferior, juvenil, capenga, pode servir de força motriz, incutindo o desejo e o hábito de ler em alguém. Não se nega. Mas e daí? O livro vale a pena por isso? Claro que não. Se for ruim ele continuará a ser ruim e não valeria a pena ter sido lido. A questão aqui é que o leitor, por ser iniciante, não sabe disso. Não possui parâmetro.
E querem ver como esse argumento é frágil e não se sustenta? Simples. E se esse mesmo leitor neófito DEIXAR de ler porque o livro que lhe caiu às mãos era uma porcaria? Tão ruim que o fez acreditar que ler seria perda de tempo. Entenderam agora o ditado que diz que falácias funcionam por via de mão dupla?
O intento desse texto não é criar polêmica alguma, mas sim fomentar o debate. Por obséquio, sejamos adultos. Por mim as pessoas devem ler o que desejarem, nada tenho com isso e, de fato, ler me parece, a priori, sempre melhor do que não ler. Leiam o jornal que embrulhava o peixe do dia anterior, I don’t really care. Mas por favor, não digam que todo livro vale a pena ser lido. Não digam que todo livro vale a luta contra o sono dos campeões, não espalhem que todo livro vale sacrifícios, mesmos os menores. Não valem.
É uma pena que na abissal maioria das vezes, só venhamos a descobrir isso após uma boa estrada de leitura, construída com muitos erros e imprescindíveis acertos. Com o tempo, ao custo de nossa visão, de pálpebras cansadas e infinitos copos de café, descobrimos que mesmo os livros cujo fito é o mero entretenimento, podem conter qualidade. Doyle que nos ensine e JK Rowling que nos prove. Diversão não exclui virtude.
Comecei a ler bem cedo e durante uma boa parte de minha vida, isso era tudo o que eu tinha. De lá para cá, décadas se passaram, noites não foram dormidas, mas os sonhos foram sonhados, e por conta desses mesmos pedaços de papel que se tornaram sagrados, de certa forma. Seus odores particulares se impregnaram em minha memória me catapultando a momentos inesquecíveis. Procuro não desrespeitá-los sob qualquer aspecto. É o único segmento de minha vida onde me permito algum conservadorismo e honestamente me incomoda quando reduzimos em nível simétrico, sob qualquer argumentação ou desculpa, mesmo que inconscientemente, qualquer porcaria vendida em bancadinhas coloridas, adornadas com estrelinhas e enfiada em um “público alvo” qualquer. Obras perfunctórias, capengas, triviais. Se der errado, dane-se, dirão que é culpa das estrelas.
Não, meus caros, a realidade é que nem todo livro vale a pena ser lido. A verdade está muito longe disso. Com o tempo você aprende que os únicos livros que realmente valem a pena serem lidos são aqueles que te desafiam. Que os livros foram criados para isso. Alguns os desvirtuam é lógico, os enxergam apenas como dinheiro, escrevem cifras e não palavras. Desavisados sempre existirão e canalhas há em todos os lugares. Mas ao arrepio de tudo isso resta o livro e sua função precípua é te estapear. Pelo menos deveria ser. Se não o faz, não cumpriu sua função genuína: te transformar!
Destarte, antes de começar a ler um livro, mesmo aquele mais despretensioso, procure saber um pouco sobre ele. Talvez hoje você seja um adolescente, com toda a vida pela frente e possa se dar ao luxo de ler muitos livros ruins, mas garanto, um dia restarão poucos dias para ler os livros realmente importantes e esse tempo fará diferença. As prateleiras restarão coalhadas de obras estupendas, atemporais, que sobreviveram a tudo para que suas histórias fossem ouvidas, debulhadas, estraçalhadas. Essas jornadas estavam ao nosso alcance, sempre dispostas a nos conduzir a um lugar bem melhor do que um labirinto distópico qualquer. Muitas vezes são justamente essas geniais criações que nos apontam o norte no maior labirinto que existe. O único que é real e expressivo. O que abriga as encruzilhadas de nossa própria vida. Por favor, não me entendam mal, não advogo pela exclusão, mas pelo critério, o que é totalmente diferente.
Um dia, talvez, muito tempo à frente, vocês se lembrarão, en passant, daquele livrinho que lhes concedeu alguns sorrisos e lhes satisfez com aquele final previsível, acolhedor, lhes apadrinhando. Mas é muito mais provável que você se recorde, com muito mais reverência, daquele precito cartapácio que te fez olhar em outra direção, mudando sua vida, te jogando contra o mundo, rasgando suas entranhas, te destruindo para te reconstruir, te fazendo ser o que é neste exato momento.
Ainda hoje, muito tempo depois, devo isso àqueles livros. Àqueles livros, não àqueles tantos outros. Não àqueles que não valiam a pena serem lidos. Não àqueles outros que hoje, esquecidos, pesam sobre as folhas desimportantes de minha existência.

36 comentários:

  1. Oi, legal o seu texto, porém ainda acho que não exclui a afirmativa de que para saber se um livro é mesmo bom, voce tem que lê-lo! Sou particularmente contra procurar saber do livro antes, é como se alguem estivesse contando a história para voce e toda vez que isso acontece, com certeza nesse conto está impresso o minimo de opinião que essa pessoa formou sobre o livro! Acho melhor ler e tirar suas próprias conclusões! E, se no final, a obra foi péssima, use a desculpa: serviu para incrementar seu vocabulário e etc hehehehehe! Abraços!

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    1. Bom, é o seu tempo e o seu dinheiro, rs! Obrigado por comentar, Mary! Abç.

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  2. Eu concordo com a argumentação do texto, em partes, mas também concordo com o ponto de vista da Juliana. É notório que alguns livros não merecem os segundos preciosos de nossa dedicação. Algumas vezes terminei uma leitura com uma grande sensação de perda de tempo, o que para mim ocorria pelo fato do livro ser pobre, mas na verdade o que acontece é que meu gosto já não se contenta com algumas narrativas. Todo leitor consegue determinar algumas obras que não valem a pena serem lidas, mas isso é puro resultado do seu juízo de valor. De fato, não posso afirmar que todo livro é revestido de erudição, boa escrita ou enredo que o valha, mas para os que estão na estrada a pouco tempo, uma "passeada" leve e despretensiosa pela literatura pode ser força para novas "aventuras". Concordo que a experiência é capaz de nos ajudar a perceber o que será ou não proveitoso para nossa vida de leitor, contudo, concordo com a Juliana, acho que qualquer esforço para conhecer a literatura é válido, mesmo que lendo algo de gosto duvidoso. Comecei a ler ainda criança e se não fossem esses livros "fáceis", talvez não tivesse gosto por me entregar a jornadas mais hercúleas. Como já disse, respeito teu ponto de vista e estou disposta a refletir sobre teus argumentos e, quem sabe, mudar o meu, porque a questão aqui é boa escrita e você escreve bem.

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    1. Obrigado pelo comentário, Mari. Apenas reforço o fato, como foi dito no texto, de que esse argumento tb pode ser usado em sentido oposto. Um livro ruim poderia desestimular a continuação ou dificultar o apego pelo hábito da leitura? É uma pergunta justa se adotarmos o raciocínio do "livro ruim como alavanca" como base de argumentação. Abç.

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  3. Concordo com tudo o que foi dito no texto. Principalmente com a velha questão do gosto e da qualidade. Obviamente, o facto de se gostar de algo, não o torna automaticamente bom. Pode-se gostar (e gosta-se) de muita coisa de péssima qualidade. E, a menos que se tenha essa consciência, o perigo reside precisamente aí... no gostar... E é tão fácil gostar de algo mau... Porque o que é mau tem, geralmente, um certo "açúcar"... é mais apelativo... mais fácil... Já o que é bom, costuma exigir um pouco mais (muito mais) de esforço.

    Por isso... não, nem todos os livros valem a pena ser lidos (ou escritos...)! A vida é tão breve... Porquê desperdiçar tempo, que é tão precioso, com algo que não presta?! Se nunca conseguiremos sequer ler todos os livros bons quem já existem ou que ainda serão escritos... (E não, não é necessário ler um livro para se saber se é mau... Basta um pouco de sentido crítico... que, parece-me, anda um pouco escondido nos tempos que correm...)

    Já agora, seria interessante que as pessoas se perguntassem sobre o porquê de existir por aí tanto lixo sob a forma de livros... que se questionassem sobre os interesses subjacentes...
    Talvez chegassem à triste (mas muito necessária) conclusão de que vivemos num teatro de marionetas... E, nessa altura, seria bom que indagassem: "Quem puxa os cordelinhos?"


    Por fim, deixo algumas questões para reflexão, que considero relevantes: Afinal, o que faz com que um livro seja bom? Quais os critérios para que seja classificado como tal? E quem define esses critérios?



    Cumprimentos,

    Ana

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    1. Olá, Ana. Obrigado por comentar.

      A discussão acerca do pq existir "tanto lixo em forma de livro", mereceria um texto próprio. Para ser sincero, já escrevi sobre o tema há pouco tempo. Mas não soltei pq hoje em dia tudo dá celeuma na internet. Quem sabe algum dia eu solte. Mas a questão me parece clara e, ao que tudo indica, você já sabe a resposta, rs.
      Em síntese apertada diria: "dinheiro". É mais fácil comer o fast food e partir para outra lanchonete amanhã, comendo uma variação do mesmo lanche. A evolução como leitor pede dedicação, investimento pessoal (aliás, como em tudo na vida), e muitos não estão dispostos a isso. Até aí, tudo bem, cada um que decida por si. O que me incomoda é a "condução" do mercado, entende? Especialmente do juvenil. Mas não há dúvida que esse tema merece ser trabalhado.

      As questões que vc deixou para reflexão, são pertinentes, mas, precisam de um texto mais complexo, provavelmente mais técnico. Em que pese minha discordância quanto à argumentação ofertada pela Gervason "in casu", até mesmo pela expertise, acredito que a Juliana seria a pessoa mais indicada para discorrer sobre esse tema. Possui competência e conhecimento para tal. Gosto muito dos vídeos mais "técnicos" dela, se é que posso chamar assim.Respondi muito brevemente à Rosângela no comentário abaixo, mas apenas arranhei o assunto, que carece de muito mais profundidade.

      Grande abç para vc, Ana.

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  4. Vi o vídeo das meninas. Naquele momento concordei com a Juliana. No entanto, após ler o texto do HP Charles continuo concordando com a Juliana. :-D O que é um livro ruim? É aquele que "eu" não gostei? Ou que "eu" achei mal escrito? Quem decide o que presta e o que não presta na literatura? Quantos escritores do passado tiveram suas obras ignoradas ou subestimadas e depois entraram para história como gênios da literatura universal? É certo que não se precisa tomar um veneno para saber se faz bem ou não, mas tal analogia não cabe ao contexto da leitura. Qualquer suposição a respeito de livros é meramente especulativa antes de se chegar à leitura da última página. A exemplo, não gosto de Machado de Assis. Perdoem-me, mas meses de cursinhos pré-vestibulares me fizeram tomar aversão às obras dele. Contudo, posso dizer que Machado de Assis é ruim? Ou mesmo mal escrito? Escritor esse que "apenas" é traduzido em diversas línguas mundo afora e entrou para a história da literatura brasileira. Penso que todo livro deve ser lido nem que seja para dizer, naquela discussão com amigos, o quanto se constatou a chatice da enfadonha história. Ler nunca é perda de tempo. Ainda prefiro aqueles que se decepcionaram com livros indicados por amigos do que aqueles pseudos que propagam críticas travestidas de inteligência aos quatro cantos a tal obra sem jamais ter lido sequer os resumos das orelhas do livro baseando-se apenas na opinião alheia, em algumas situações, daqueles que leram “mais ou menos” alguns capítulos. De toda experiência de leitura, boa ou má, se tira alguma coisa. Sou a favor de tentarmos amenizar certa pedância que nos imbui após anos de experiência com a leitura e nos abrirmos às novidades e às diferenças no mundo dos livros. Dependendo do nosso estado de espírito e da fase da vida em que estamos, até um romancezinho juvenil e campeão de vendas nos entretêm alí naquela fila do banco.

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    1. Olá, Rosângela. Obrigado por comentar. Me permita esclarecer alguns pontos que talvez não tenham ficado claro.
      Em primeiro lugar, o texto não entra na discussão dos critérios que levariam um livro a ser considerado bom ou ruim. Como afirmei no texto, isso impenderia texto próprio. O relevante é você saber que existem critérios. A teoria literária também trata disso. Ademais, nada impede que você goste de um livro ruim. Quantos gostaram de 50 Tons de Cinza? No entanto, eu sou capaz de dizer pq aquele livro é ruim. Só que o argumento de que é ruim "pq eu não gostei" não é resolve o assunto. A não ser para mim. É o mesmo que se dizer que o nazismo foi bom pq alguém gostou, vez que lucrou com ele de alguma forma. Esse subjetivismo que hodiernamente impregna a todas as discussões, colocando tudo como passível de ser bom ou ruim, apenas "pq eu acho", é primário, raso. Se não se estabelece critério, não há discussão que resista ou conclusão a se chegar. Em nada.
      O texto aborda se TODO livro vale a pena ser lido ou não e cuida de refutar duas premissas que a meu ver não se sustentam. Existem filmes, por exemplo, que eu adoro, mas tenho absoluta consciência de que são ruins. Por pragmatismo, vejo os filmes/seriados apenas pq no máximo me tomam 2 horas. A sensação de desperdício é bem menor. Mas até isso está mudando com o tempo.
      Continuando seu comentário, você mesmo parece ajudar meu argumento. Você pode não gostar de Machado de Assis, é direito seu. É seu gosto. Mas não pode dizer que ele é ruim sem estabelecer critérios. Dizer que é ruim pq foi leitura obrigatória em cursos e te fizeram tomar aversão é justamente o que critico no texto. Machado de Assim é bom (não é bom, é espetacular), pq tecnicamente beira a perfeição. Se em sua época escrevesse em inglês ou alemão, seria considerado um dos maiores gênios da literatura. Mas para entender isso, é preciso conhecer e entender a teoria em comento, que é o que fornece argumentação do pq a academia assim o considera.
      Escritores tiveram suas obras ignoradas por vários motivos. Ideologia, ausência de divulgação, escrita à frente do tempo, estética literária, questões financeiras, diversos fatores. Cada caso tem sua explicação. Aí teríamos que ver autor por autor.

      Continua...

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    2. Me desculpe por "quebrar" a resposta, mas o HTML do blog limita o número de caracteres.
      "Quem decide o que presta na literatura?". A priori, você. Desde que justifique, que embase com pertinência. É bom, "pq eu li e gostei", não é argumento, é apenas palpite. Ou vc acha que não existe nenhum critério que abrigue distinção, inclusive de qualidade, entre Machado de Assis e E. L. James? Sério mesmo? Aí teria que te convidar a reler algo de Machado e tentar ler 50 Tons de Cinza(eu sei que vc não merece, rs).
      É isso que é preciso ficar claro. Literatura não é a Casa da Mãe Joana. Fazem parecer que é, mas não é. Existem motivos além do, "eu curti", para se avaliar uma obra. Talvez vc os não conheça, mas eles existem. Controvérsias, debates, divergências haverão, como existe em qualquer área, mas elas não se resolvem, com "eu li e gostei, e aí é bom". Sim, é bom...para você. Mas quem disse que você não pode gostar de um livro ruim? A evolução da literatura que o leitor busca, normalmente acompanha a sua própria evolução como leitor.

      Quanto à analogia do veneno, assim como da órbita de Plutão, é evidente que ela teve a função de condenar uma questão que filosoficamente já está superada faz tempo. A de que todo conhecimento justificado necessita de experiência pessoal, ou presencial. E sim, o exemplo vale para os livros. A sua visualização é que é distinta. Eu critiquei a caduca ilação de que apenas o conhecimento experimental seria válido. Essa é uma discussão epistemológica. Qual é a validade, limites do conhecimento justificável? Quando me referi a isso, era para deixar claro que o conhecimento se estende a métodos, a leituras e interpretações da realidade. Não é o caso de me aprofundar nisso, seria um exercício difícil nesse formato. Mas o que eu gostaria que vc levasse em consideração é que a escrita não se resume a conteúdo, é preciso se considerar também a forma. Exsite método, entende? Existem regras. A sua alegação de que para se avaliar um livro é preciso chegar à sua última página, não resiste a esse argumento. E não resiste simplesmente pq eu não preciso ler mais do que algumas páginas para aduzir que a forma com que tal livro foi escrito é ruim, ou péssima. Veja bem, mesmo com o conteúdo, a experiência de leitor te conduz a fazer assertivas justificáveis. Lembre, o conceito de "certeza absoluta", não é pertinente. Só serve para nublar a discussão. Não se pode ter certeza de nada. Mas é absolutamente justificável que eu diga que não preciso ler o segundo e terceiros volumes de Crepúsculo, para te afirmar que o livro é pobremente escrito. Vale a pena ser lido? Você é livre para decidir, mas ele não se tornará automaticamente bom porque vc acha que vale. Mas é apenas um exemplo. Até agora citei livros que caíram na graça do público, se tornando Best Sellers. Posso citar tantos outros. Posso te dar inúmeros motivos pq Umberto Eco é infinitamente superior como escritor, do que Paulo Coelho. Mas isso não importa, se eu não justificá-los. A questão é que consigo fazer isso. Existem motivos para isso. Já quando peço para dizer pq acham PC bom escritor, ouço sempre a mesma cantilena..."ah, me divertiu", "ah, me passou uma mensagem"(WTF?!"), "ah, me fez bem". Tá, e daí, Jesus?!
      É muito comum, hoje em dia, por exemplo, as pessoas atribuírem qualidade a alguns autores pq possuem a retórica sofisticada, atraente. No entanto, a dialética é um lixo, o que contamina a obra, diminuido-lhe o valor. Isso foi apenas um exemplo e não vou citar nomes aqui, rs (vc sabe como é, né?). Mas é para você ver, como as coisas andam.

      Quanto a ler ser perda de tempo, o meu argumento foi o de que a forma como vemos o tempo hoje, não será a mesma que veremos amanhã. Talvez, quando te restar menos tempo, essa questão te fique mais clara, face a tantos livros relevantes para ler e tanto lixo que é lançado e consumido atabalhoadamente pelo público em geral, por atendimento ao mercado editorial e à propaganda. Isso é bem claro para mim.

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    3. Por fim, já me estendi muito, e peço perdão por isso, mas entre um pretenso pedantismo, que em boa parte das vezes prefiro chamar de "opinião", e a não manifestação face ao que consiste o mercado literário atual, dominado inteiramente pela propaganda, com a consequente CONDUÇÃO notória de jovens à mesmice, à ausência de incentivo à experimentação de uma literatura mais madura, mais consistente, eu opto, sem pestanejar, pela "pedantismo".
      Dependendo do nosso estado de espírito, podemos ler qualquer coisa na fila do banco. Só não sei pq alguém optaria por "qualquer coisa" à revelia do entretenimento de qualidade, bem escrito, inspirador. Ele existe. Será que o preço de tal livro é muito mais alto? Ou o esforço é que é muito mais baixo? Tanto faz. Na minha visão existe uma perda aí. E é essa perda que eu critico.
      No entanto Rosangela, a intenção do texto é fomentar o debate. Essa discussão é importante, penso que devemos ser generosos com ela.
      Grande abç.

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  5. Excelente discussão!
    Sempre passo por aqui para espiar se você publicou algum texto novo, HP. Geralmente não comento pelo simples fato de não ter contribuições relevantes acerca do tema. Bom, não sei se as tenho hoje, mas o impulso de comentar foi irresistível, rs.
    Concordo plenamente: nem todo livro merece ser lido. E essa nossa opinião compartilhada não tem nada de ditatorial, de subversivo, ela tem um caráter puramente subjetivo. As experiências literárias anteriores dão, sem dúvidas, bagagem para cada leitor decidir que aquela obra interessa ou não!
    É subjetivo porquê cada leitor é responsável pelas próprias escolhas. Por isso também me incomodo com a enxurrada de YAs e livros do gênero, conduta editorial que visa apenas despejar no mercado aquilo que faz cifras. As editoras devem sim buscar a sobrevivência, mas acredito que a responsabilidade cultural que lhes cabe está sendo colocada cada vez mais de lado, de uma maneira escancarada e perigosa. Vide a horda de adolescentes insanas gritando por Cassandra Claire na Bienal de SP deste ano, mas voltando ao tema...
    Por isso, não tenho vergonha alguma de abandonar livros. Não me pesa a consciência largar uma obra após algumas páginas - em alguns casos extremos, depois de míseros parágrafos. A mesma coisa com filmes: há aqueles que só de ver o trailer sei que devo fugir para longe! Se a pequena porção já não me agrada, o que dirá do todo? Se um pedaço de bolo está ruim, embolorado, estragado ou algo do gênero, tenho que comer a forma toda para comprovar?
    Enfim, obrigada pelo brainstorm que cada texto seu provoca. Mesmo que às vezes não concorde - sempre me fazem sair da zona de conforto.
    Abraços!

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    1. Pois é Anny, a questão do mercado de livros é cristalina, mas parece que ninguém quer mexer no vespeiro. Se vc procurar nos principais sites de venda de livros, os mais vendidos são "lugar comum". Distopias adolescentes, auto-ajuda, proselitismo religioso, biografias de celebridades. Difícil sair disso ou variáveis disso.
      E note, as pessoas são livres para lerem o que desejarem, mas me incomoda quando tentam atribuir valor exagerado a esse tipo de literatura lhes concedendo virtude que não possuem. Na verdade, não percebem que não são eles que efetuam tal valoração, mas sim a propaganda. O que fazem é repetir o discurso que é vendido como verdadeiro. O fato é que quando pergunto pelas qualidades, pelas grandes virtudes literárias dessas obras, não consigo resposta além do "é divertido", "é legal", "eu gostei é o que importa". Então, tá. Suit yourself.
      Não acho que precisem deixar de consumir os YA, mas o problema é que são levados a ler um após o outro sem lhes mostrarem alternativas. Não vejo incentivo, a não ser fora de alguns canais literários, motivando o jovem a considerar literatura de mais profundidade. Acho isso péssimo. O que se faz, e ainda fazem crer que é ótimo ou produtivo, é vender a ideia de que esse MacDonald's de literatura é algum tipo de saída para fazer o jovem ler. Como apontei, não há nenhuma garantia disso. Isso é um sofisma. Poderia dizer que livros ruins também afastam o jovem da leitura, ué? Esse argumento serve para os dois lados.
      A verdade é que existem livros que não valem serem lidos, assim como existem filmes que não valem a penas serem vistos e por aí vai. Pq é tão difícil aceitar isso? Pq é preciso se arrumar justificativa para não se ler o que não presta? Acho que existe muito dinheiro e muito comodismo intelectual envolvido nessa discussão. Como dizia José Régio, tem gente que "ama o que é fácil". Paciência.

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  6. Concordo com a Juliana e passei a concordar ainda mais depois de, desculpe, perder meu tempo lendo todo esse texto. Você diz em vários momentos que só porque você gostou não quer dizer que é bom... o que não consigo concordar. Se eu gostei, foi bom PRA MIM. O que é bom pra mim pode não ser bom pra você. E temos fases na vida, o que também acontece com a literatura. A própria Tati diz que começou a ler um livro em determinada época e não gostou, mas que depois de anos foi lê-lo novamente e amou. E é exatamente isso! Não é porque não gostei hoje que não vou gostar amanhã. Como a Rosângela disse em seu comentário, eu também não gosto, na verdade, odeio, Memórias Póstumas de Brás Cubas, pra mim ele é, SIM, péssimo! Não recomendo pra ninguém. Mas a Pati Pirota ama, e recomenda para todos. Mais uma vez o exemplo... é ruim pra mim, é bom pra ela. E porque é ruim pra mim não vale a pena ser lido?

    Agora, relembrando uma discussão que a Tati fez, há algum tempo, em seu vlog: quem tem cacife para falar de literatura? Todos temos, assim como todo leitor tem direito de dar sua opinião, mas decidir por outro ou deixar-se decidir por outro se um livro vale ou não a pena ser lido é ridículo. Eu confio no gosto da Tati, a maioria dos livros que ela gosta eu gosto e os que ela não gosta, eu não gosto, o que me faz ser muito fã dela, mas, por exemplo, ela amou Harry Potter e eu não! Inclusive, já li livros que ela odiou e acabei gostando, sim. Pra mim, ler esse livro não foi a perda de tempo que foi pra ela e, se como você ou a própria Tati disse no video, eu não tivesse lido por confiar no gosto dela, teria perdido uma grande leitura pra mim. Entende?! Cada um tem que decidir se foi bom ou não depois de ler, e não dizer que NÃO VALE A PENA, se nem ao menos começou a lê-lo. Nenhum autor merece alguém que nem perdeu tempo com sua obra falando mal dela, por favor, né!

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    1. Marina, como vc foi, acima de tudo, mal educada, eu não me sinto na obrigação de ser cortês contigo, ok? Esteja avisada. Em primeiro lugar, vc leu o texto pq quis. Ninguém pôs uma faca em sua garganta, certo? Certo.

      Em segundo lugar, deixa eu lhe perguntar...se amanhã vc começar a comer merda(sim, pq ler merda ao que tudo indica, vc já está lendo faz tempo), a coprofilia passaria a ser uma prática recomendável? O sabor da merda passaria a ser bom apenas pelo que VC acha? Pelo seu paladar? Pelo seu raciocínio, se vc não comeu merda até hoje, não se pode dizer nada, não é mesmo?
      Livros, quadros, filmes e qualquer outra expressão artística, possui forma, estética e esses, entre outros atributos, são passíveis de serem julgados por critérios mais objetivos do que simplesmente "eu gostei ou não". Entendeu isso, "jênia"?!
      "Sim, é bom para mim!", MAS NÃO FOI ISSO QUE EU DISSE?! Que por esse critério pode ser bom para VOCÊ?! Mas e daí?!?!?!?! Será que vc não percebe que experiências anedóticas só possuem valor para a própria pessoa? Será que vc não entende que, EM NENHUM LUGAR DO MUNDO, a opinião calcada apenas em "eu gostei, eu vi, eu senti, eu aprovei", não tem validade NENHUMA quando não vem acompanhada de uma explicação devidamente embasada? Os hospícios estão cheios de Napoleões que "se sentem" Napoleões. A experiência pessoal NÃO É CRITÉRIO ABSOLUTO. Meu deus, a internet, tá complicada...

      "A Tati disse que não gostou de um livro em determinada época e depois releu e gostou", sim PQ ANOS DEPOIS ELA JÁ NÃO ERA A MESMA LEITORA DE ANTES. O livro permaneceu o mesmo, mas ela não! O quão difícil é entender isso? Você não leu o texto, não é possível. Eu não disse que o leitor se apura com o tempo?! Que a sofisticação do leitor evolui em conjunto com a evolução da literatura que ele persegue?! Será que a gente tem que explicar tudo como se explica a uma criança de 7 anos?

      Odiou Brás Cubas? Essa opinião sem explicar o pq, sem se aprofundar nos motivos, nos critérios, vale tanto quanto um quilo de bosta. Importa ZERO, a não ser para vc(tem que repetir toda hora, sabe como é, né?)que não gosta de Brás Cubas? O que importa é dizer o PQ de vc não gostar de Brás Cubas. Agora vamos ver se você consegue explicar pq ele é péssimo. Vamos lá! Mas sua análise tem que ser brilhante, pq senão vou dizer que "não sei pq perdi meu tempo lendo o texto".
      Mas isso você não fez, não é mesmo? Não disse pq odiou. Não abordou a escrita do livro, não trouxe uma crítica sobre a formação dos personagens, não debateu estética e a técnica literária empregada por Machado, não a inseriu dentro de um contexto temporal. Não fez nada disseo. Se limitou a dizer: "é péssimo". E acha que tá ótimo. Pode estar para você. Mas, "surprise, surprise", as suas verdades só passam a ser verdades PARA OS OUTROS quando você as exprime com subsídios, com fundamentos. Mas vc não fez isso, né? E sabe pq? É simples. Pq vc não faz a menor ideia acerca do que eu estou escrevendo. Para vc, a literatura deve ser encarada com a profundidade de um pires. E coitado de quem discorda de vc, né? Ótimo, seja feliz. Sinceramente, seja feliz. Mas saiba que na vida adulta, fora do entretenimento fugaz e despretensioso, ninguém leva a sério esse raciocínio, juvenil, manco.

      Continua...

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    2. "Agora relembrando....quem tem cacife para falar de literatura?" Mas quem disse que o texto é sobre isso?! Chesssssuuuusss! Ou vc não leu o texto ou tem problemas cognitivos. A discussão não é sobre quem pode avaliar, mas sobre o que é preciso para se avaliar, ou a forma a ser levada em consideração. A distinção é enorme e espanca aos olhos, mas sabe como é, né? E olha que nem me aprofundei, o texto foi apenas para levantar uma discussão que acho importante, face a tanto LIXO sendo empurrado pelas editoras com campanhas direcionadas à mesmice, cumulada com propaganda incessante e vagabunda, conduzindo jovens ao fácil, ao pedestre.

      "Todos, temos assim como todo leitor tem direito de dar a sua opinião...vale a pena ou não ser lido é ridículo". Mas onde eu falei que não há DIREITO de se dizer ou não algo?! Aponte no texto! E não, ridículo é não fazer a menor ideia do que está dizendo, não ter entendido 10% do que foi escrito e ainda assim escrever rudemente, feito uma criançona, batendo pezinho pq alguém pensa diferente.
      "A Tati gosta normalmente eu gosto, mas ela gostou de um livro e eu não, tá vendo? Viu quem decide sou eu? Entende?" Entendo. Entendo que seu conhecimento de lógica formal é tão boa quanto foi sua análise de Brás Cubas.
      Onde foi dito que não se perdeu tempo com sua obra? Vc leu minha resposta sobre forma? Que livro não é apenas conteúdo? Que forma se pode avaliar com apenas algumas páginas de leitura? O que vc comentou foi o que foi dito no texto? Mesmo? Filhona, você já leu algo sobre Falácia do Espantalho? Pois é, você escreveu um parágrafo falando sobre o que não sabe ou não entendeu e outro parágrafo contestando O QUE NÃO FOI DITO. Por favor, né? Vamos estudar um pouquinho. Vamos ler sobre a importância da forma na escrita, sobre retórica e dialética, vamos ler sobre desenvolvimento de enredo. Você realmente acha que não existem critérios objetivos na literatura? Que os acadêmicos adotam simplesmente o "eu gostei, não gostei", para separar machado de Assis da pseudo literatura que é promovida hodiernamente? Francamente! Quem pede por favor, sou eu!
      E mais, se tornar a comentar de forma infantil e grosseira, seu comentário não será aprovado. Então nem perca seu tempo, ok? Isso aqui não é arquibancada de estádio e o assunto não é futebol. Cresça!

      Agora bora ler um pouco de Machado? Bora botar o Tico e Teco para funcionar e perceber que esse subjetivismo vagabundo do "é bom pq eu gostei, é ruim pq eu não gostei" não resolve NADA, apenas servindo para mostrar falta de conhecimento e preguiça intelectual!? Então, vamos! Boa sorte, vc vai precisar.

      Passar bem!

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    3. Beto, me desculpe, mas acho que você é que não entendeu o que eu quis dizer. Não fui mal educada em momento nenhum, mesmo porque você pode ter colocado a entonação que quis e achou mais "adequada" nas minhas frases né? rs Mas ok, tirando isso...

      Primeiramente, eu li sim o texto porque quis, exatamente porque acho que vale a pena perder tempo lendo algo que, mesmo que não goste, possa mudar meu pensamento. O que não aconteceu com seu texto, mas, e daí? Você tem pessoas que concordam com você e tem também as que não concordam, eu não posso discordar? Citei o tópico de "quem tem cacife para falar de literatura" porque, pra mim, uma coisa está ligada com a outra. Eu, estudante do último ano de direito, tenho o direito de falar sobre literatura tanto como um estudante de letras, ou uma professora de literatura rs. E eu tenho o direito de gostar ou não de uma obra sem analisá-la profundamente como faria uma pessoa formada em letras. Eu, como LEITORA, não gosto de determinados livros. Um livro, PRA MIM, é ruim quando não consigo lê-lo, por mais que tente e tente e tente. E é bom quando, por mais que seja bobo, me prenda do começo ao fim. Eu não sou formada em letras, mas como estudante de direito, sei classificar uma doutrina como boa ou ruim pela tática utilizada pelo autor, pelo seu conhecimento... mas infelizmente muitos alunos do primeiro ano odeiam tal doutrina, pois, por mais inteligente que o cara seja, pode não ter didática. O cara é fantástico e super inteligente, mas para os alunos iniciantes, foi péssimo. Enfim, não sei se conseguiu entender onde quis chegar.

      Muito pelo contrário do que a imagem que você fez de mim, não sou uma criança que bateu os pés porque não concordou com seu ponto de vista, mesmo porque eu sou super a favor de discussões com opiniões diferentes... o que eu não gostei foi ver o modo como disse, como se algumas obras fossem uma MERDA e que ninguém deveria ler... meio que "esculachando", se é que consegue entender. Leio muitas obras clássicas da literatura mas, só por serem "clássicas" e consideradas de ouro sou obrigada a gostar?! Porque a "forma" dela é perfeita? Desculpe, Beto, se não entendo de "forma" como os estudantes de letras... Para mim, literatura é um prazer e não uma obrigação. Eu leio porque gosto, porque quero... e gosto dos livros que me fizeram bem. Se isso é avaliar o livro "com a profundidade de um pires", pois bem! haha Sabe porque tanta gente assiste o canal da Tati? Porque ela não se aprofunda nessas coisas quando vai falar sobre um livro. Sei disso não só pela MINHA OPINIÃO, mas porque já conversei com MUITAS pessoas sobre o canal dela, indiquei à muita gente! E todas disseram a mesma coisa... ela indica, fala sobre a história e como isso mudou a vida dela de alguma forma e ISSO é o que cativa os leitores. E é isso que eu faço também, (não com tanto êxito como a Tati), mas amo o que faço e muita gente gosta de minhas resenhas exatamente porque falo o que SINTO com o livro e não sobre sua forma! Já peguei livros com erros, com uma "forma ruim" como você disse, mas a história era boa, me fez rir, me fez passar um tempo bom. E isso basta! PRAZER, literatura é prazer.

      Sei que o modo que você avalia é pela forma e aprofundando mais, só que nem todo mundo gosta de ler livros super complexos. Minhas amigas, blogueiras também, por exemplo, odeiam livros que fazem pensar muito. Gostam de passar o tempo, e só. Existem vários tipos de livros, aqueles que mudam nossa percepçao do mundo, aqueles que só servem mesmo para rir, chorar, etc... E isso basta para algumas pessoas.... O livro não precisa ser totalmente bem estruturado e aprofundado e tudo isso para que alguém goste e queira perder seu tempo e dinheiro lendo!

      Espero que tenha mudado sua opinião sobre mim e que tenha entendido melhor o que quis dizer. E espero mesmo que também seja mais educado na resposta (se houver rs) Até mais.

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    4. Marina, eu entendi, apenas não concordo, o que é bem diferente. E, ao contrário de você, deixei claro o pq não concordo. Eu fundamentei. É essa a questão.
      "Entonação"? Ahãm, sei. Me diga qual é a "entonação" correta para "perder meu tempo lendo esse texto" e "decidir se um livro vale ou não ser lido é ridículo"? Ora, Marina...menos, por favor.
      O problema não é discordar, Marina. O problema é não fundamentar ou fundamentar mal o argumento. O problema é contraditar o que NÃO foi dito, o que é EXATAMENTE o que vc fez.
      Citou o tópico e citou errado e já lhe expliquei pq, se você ainda não entendeu, paciência.
      E novamente você vem com esse papo de "direito de falar isso ou aquilo". Por acaso vc vive na Coréia do Norte? Alguém lhe impediu de dizer algo? Claro que não. Diga o que quiser, isso apenas não muda o fato de que quando disser uma besteira, ela continuará a ser besteira.
      Marina, entendi o que vc quis dizer, também sou advogado. Isso não tem a menor relevância no que tange à teoria literária. Vc apenas está confirmando o que eu havia dito. Que desconhece os critérios que distinguem alhos de bugalhos. E eu lhe informei que eles existem. Você acha que na universidade os estudiosos do assunto baseiam suas opiniões em "eu gostei, eu li com facilidade, me prendeu". Isso é primário, né Marina? Com todo o respeito.
      E de novo, vc insiste com "eu, eu, eu, eu". Marina, por favor, não estou lhe dizendo o que deve ler ou gostar, só estou lhe informando que existem motivos, por exemplo, para a obra de Machado ser o que é e a sua opinião não vai mudar isso. Não é pessoal. O direito de dizer que tal obra de Machado "é péssima" não a torna péssima, a não ser para você.
      E novamente lhe convido a fazer uma análise de Brás Cubas, esclarecendo de forma cristalina pq ela é "péssima". Pq é" bobo, chato, não curti", não vale, ok?

      Continua...

      Gosta de discussões, mas inicia o comentário com "perdi meu tempo lendo o texto"? Vamos combinar, que não foi um início lá muito feliz para quem gosta de discussões, não é?
      Ué, o que posso fazer se certas obras são uma merda mesmo? O que posso fazer? O seu problema e que é muito frequente na internet, é levar tudo para o lado pessoal. E mais do que isso, eu CONSIGO dizer pq certas obras são uma merda. Vc consegue dizer pq Brás Cubas é péssimo? Essa é a questão, mas vc levou para o pessoal (não sei pq) dizendo que a discussão é ridícula. Mas na hora de diferenciar berimbau de gaita, não consegue. Esse é o problema. Apenas esse.
      Não, Marina (ai minha NOSSA SENHORA, RS). VC PODE GOSTAR À VONTADE, MENINA! Já estou até rindo. Vou repetir. Vc fez uma crítica em determinado momento pq eu escrevi que era possível dizer se um livro era ruim sem o ler até o final. O que eu respondi e que VC NÃO SABIA é que um livro tb se avalia pela forma e não apenas pelo conteúdo. Existe estética na literatura. Mas o problema é que VC DESCONHECIA isso, entende? Tive que contar, o que vc queria que eu fizesse?

      A Tati não aprofunda a discussão por um motivo simples. Nunca foi objetivo dela e ela sempre disse isso. Deixou claro desde o começo. E nem eu me aprofundei de verdade. Só abordei um pouco de teoria, pq se fez necessário. Evitei isso no próprio texto, repare. Eu apenas te informei que literatura não é Casa da Mãe Joana. Existe técnica em narrativa. Existe critérios. Existem regras. Discussões acerca de estilo, de fluência. Uma porrada de coisas, Marina.
      Agora me diga, face ao que vc colocou, como eu poderia te explicar isso, sem pelo menos comentar sobre isso? Entende? Não é pessoal. Mas vc tomou como pessoal. PQ? Só vc pode dizer.

      Continua...

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    5. A questão da forma, Marina, foi suscitada apenas para te explicar que eu posso sim avaliar um livro lendo apenas algumas páginas. Leia também sobre retórica, sobre deficiência de conteúdo. Estou te falando de boa. Não sou formado em letras, mas em direito. Mas como meus pais são formados na área, sempre me interessei e estudei o assunto durante muito tempo. Gosto tanto de livros que, em determinado momento, julguei necessário me aprofundar além da leitura em si. Compreender a história da literatura, a fim de perceber seu desenvolvimento. Entender a estrutura da narrativa da escrita, e por aí vai. Isso leva anos, Marina. Não deve ser cobrado do leitor. Mas como te disse, precisei entrar minimamente na questão para que não parecesse apenas "pedantismo" ou arrogância. Existem motivos, entende? Basta vc saber isso. Se vc quiser saber mais, é mera discricionariedade sua.

      Faço questão de visitar seu blog e não acho que suas resenhas necessitem abordar alguma questão técnica/teórica. De maneira alguma. Mas penso que nessa conversa que estamos tendo, foi necessário eu te falar sobre a existência desses critérios.
      Se fosse vc, da laranja, faria uma laranjada. Já que curte o trabalho que faz, se aprofunde no assunto. Mal não vai fazer e nem impenderá em mudança em seu estilo. Apenas te dará mais conhecimento sobre a matéria. Apenas isso.
      Marina, note bem, como disse no texto, a priori, sou sempre a favor da leitura. Não escrevi isso? Leia lá. Disse que se pode ler o jornal que embrulhava o peixe, não disse? Então. O debate que propus não cuida de se PODER ler isso ou aquilo. Mas sim se TUDO vale a pena ser lido. São discussões absolutamente distintas.
      Como disse em um comentário, o dinheiro e o tempo não são meus. Cada um faz o que quer. Mas insisto em questionar pq alguém optaria por uma obra rasa a outra com profundidade. E mais importante, pq isso acontece com tanta frequência? Tá entendendo agora a real motivação por trás desse texto? Será que realmente está havendo "escolha", aí? Ou apenas a "ilusão de escolha"?"
      Pq esse debate precisa conter irritação ou pessoalidade? Dizer que "perdeu tempo lendo"? Para quê isso? Pq é ridícula a discussão?
      Pelo contrário Marina, a discussão é tão importante que vc descobriu que um livro pode ser avaliado inclusive pela sua forma e não só pelo conteúdo. Se não fosse essa discussão "ridícula", vc não aprenderia isso.
      Marina, minha resposta apenas se deu na mesma medida em que vc comentou com coeficiente de arrogância injustificada. Reconheça isso, por obséquio.
      Não há mágoas, não Marina, fique descansada. Tá tudo bem, ok?
      1abç.

      Ps.: Visitarei seu blog, sim. :)

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    7. Percebi que falamos de coisas diferentes. Eu falo apenas pelo conteúdo, você pela "forma", seja lá o que isso for. Não disse em nenhum momento que a discussão é ridícula, mesmo porque se eu a achasse, não perderia meu tempo deixando um comentário. Acho muito válido discussões, amo discussões, na verdade. Discuto por tudo o que posso e até mesmo pelo que não posso e, afirmo, esse é meu grande defeito. Como eu disse, falo apenas pelo que sei sobre a literatura: o prazer ou desprazer que ela me causa. Não analisei Memórias Póstumas por sua forma, estrutura, ou sei lá o que, porque não entendo disso... Disse que pra mim foi péssimo porque a experiência que tive com ele foi péssima. Não consigo nem pensar em relê-lo. Diferente de Dostoiévski, pois, pra mim, é fantástico, mas aceito quem diga que não gosta, afinal, gosto é gosto, né? Mas entendi o que quis dizer sobre o livro ser bom por um critério universal. como todos esses clássicos... É a mesma coisa de Mrs. Dalloway pra mim, por exemplo. Li duas vezes tentando buscar aquilo que todos dizem mas não consigo, de maneira nenhuma, encontrá-lo! PORQUÊ, MEU DEUS? Porquê falam que é tão bom e eu não consigo encontrar ali algo que me surpreenda? Não sei :/ simplesmente não me toca e não consigo dizer que o acho BOM, entendeu? Mas ele é bom nos parametros universais rs

      Tomara que tenha entendido rs até!!!

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  7. Concordo com você Charles! Cito aqui minha experiência lendo A Hospedeira by Stephenie Meyer. Foi uma leitura muito arrastada, pesada e entediante! A própria autora talvez tenha contribuído visto que, segundo informou numa coletiva, escreveu num período que estava entediada. É um livro que está na minha estante, mas que não pretendo le-lo novamente.
    Agora procuro ler as críticas antes de me aventurar em best-sellers do NYT. Exemplificando, não me atrevo a ler Cinquenta Tons de Cinza por deveras haver consenso na escrita primária de E. L. James! Abçs

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    1. Pois é Felipe. O quão difícil é entender isso? Eu GARANTO a você que, conforme sua "quilometragem" literária for aumentando, mais seletivo vc ficará. Se informando, reconhecendo a diferença na qualidade da escrita e estilo de um autor ou de outro. Se importará cada vez mais com a profundidade, com a estética, com a construção dos personagens e com o desenvolvimento da estória contada. É preciso ser honesto e dizer que nem todas as obras de um autor são boas ou brilhantes e por isso seria injusto o avaliar apenas por um trabalho, mas tb é simples perceber que não é preciso se ler mais do que algumas páginas de determinado livro para notar que ele é pobremente escrito. Se o leitor desejar continuá-lo, não há problema nenhum. Mas ele não irá se tornar bem escrito automaticamente pq se leu até o final. Não é mágica, entende?
      O que busquei com o texto foi levantar uma discussão que julgo importante. Apenas isso. As pessoas devem ler o que quiserem e assim o farão, apenas discordo do fato de que todos os livros valem a pena serem lidos. Assim como nem todo o filme vale a pena ser visto, para traçar um parâmetro.
      É aquilo, existe um motivo para vc achar que seu tempo não vale a leitura de 50 Tons de Cinza, não há? Já não existe conhecimento, análise anterior da obra suficiente para que se tenha uma boa ideia do que se irá encontrar? Pois é. Não é prestidigitação. É prudência, pragmatismo e bom senso.
      E vou te dizer, li alguns capítulos daquela estultice. Te GARANTO de novo. Não precisei nem chegar perto do final para te dizer que seria absoluta perda do meu tempo. :)

      Grande abç.

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  8. Eu fico em cima do muro nessa questão :) se por um lado é difícil julgar o que alguém deve ler ou não, por outro lado é impossível a gente não ter gostos e opiniões próprias. Eu por exemplo tenho preconceito com livros que tenha um casal se beijando na capa rsrs não me arriscaria a lê-los, pelo menos por enquanto, mas o importante é não ter medo de mudar de opinião :)

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  9. Eu gostar ou não de um romance YA como, digamos, Eleanor & Park, jamais vai mudar – para o bem ou para o mal – o mérito do livro, mas vai fazer toda diferença na MINHA experiência como leitora: se a leitura me proporcionou bons momentos e algumas reflexões, então, certamente, para mim – e não creio poder falar por qualquer outra pessoa – ela valeu a pena. Não deixaria de tê-la feito. Fahrenheit 451, livro amplamente citado e exaltado e, do qual, após ter lido não tiro mérito do Ray Bradbury foi, certamente, minha leitura mais árdua de 2013. Depois de ter amado O Admirável Mundo Novo e 1984, era quase certo que essa distopia seria uma leitura incrível: não foi. Eu não ter gostado tira o valor do livro? De forma alguma, ainda é um dos clássicos da distopia e continuará sendo independente de mim. No que isso afeta minha experiência como leitora? Em tudo. Em suma: preferia não ter perdido meu tempo lendo, se, de alguma forma, pudesse voltar no tempo.
    Mantendo minha experiência pessoal: Jane Eyre é, possivelmente, um dos livros que mais reli. Prezo pela narrativa, construção e pelos personagens. Li logo em depois d’O Morro dos Ventos Uivantes, por se tratarem de escritoras irmãs e ‘O Morro’ ter sido filho-único de Emily Brontë. Na época ‘O Morro’ me iniciou na literatura vitoriana, que desconhecia por completo, mas que me apaixonei de cara. O Morro dos Ventos Uivantes, por sua vez, me foi apresentado pelo...Crepúsculo. Chamar Crepúsculo de literatura primorosa é forçar a barra num grau de derrubar e espatifar forninhos, mas gostei muito na época – aos 13 anos – e me apresentou clássicos inesquecíveis: aquela coisa, Crepúsculo não deve ser lido? Deve sim. Deve muito. E se reclamar ainda coloco Lua Nova na cestinha.
    Claro que algum leitor de primeira viagem pode ficar muito assustado com ‘a falta de qualidade’ da Stephanie Meyer e decidir nunca mais comprar um exemplar que qualquer coisa escrita que seja na vida. Poder, no plano das ideias, até pode. Mas ver uma sala de 8° ano, que, em geral se recusava a ler as 80 páginas em fonte 12 dos livros paradidáticos recomendados, passar os intervalos passando avidamente as páginas de um livro gordinho como eu vi na minha própria escola durante a explosão Twilight... isso, eu dificilmente consideraria algo ruim! A gente vê tantos adolescentes tendo que ler livros (quase) indiscutivelmente consagrados, como Dom Casmurro, na escola e sendo afastado da literatura justamente pelo modo como a obrigatoriedade é tratada, que, se for o John Green que vai aproximar essa galera dos livros: amém, que assim seja. A maturidade literária vem aos poucos e não sou eu que vou chegar para minha prima de 10 anos e dizer que Thalita Rebouças “não deve ser lida”. Thalita Rebouças levou ela e as amiguinhas na Bienal, minha gente (!), o que, por si só, já colocou as garotinhas em contato com outros livros e outros autores. É um ciclo: ninguém nasce lendo Proust.
    Em suma, que daqui a pouco meu comentário (?) vira tese: se me perguntarem se o livro X vale a pena, sempre direi que sim, vale sim, se você quiser dar uma chance a ele. Se conhecer, darei minha opinião pessoal: ‘Dom Quixote’? GO FOR IT, incrível! ‘Os Miseráveis’? Idem! ‘Looking for Alaska’? Leia, sim! ‘As Crônicas de Nárnia’? Não gostei nem um pouquinho, mas leia você mesmo. 1808? Ugh-que-livro-ruim, mas né, se é seu estilo, vai fundo. E por assim, democraticamente, caminhamos, que nem só de cânones vive uma estante.

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    1. Bom, como já comentei à exaustão, gostar ou não gostar de um livro não o torna bom, a não ser para quem leu. É preciso dizer pq é bom. A sua experiência como leitora, é apenas sua, não muda nada. Existem pessoas que tem hábitos terríveis e mesmo assim acham que vale a pena. Outros alegam que tiveram experiências que foram reais, mas não foram. Experiência anedótica é um tema absolutamente improfícuo, não ajuda nenhuma discussão.
      No que tange a valer a pena, repito...utilizar o argumento de que valeu a pena pq um livro ruim pode levar a ler outro livro melhor é uma falácia lógica. Posso argumentar que alguém leu um livro ruim e deixou de ler outro, se desinteressando por literatura. Conheço gente que usou exatamente esse argumento para abdicar da leitura.
      E quanto 1 necessidade de se ler para se argumentar se valeu a pena, retomo o argumento da qualidade da escrita, da estética, da forma. Basta entender o conceito de "amostragem" para saber a que estou me referindo. Não preciso ouvir toda a discografia da banda Calypso para saber que é uma porcaria. Mas eu consigo dizer pq é uma porcaria e é isso o que é relevante. O "pq". É isso que deve nortear uma análise. Se a pessoa quer ler, assistir ou ouvir, mesmo sendo uma porcaria, ok? Mas não vamos fingir, não vamos atribuir valor além do merecido.
      Dizer que Stephanie Meyer escreve bem ou é falta de conhecimento ou inexperiência literária, ou ambos. Esse mesmo jovem que curtiu esse livro, mais tarde, se persistir na literatura e buscar livros escritos com mais profundidade e esteticamente mais elaborados, vai entender que aquilo era primário, raso, pedestre.
      Aliás, gostaria de saber pq esses mesmos jovens se apegam tanto a Crepúsculo e afins ao invés de Doyle, por exemplo, que combinava qualidade com entretenimento? Pq os livros citados são sempre os mesmos ou com pouquíssima variação? Pq esse jovem precisa abdicar da qualidade, em primeiro lugar? Quem disse isso a ele?
      É simples, não sabem nada a respeito e dizem a eles que "tal coisa" é boa. "Que eles precisam ler aquilo". Afinal os "amiguinhos" estão lendo. São impregnados de propaganda, de filmes que glorificam escritoras e atores medíocres os fazendo parecer especiais. Não são. E o parâmetro para dizer que não são, não pode ser apenas "eu gostei ou não". "Eu acho, eu não acho".
      Pois eu li Crepúsculo e digo, não vale a pena. 50 Tons de Cinza, não vale a pena. Paulo Coelho, não vale a pena. E não valem pq são medíocres, são mal escritos, são rasteiros. Mas se o critério for..."ah eu gostei", então, ótimo. Se o critério for, "eu nunca li nada, então eu acho que é bom", então beleza, vai com força, campeão. Mas basta se colocar um pouquinho de profundidade na análise, que a gente vê que a argumentação não resiste muito.
      Como já disse antes, com 16 eu já lia Bukowski, já havia lido todo Lobato e boa parte de Doyle. A diferença é que não fui direcionado. Não fui levado a acreditar que algo ruim era bom. Desenvolvi parâmetros por mim mesmo. Não fui subestimado. Não me disseram que deveria ler autores que me apadrinhariam em troca da conquista de um best-seller. Não me informaram que aquilo "não era para mim" ou estava além de minhas possibilidades.
      Na hora em que pararem de tratar os jovens como caixa registradora, todo esse lixo que lhes enfiam goela abaixo será tratado como deve, ou seja, como subliteratura. E na hora em que o jovem perceber que foi enganado, que havia outra coisa melhor e que ele podia sim, começar por cima, todas essa modinhas, todo esse bafafá distópico, mais do mesmo, "sonhei com o Edward", acaba. Mas fazer o quê, né? É o que botam na frente da livraria, para quê ir até o fundo? Vamos ficar por aqui. Aqui é que tem as capas coloridas.
      Mas ei...como vc disse, vivemos em uma democracia e nem só de cânones vive uma estante. O problema é que TAMBÉM de cânones vive uma estante. Apenas parece que eles foram tirados da prateleira. Pq será?

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    2. Entendi seu ponto de vista e acho essa discussão MUITO válida. Mas quando eu disse que não só de cânones vive um estante, o “só que” têm o mesmo sentido de “também”. Quer dizer, eu acredito muito que os dois podem conviver em harmonia, sim.
      Meu ponto é que Stephanie Meyer pode ser “inferior” em todos aspectos à Bram Stoker (para comparar “livros de vampiros”), em qualquer ângulo e ponto de vista possível, mas só por isso o livro dela não vale a pena. Nem que seja para, lá na frente, a pessoa se dar conta de que, putz, cara, aquilo era tão mais medíocre do que o que eu leio hoje. Eu vejo o YA como aquilo que é: jovem-adulto, ele conversa com uma galera que, de outra forma não estaria lendo Bukowski ou Doyle, essa galera, muito possivelmente, não estaria lendo nada (da mesma forma que livros de criança conversam com crianças). Me sinto desconfortável colocando Gabriel García Márquez na prateleira metafórica de "merece, sim" e a moça do Dear John(?) na prateleira oposta do "descarta": não rola ser tão simples assim. O problema do "valer a pena ser lido" é, em si, semântico: um livro não vale a pena que eu o leia, que eu o indique ou que simplesmente deixe de existe porque, na boa, ruim dimaissaí?
      Também não acho que ler um YA seja subjugar a capacidade intelectual de alguém, até porque, novamente, John Green jamais será Dostoievski, mas execrar seus títulos como se NADA pudesse ser aproveitado em NENHUMA circunstância é, acredito eu, assumir uma postura um pouco limitada. Lógico que empurrar histórias enlatadas é um artifício diretamente relacionado ao mercado e isso é um papo de mais 9338738 caracteres, mas o que eu questiono é o que, primeiramente, motiva alguém a ler em determinada ocasião? Prazer? Distração? Buscar conhecimento? Curiosidade? A motivação individual é um ponto importante. Se alguém pega um livro com o intuito único e exclusivo de se divertir e, em última instância, dar umas risadas, quase certo que um clássico como “Crime e Castigo” deve ser posto de ladinho em favor de um nacional “Melancia” da vida. Em termos literariamente acadêmico, Crime e Castigo pode chegar à borda da perfeição (embora sempre questionemos, sob qual ângulo?), mas para aquele leitor, naquela situação de querer ler alguma coisa exclusivamente engraçada, um chick-lit best-seller como o supracitado foi indubitavelmente mais adequado. Com que propriedade eu o alertaria que, por um motivo ou outro, o título em questão “não vale a pena”? “Não deve ser lido”? Quando o mesmo leitor – sem que seja questionado sua primeira preferência em ler algo, hm, “leve” – decidir algo (muito!) mais denso e existencial, Crime e Castigo, ali, na mesma prateleira, o acolherá com todo amor e carinho.
      Só vou terminar – esse assunto realmente dá pano para manga – com uma analogia com o cinema: quando estudamos cinema formalmente – que é um campo que tenho algum conhecimento prático, ao contrário de teoria literária – aprendemos a olhar todos os filmes como dignos de nota. Existe o cânone indiscutível: Poderoso Chefão, Cidadão Kane, O Sétimo Selo, etc. E nem por isso blockbusters de verão tipo Transformers 30984 vão ser ignorados por que estuda Cinema, porque, nem que seja um corte, um artifício de roteiro pertinemente, algum efeito especial bem aplicado, alguma coisa pode ser aproveitada, estudada, esmiuçada.

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    3. Sim, Carol, só que não é isso o que está acontecendo. Não há essa convivência. Basta vc pegar a lista dos mais vendidos. É só lugar comum. É evidente que o mercado literário está sendo conduzido e sendo conduzido para baixo.
      Mas como a pessoa vai saber que "aquilo é medíocre" se o único parâmetro que ela tem é aquele? Veja o que fazem, enfiam um enlatado atrás do outro nos jovens. É ou não é? Não adianta nos apegarmos à exceção, a regra é essa. Pode pesquisar. Vá as livrarias, veja os destaques, o que é mais vendido (muito mais, diga-se de passagem). Tem um texto meu aqui no blog (Menos livros e mais filas, por obséquio), onde adiciono uma pequena estatística. Dá uma lida e veja o que estou dizendo. Só relaciono os primeiros da lista, mas pode procurar até o vigésimo.
      E pq não rola o descarte? Não posso descartar o funk? Aí, vão dizer que posso. Pq não posso descartar e dizer o que pode ser descartado se tal literatura que não presta? Pq a literatura possui prerrogativa que a música ou o cinema não possuem?
      No que concerne à diversão, me diga pq não se pode optar pelo entretenimento de qualidade? Pq não posso ver Caçadores da Arca Perdida e descartar Transformers (que vc citou), vez que é uma porcaria? É lógico que posso. E se tenho condições de dizer pq deve ser descartado, devo dizer.
      Não importa o motivo da sua leitura. Meu ponto é que ele é irrelevante vez que vc pode encontrar qualidade mesmo quando apenas deseje entretenimento. Essa é a questão. O que vc prefere? Entretenimento bom ou ruim? Vamos ser honestos, o que boa parte das pessoas querem, pq foram ensinadas a querer isso, a se conformar, é literatura FÁCIL. Essa é a verdade. Ou por medo, ou por comodismo, ou pq é a moda do momento, acabam optando por literatura de quinta categoria.
      Não é que não se possa aproveitar nada. Não é essa a questão do texto. A questão é pq é preciso se abdicar da qualidade para desenvolver o hábito da leitura? Quem disse que é preciso ler literatura medíocre para apenas depois buscar a qualidade? Isso é o que vendem. É a justificativa que alguns dão para si mesmo para continuar a ler livros rasos.
      O que eu quero lhe dizer é que posso te indicar literatura de qualidade, seja ela cômica, seja trágica, seja de mero entretenimento, seja densa, seja o que vc quiser. O que não vou te indicar jamais são livros mal escritos. Com estórias pobres, com estética mequetrefe, com desenvolvimento manco.
      Entendi sua analogia e discordo. Vc citou questões técnicas. Montagem, efeitos especiais e afins. Posso ver Transformers como estudante para entender como foi feita determinada cena (forma), mas é o conteúdo? Aí, se vc não for estudante de cinema, vou te dizer, não jogue fora R$40, por favor.
      Agora, me diga como posso aprender a escrever melhor tecnicamente com Paulo Coelho. Fique à vontade para me esclarecer. Me diga se Stephanie Meyer, no segundo livro de sua saga (só li o primeiro, pq, né?), passou a escrever com a beleza de Clarice, com a intenção estética de Simone de Bouvoir. Ora, vc mesmo disse, quer um livro de vampiros? Leia Drácula e seja feliz. Mas Drácula é mais complicado, né? Vamos no vampiro que brilha no sol. Ah, me perdõe, mas é óbvio que isso é subestimar o leitor. Ele apenas não entende isso. E não entende pela enorme máquina de propaganda fazendo parecer que aquela porcaria é algo especial.
      Veja bem, não peço que se escreva como um Eça de Queirós, como um Ruy Barbosa, não é isso. Não é pedantismo, é apreço pela qualidade, é entender que literatura é arte e como arte, possui estética, deve possuir forma e conteúdo de qualidade. Subjetivar ou reduzir seu condão para que se molde às imposições do mercado, ou para "descer mais fácil", me parece muito mais desserviço do que serviço.
      Continua...

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    4. Carol, confesso que me incomoda um pouco isso que está acontecendo. Vi em alguns vídeos a Tati dizendo aos assinantes para que não tenham medo de arriscar, de se embrenhar em certo tipo de literatura. Aduzindo que devem ler clássicos sem medo, como se fosse a literatura escolhida no cotidiano. Achei totalmente pertinente, pq só assim SERÃO os livros do cotidiano. Se forem lidos.
      Pois eu te digo sem o menor pudor que seria o primeiro a dizer "não leia isso, tente aquele outro". E vou mais longe, gostaria que fizessem isso comigo. O importante é que eu conheça a pessoa e seus argumentos. Se isso acontecer, descarto sem dó. Li alguns capítulos de 50 Tons de Cinza. Vc realmente acha que precisaria chegar até o fim? Sério? O conhecimento é cumulativo. Não há necessidade de se insistir no que não presta.
      E novamente afirmo, existe motivo e critério para se avaliar, para se criticar. Se ficarmos no eu acho isso, pq sim, pq é confortável, aí vale tudo mesmo. Pode ler Capricho, escutar Bonde do Tigrão e assistir o filme do Pelé. só não venha me dizer que é bom ou que vale a pena, pq se vc disser que vale eu vou te pedir para explicar. ;)

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  10. P.S.: Em última instância - e sob perigo de parecer muito chata - questiono, ainda, a visão do que é essencialmente bom do ponto de vista, inclusive, acadêmico. Falando de Stephenie Meyer e Dostoievski, estamos falando de oposto. A carência na escrita de um e a qualidade do outro são fatos quase cristalinos. Porém, existem meio termos, como o Nelson Rodrigues. Do que li, gosto muito de 80%, as peças, as crônicas; só me lembro de ter detestado o que foi escrito sob o pseudônimo de Myrna. Não que nada disso importe, pois é minha opinião e não tenho nenhum embasamento teórico além da minha identificação pessoal com o texto. Mas já vi linhas de pensamentos acadêmicos discordarem quase de maneira simétrica quanto ao valor da obra do cara. Foi um sucesso com o público, indiscutivelmente, mas a crítica especializada, o estudiosos póstumos se dividem (talvez não igualmente, mas se dividem). Se trata apenas de um "ps", um ponto que me veio à mente.

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  11. Não está sendo chata, não.
    Carol, é evidente que existem divergências acadêmicas. Isso existe em TODAS as searas. Mas os CRITÉRIOS para avaliação, existem e são matéria obrigatória de estudo. Se o cara quer mudar isso, ele então proponha uma tese revolucionária, dentro do meio acadêmico e mude.
    E outra, existem brilhantes escritores que não possuíam educação formal e redigem brilhantemente. Me diga qual é a formação de Borges. Sua formação é oriunda do meio em que viveu, cercado por letrados e por literatura. O ambiente familiar e o círculo social, somado a ser um gênio literário nato, o fez ser o que é. Agora veja a estética na literatura de Borges. É a isso que me refiro. O fato de não ter sido um acadêmico não o fez escrever sem critério, desposado de qualidade técnica. Já disse e repito, literatura não é samba do crioulo doido, não.
    A diferença entre Mayer e Fyodor Dostoyevsky é que uma escreve mal e o outro muitíssimo bem. O resto é secundário. E existem motivos para se dizer que um ruim e o outro é bom, independentemente de vc gostar e eu não. É isso que vc precisa ter em mente.
    Bom, não sei pq vc considera Nelson Rodrigues "meio termo". Gosto muito de Nelson Rodrigues e poderia dizer que sua maneira de escrever é "peculiar". Mas me desculpe, está bem acima, mas bem mesmo, do naipe de autores YA por aí fora.
    De qualquer maneira, obrigado por comentar. Sem dúvida que o assunto é interessante, controverso e, acima de tudo, importante.
    Abçs.

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  12. Oi Garoto! Tudo bem por aí? Pois bem, quando vi o vídeo das meninas, achei a resposta da Ju muito controversa, sabia? Não lembro se cheguei a comentar no próprio vídeo, mas venho dizer aqui. Achei controversa pq a própria Ju (que eu amo a adoro muito) sempre diz que não vale a pena perder tempo com livros ruins. Ela inclusive faz vídeo com livros abandonados, ou seja, que ela começou a ler não continuou. Daí, eu pergunto: Todo livro vale a pena ser lido ou ser conhecido? Posso estar enganada, mas eu Isa, entendo, que ler um livro é ir do início ao fim. Conhecer um livro é simplesmente pegar alguns capítulos e ler, como eu fiz com 50 tons de cinza e tantos outros. Portanto, focando aqui no assunto do texto pq acho que a galera aí em cima se perdeu um pouco, eu acho que não. Nem todo livro merece ser lido. Mas acho sim que alguns livros merecem ser pelo menos conhecidos para você ter um parâmetro do que gosta ou não, do que é bom ou ruim pra você. Só que em contrapartida, eu tenho muita dificuldade em abandonar livros, mesmo sabendo que são ruins. Sempre acho que vai acontecer alguma coisa legal no final... mas isso é idiotice minha, pq um livro não se torna só bom ou ruim pela história. Como vc disse, tem forma, estética, ideia e tantos outros fatores que não me atrevo a dizer pq não sei mesmo. Já li livros muito bem escritos com histórias podres... já li livros super mal escritos mas com uma ideia bacana, que se tivesse sido escrito por um outro autor daria com certeza um excelente livro! Costumo dizer que sou um leitora bagaceira e mequetrefe rsrs sou muito exigente com minhas leituras sim, mas por gostar de "conhecer" um pouco de tudo, eventualmente "leio" as tranqueiras até o final, o que acaba sendo uma outra idiotice minha justamente por ter plena consciência de que não terei tempo de ler tudo que quero na minha vida! Mas é aquela coisa, sempre levantei a bandeira de que cada um deve ler o que quiser e ser feliz, desde que me deixe em paz... rsrsrs Bjo garoto!! E pra Tati tbm! Isa - LidoLendo.

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  13. Texto SENSACIONAL, assim como praticamente todos que você escreve, me admirei em ver que muitas pessoas não entenderam o que você quis dizer, levaram pro lado pessoal, talvez porque leem tanto subliteratura, você não falou em nenhum momento que as pessoas não deveriam ler o que quer fosse, mas o fato de elas gostarem não deixa de ser uma merda, é o que vende, é o que eles empurram aos jovens, justificativa mais rasa, é a de que vai desenvolver nos jovens o gosto pela leitura, a intenção pode sair por via oblíqua, qualquer ser pensante sabe disso, o que eles não querem é ver questionada a sua intelectualidade, se sentem pessoalmente ofendidos, porque o jovem tem que ler merda pra poder ler? Ele pode ser despertado por literaturas de qualidade desde cedo, não essa superficialidade. Parabéns meu caro, continue nos enchendo com sua sabedoria e esteja ciente, de que a muitas pessoas não entenderão seu brilhantismo. Abços

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    1. Pois é, Lelber, infelizmente hoje em dia tudo é pessoal. Tudo é campo de batalha. A discussão até acerca de desodorante se torna emotiva e desproporcional, com isso os argumentos se perdem. Note quantas vezes, em resposta aos comentários, tive que explicar a mesma coisa que está disposta no texto.
      Abçs.

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  14. Ótimo texto, espero um dia me expressar bem como Hp ^^.

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  15. Olá, Charles! Li com a devida atenção o seu texto e não precisei chegar ao final para que pudesse me certificar de que lê-lo por inteiro valeria a pena. Inclusive, ele me fez recordar de minha primeira aula de literatura na faculdade, ocasião em que minha professora, especialista em Machado, nos revelou de forma absolutamente necessária algo que está intimamente veiculado a seu texto: "o subjetivismo na literatura existe, mas deve fugir da opinião rasa e injustificável para que se possa construir uma teoria literária" (sim, "teoria literária" e não "teoria da literatura", pelo menos no meu curso, porque assim se admite que a crítica acerca da ficção é tão ficção, ou seja, tão literatura quanto seu objeto de análise). Mais que isso, o que me marcou nessa primeira aula, e que encontra comunhão com seu texto, foi a seguinte sentença: "gosto tem a ver com repertório". Abraço e parabéns pela maravilhosa escrita!

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    1. Pois é, vivemos um momento onde a glorificação do narcisismo juvenil venceu à lógica e a razão em atendimento ao politicamente correto. Rasguemos então todo o conhecimento amealhado até hoje, dane-se a academia, entronemos o "é bom pq eu gosto e fim de papo". É patético. Não escrevi sobre nenhuma novidade, mas veja nos comentários como tive que explicar inúmeras vezes a mesma coisa, pq sinceramente...pensar é artigo cada vez mais raro. Abçs.

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