Tirando do Baú #7: Dicas de livros: Os melhores livros da vida da Tatiana (So far...) – Parte 2



Pra quem não viu a Parte 1, clique aqui!

Este vídeo foi gravado uma semana depois da primeira parte.

Eu tinha gravado um vídeo só que ficou imenso, estava conformada em dividí-lo em 3 partes, mas, quando fui editar a primeira parte, sabe deus que besteira eu fiz e acabei perdendo o restante do vídeo.

Neste vídeo eu continuo mostrando livros variados que ainda fazem parte da minha lista pessoal de melhores livros da vida.

De Mrs Dallaway a Zeca Camargo, passando pelas minhas coleções preferidas sobre o Rei Artur e os cavaleiros da távola redonda (sim, eu sei, sempre mostro esses livros, mas eles são fantásticos, fazer o que?).  Aqui, eu conto também de onde o Bernard Cornwell tirou a ideia para escrever sua trilogia “As Crônicas de Artur”.

Cem anos de Solidão aparece aqui, também, como não poderia deixar de ser. As Meninas, da Lygia Fagundes Telles, A Sangue Frio , do Truman Capote (e eu pronunciei errado o título do filme “Infamous” – o correto é “Ín-famous”, sendo o “ a” um “schwa” – estudantes de fonética me entendem...).

Reparação está aqui, também, e aqui eu comento que a estória do livro e a escrita do Ian McEwan neste livro, específicamente, me lembraram Jane Austen – e não, eu nunca li nenhum livro da JA inteiro. Shame on me. Meu Emma foi abandonado quase no final (bem na época do vestibular, e lá se vão mais de dez anos e eu ainda não retomei); Razão e Sensibilidade só foi lido em adaptação para cursos de inglês e Persuasão, não passei do primeiro capítulo. Não por serem ruins, muito pelo contrário – ainda quero ler seus 4 livros, um atrás do outro, com calma e dedicação.

Volto depois com a Parte 3!

;)

Fim de semestre.

Preparar revisão pra prova final.
Organizar as planilhas de notas.
Aquela pilha de provas pra corrigir, aquela outra pilha de redações que os alunos entregam com atraso pra corrigir ali do outro lado, aquela pilha maior ainda de livros pra devolver à escola. E todos os post its que eu coloquei em todas as páginas que eu usei, com anotações para cada aula, hein? Pra onde vão? Pro lixo, lógico!.
Semestre que vem, níveis novos, livros novos.
Organizar pendrive com as aulas em pastinhas de "2sem/2013/nível tal".
Dar feedback do semestre aos alunos que comparecem à "devolutiva" das provas.
Dar o feedback por telefone pros alunos que não puderam comparecer (ou, acharam melhor ir ver o filme do Pelé...)
Agendar "substitutiva" pra quem faltou no dia da prova.
Limpar o "pigeon hole" - jogar fora recados velhos, arquivar as provas e redações que não foram recolhidas por seus donos (tanto trabalho pra corrigir essas benditas redações.... tsc...)
Aquele abraço aos colegas dedicados - ano que vem, tem mais!

Enfim, FÉRIAS!

;)

2001, Primatas & Azêmolas (por Hpcharles)


Sábado passado, por conta da Tati estar lendo o livro de Clarke e por sugestão dela, revimos o filme 2001. No dia seguinte, ocorreria a última rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2013. Tal peleja determinaria o descenso ou não de uma tradicional equipe do esporte bretão. Sendo assim, muita coisa estava em jogo. Muita emoção, muita tensão, muito tudo.

A partida era entre Atlético Paranaense (mandante) e Vasco da Gama. Com poucos minutos de jogo o time do sul já ganhava por um a zero, o que sepultaria as pretensões cruzmaltinas de permanecer no  seleto grupo de elite. Ao que tudo indica, e ainda existem dúvidas a esse respeito, a torcida atleticana teria se dirigido ao espaço destinado à torcida visitante, originando assim, um combate tão sanguinário quanto estúpido. 

Como não havia policiamento presente, a batalha tomou proporções assustadoras. A Idade Média se fez presente no pequeno estádio em Santa Catarina por poucos, mas intermináveis minutos. As cenas foram tão impressionantes que chocaram até pessoas como eu, acostumadas, desde criança, a frequentar arenas esportivas e, por conseguinte, já escolado em presenciar néscios conflitos entre   azêmolas uniformizadas.

Houve de tudo. Socos, pedras, paus com prego na ponta, chutes na cabeça, agressão a pessoas já desacordadas e, portanto, incapazes de se defender. Se isso não é tentativa de homicídio, eu não sei o que é. Assisti às cenas horrorizado, mas hipnotizado, por inúmeras vezes. Em determinados momentos, inconscientemente, acenei para a televisão, atônito, como se quisesse dizer aos torcedores que parassem de tentar matar uns aos outros. Depois de um certo tempo, uma imagem me veio à cabeça e, apesar de triste, não mais fiquei surpreso ou anestesiado.

Me recordei da emblemática cena que vira no fabuloso filme de Kubrick na noite anterior, quando um “homem-macaco” descobre que pode usar um simples pedaço de osso, como arma. Lembrei do enfrentamento ao outro grupo de primatas na luta por um pequeno poço, que terminou com o quase sádico assassinato de um dos macacos por pauladas (ou ossadas se preferirem). Imagens fortes, que lembravam com boa dose de semelhança, o que se viu na partida de futebol em comento.

Nesse momento então, me lembrei que mesmo após séculos de evolução, acrescidos de regramentos de convívio social e a criação de penalizações jurídicas de esfera civil e criminal, ainda somos primatas. E que, dependendo das circunstâncias, como a ameaça à sobrevivência e a individualidade sublimada pelo comportamento de grupo, todo esse estofo amealhado ao longo de milênios, subitamente desaparece. Emergem então os macacos que somos. Porque é isso que somos. Apenas macacos.

Macacos com polegares opositores, que construíram ferramentas que, por sua vez, nos deixaram no topo da cadeia alimentar. Não somos mais devorados por felinos como na película de Kubrick, mas ainda assim, em situações específicas, nosso condão de consciência evapora. Quem duvidar que veja as cenas. Fáceis de encontrar em qualquer Youtube da vida. E depois que assistirem, me digam: qual é a diferença para o grupo de animais pisando e chutando a cabeça do torcedor rival, já desmaiado, para o grupo de primatas que espanca o adversário de outro grupo em 2001?

Notem bem, esse texto não possui fito de trazer à baila quaisquer outras digressões que não as oriundas desse comportamento assustador. Me parece, e não posso garantir, pois sou apenas um palpiteiro na matéria, que se alegar psicopatia em alguma instância, é pertinente, mas apenas no momento em que tais monstros, optaram voluntariamente pelo embate. No hora em que um doente qualquer, lá no meio da algazarra, decidiu e propôs a outros doentes, que PROCURASSEM a tragédia.

No entanto, na hora em que a “porrada estancou” e “pés de mesa” se transformaram em armas letais, em um conflito generalizado, não há mais que se falar em patologia individual. É caso de matar ou morrer. Evidente que na perspectiva do infeliz que está lá dentro. Sobretudo de quem está sendo atacado. É lamentável, repugnante, que em 2013 ainda tenhamos que assistir a isso em uma competição esportiva. Pessoas que fora dali possuem família, emprego (alguns pelo menos), vida social, vestindo a fantasia de que são gladiadores de seus times, em uma batalha no Coliseu. O que leva a isso? O que passa pela cabeça dessas pessoas? São apenas frustradas? São realmente psicopatas (os que induzem, alimentam a situação)? Marginais são. Pelo menos naquele momento. Se antes não eram, se tornaram.

É cristalino que uma série de fatores contribuiu para o terrível acontecimento em Santa Catarina. Falta de organização, ausência de efetivo policial no estádio, inexistência de delimitação física separando as duas torcidas. Mas isso não é objeto do texto. Aqui o questionamento é quanto ao comportamento que se obtém de seres humanos quando expostos a um ambiente apropriado para a violência. É a constatação que, dependendo da situação, somos capazes das piores atrocidades. De impor o pior, inclusive à nossa própria espécie. É apenas uma lembrança de que nossos antepassados estão aqui mesmo, dentro de nós. Com um osso nas mãos.

1997? é você?

Já tem mais de um mês que o meu iPod pifou.

Quase uma década ouvindo músicas em mp3 indo e vindo do trabalho (geralmente, enquanto leio), e estava há quase 1 mês sem ouvir música. Nem mesmo em casa. Odeio ouvir música pelo computador , e já faz anos que não tenho aparelho de som em casa.

Eis que, numa dessas arrumações de fim de semana, encontro isso aqui:


Sim, meu DISCMAN!!!!

Crianças, isso é um CD player portátil.

Com rádio.

Uma evolução do Walkman.

Esse meu modelo é ainda mais evoluído: ele lê CDs de arquivos MP3.

Não fazia ideia se ele ainda funcionava.

Precisei passar no mercado e comprar pilhas AA ontem. Porque nem pilha a gente compra mais (inclusive, estou achando que as pilhas dos controles remotos são infinitas – não me lembro da última vez em que troquei as pilhas...).

Mas, enfim, IT´S ALIVE!!!!  Funcionou, e eu fiquei feliz ;)

Portanto, voltei aos anos 90, e agora ando com meu discman na rua.

A trilha sonora do dia de hoje foi o “Singles” do The Smiths, um dos meus discos preferidos da vida. Qualquer disco que comece com “Hand in glove” e termine com “There´s a light that never goes out”, é perfeito.



Repare na data de compra:

As capas dos singles d´os Smiths são as melhores. Não sei se gosto mais do Terrence Tramp em “O Colecionador”, ou do Truman Capote pulando.


De qualquer forma, me deu uma certa nostalgia mexer nos meus CDs hoje de manhã, procurando alguma coisa para testar o discman, e saudade da época em que eu passava horas sentada em uma almofada, bem de frente para o aparelho de som da sala, com as pilhas dos meus CDs ao meu redor, escolhendo minhas músicas preferidas e incomodando a minha mãe com o som alto.

Batom, Laquê & Poesia




        Quantos anos me separam do resto do mundo?
Quantos anos eu tenho a mais do que eu?
J.G.


Meus caros, ser escritor no Brasil é, acima de qualquer coisa, tarefa para nubívagos. Para insanos, crédulos e desvairados de toda a sorte. Mas para ser poeta, é preciso ser tudo isso e ainda possuir a coragem de um espartano. Sem devaneios e denodo não se publica um livro de poemas em Pindorama. Não um que valha a pena ser lido.

O poeta é pai, mãe e parteiro. E tal como com a santíssima trindade, não há poesia sem coeficiente de metafísica. A poesia é fruto de mediunidade nas mãos, sudorese e loucura. Tal insânia porém não é clínica, é cognitiva. Daquela encardida, sentida nos capilares. É isso que move o poeta. O improvável. A expressão torta, a palavra que dobra a esquina, o neologismo alienígena. É isso que põe o rebento para fora, com cordão umbilical cortado nos dentes.

A obra de Juliana Gervason chegou hoje em minha casa e não levei mais do que uma hora para estraçalhá-la, faminto. Foi como tocou a banda. Um café, o cheiro do livro novo e a vontade. A anestesia foi ministrada pelas palavras. Assim como deveria ser.

Na celulose, a poeta transpira delicadeza, feminilidade, devoção, fé e dor. Está tudo ali, com um laço de seda em cima. Só para disfarçar, porque seus poemas ardem para depois assoprar.

Intimista, deixa aparecer de soslaio, porém de forma consistente, sua mineirice remansosa, oriunda da vida na cidade mais carioca de Minas Gerais. E por isso, mestiça, também escreve esperta, ágil, sonora.

Juliana é filósofa e não sabe. É terapeuta e desconhece. Faz tutu com pimenta e pensa que não. Nós mesmos só sentimos o gosto quando o ritmo estala em nossa língua. O sabor é processado com retardo. Não pelo cérebro que já o assimilou, mas pelo coração, onde é degustado. A digestão demora mais. Culpa do tempero. Por vezes amargo, por vezes méleo. Mas sempre genuíno.

Aliás, em minha suspeitíssima opinião, esse é o grande mérito da poesia de Gervason. Digam o que quiserem após ler, menos que não é verossímil. A escrita da poeta mineira é coalhada de marcas indeléveis, cicatrizes altas e muros transpostos. Ainda assim é universal. Para mim foi. Me vi em alguns versos e em outros a vi. Mesmo sem conhecê-la pessoalmente. É justo por ser lídima, que sua poesia nos atinge.

A técnica é linda, não nego. Mas que se dane a técnica. Às favas com preciosismos e graduações. Aqui a empunhadura é inata. O difícil, mas que lhe cabe, é domar o sentir e encaixá-lo em linhas, perpetuá-lo em tinta, colocar-lhe antolhos.

Christopher Hitchens, do alto de seu ácido humor britânico, uma vez disse: “Everybody does have a book in them, but in most cases that's where it should stay”. Em seu primeiro livro, Juliana deixa claro que esse não é seu caso. Abnóxia, tal como uma inadimplente de SERASA que não sabe porque teve seu nome inscrito, contraiu, cândida, dívida inelutável com um segundo livro. Ela que se vire, que dê o jeito dela. Que implore, roube ou peça emprestado. Mas publique.

Em um país tão carente de cultura, de educação acadêmica e que nutre um estupendo desprestígio pela literatura, Gervason nos alenta inxepugnável que, se não há luz ao fim do túnel, pelo menos poesia há de haver.

Infidelidade e "Chororô" (por Hpcharles)


“I told my wife the truth. I told her I was seeing a psychiatrist. Then she told me the truth: that she was seeing a psychiatrist, two plumbers, and a bartender.” 

"No adultery is bloodless."
- Natalia Ginzburg

Pode parecer estranho, suspeito ou hipócrita, um heterossexual, já vivido, escrever taxativamente de forma negativa sobre infidelidade. Mas é o que farei. Só porque posso. E JUSTAMENTE porque sou vivido.

Em primeiro lugar, é necessário dizer que trabalhei com direito de família por muitos anos. Fui obrigado a ler a doutrina jurídica pertinente, esmiuçar seu desdobramento, conhecer as estatísticas afetas à matéria. Informo sem o menor temor de errar que, a separação ou o divórcio ocorrem, com poucas variáveis, por infidelidade ou por mau uso de dinheiro comum. Dessa feita, para a minha contrariedade, a labuta pela qual nunca me apaixonara de fato, me obrigou a funcionar como “ouvido amigo” para conversas quase sempre desagradáveis e que, inúmeras vezes, fugiam totalmente ao escopo do trabalho propriamente “legal”, outrora contratado.

Ademais, já aturei amigos e amigas bêbadas às três da matina, tomei porres eivados de companheirismo e também fui implacável, condescendente ou omisso, dependendo do caso e circunstância. Tudo isso me fez chegar a uma conclusão da qual seria difícil me distanciar sem abdicar do apego à honestidade intelectual: infidelidade ou é fraqueza ou burrice. Qualquer coisa fora disso, é chororô.

Não, não sou santo. Estou bem longe disso e o demônio, no qual não acredito, sabe bem. O que acontece e justifica minha opção pela tão propalada “tediosa e antinatural” vida monogâmica, quando abarcada, é o pragmatismo comunado com um pingo de caráter. Viram? Eu disse que era não era “bonzinho”.

Por tudo o que passei e assisti na vida, cheguei à brilhante conclusão de que “trair” (não gosto de como o verbo é usado “in casu”) dá um puta trabalho. O infiel, o adúltero, acima de tudo, precisa ser um James Bond. Um animal com os sentidos ultra apurados, sempre à espreita. Precisa estar alerta, atento a tudo, ser mais escorregadio do que quiabo. Um funâmbulo sempre lutando para não cair. Necessita ter disposição de pedreiro e memória de elefante. Além disso, a infidelidade gera custo, não se enganem. Não só pessoal, mas financeiro. Por que alguém quereria isso? Multiplicar o imenso trabalho proveniente de equalizar uma relação, constituindo mais uma?

“Ah, mas escolhi errado”, “ah, mas não amo mais”. Ué, que eu saiba a lei do divórcio foi instituída oficialmente em 1977 e, para quem não é casado, sei que dá para terminar até por SMS, apesar de achar calhordice de último quilate.

Então qual é o problema? Eu digo qual é o problema. Ele começa com CO e termina com VARDIA. O Paranauê é que é fraco, young Padawan. Melhor embromar e seja o que deus quiser, afinal não custa tentar. Tem chororô? Tem, sim senhor! Aquele mesmo, que sempre anseia tirar o cu de quem está mais sujo do que pau de galinheiro, da reta. Pois é. Aqui ele entra em cena com assiduidade nipônica e bota para fora o que há de mais patético no ser humano. “Foi um momento de carência”, “estava com problemas no trabalho”, “bebi demais”. Ahãm, com certeza uma gostosa qualquer lhe pegou de surpresa justamente no mesmo dia em que sua namorada dormiu de calça jeans, você descobriu que seu trabalho era uma merda e que estava cheio de manguaça nas fuças. Depois a miserável te obrigou a entregar sua virtude, ceder à lascívia e se submeter ao sexo voraz. Violentamente quebrou a garrafa do whisky 12 anos - que ela te fez pagar no “after hours” - colocou um pedaço de caco de vidro próximo à sua carótida e, cheia de tesão, gritou alucinada: ME FODE, SEU INFELIZ! Sabia!!!! Maldita devoradora! É justamente assim que elas agem com os indefesos ou insatisfeitos.

Novamente, para ficar bem claro. Não estou aqui me referindo diretamente a seu “desejo” de trair ou negando o cotidiano com qual as relações se debatem inapelavelmente. Me dirijo a posicionamentos adotados espontaneamente face a responsabilidades assumidas por gente crescida. Odeio moralismos, aliás nunca encontrei um só moralista genuíno em minha existência, apenas hipócritas travestidos. O que condeno é a burrice contumaz e a fraqueza coalhada de “bodes expiatórios”. Em qual momento do contrato de exclusividade que VOCÊ se propôs voluntariamente a aderir, te obrigaram a desempenhar o papel de vilão? E quem disse que nele há cláusula vitalícia? O que é, o pai da moça ou do moço vai até a sua casa quebrar suas patelas com um taco de baseball, “Joe Pesci`s style”, se você encerrar o enlace?

“Sim, mas é preciso pensar nos filhos”. Sei, então está desculpado. Você não faz o que deve por conta deles? Ótimo, vamos passar a “responsa” para os bacuris. É deles a culpa. Basicamente você comeu sua vizinha(secretária, colega de trabalho, ex namorada e afins) cinco vezes porque quer o bem dos moleques. Que legal você é, não?

Gente, em 2013 filho não segura mais ninguém, ou pelo menos não deveria. Só serve de desculpa para estender o sofrimento. Além disso, o assunto aqui é a infidelidade em si e não o motivo por ela  perdurar. O que acontece de fato, é que somos uma espécie formada por putos egoístas e que na hora em que interessa, usamos nossa “propensão natural” para desculpar o acordo que foi estabelecido lá atrás. Por outro lado, nos colocamos como os picões da evolução e usamos microondas para esquentar nossa comida e comê-la sentados à mesa, ao invés de jogá-la uns nos outros, de dentro de jaulas. Se quiser usar a carta do impulso para justificar um comportamento, acho justo que se lembre que também existe um impulso para refreá-lo. Chamamos a isso de “consciência”. Humanos normalmente a possuem. Ou você é o "Maníaco do Parque" e se calçar os patins é melhor sair da frente? Então, por favor...menos.

Dizer que trair é algo que “acontece”, é equino. Acidente de trem acontece. Infidelidade, NÃO. Ela é consentida. Ou alguém cai de zíper aberto e pau duro em cima de uma pessoa que, desavisada, estava por acaso, com as pernas abertas? “Acontece” é o que dizemos a uma criança que derrubou a bola de sorvete no chão. Se você foi infiel, contribuiu para sua infidelidade. Se não estava feliz, poderia e deveria ter dito que não estava. Poderia ter, a qualquer tempo, interrompido a relação e desfeito o “contrato”. Aquele mesmo que você, consciente, adulto e de livre vontade, “assinou”. O resto é CHORO!

Na verdade, o que ocorre com mulheres e homens mundo afora, é que precisam, antes de romper com o passado para constituir o novo futuro, arrumar um balão de oxigênio afetivo, um “snackzinho” para matar a fome quando for preciso. É a fraqueza compelindo a um “pré preenchimento” afetivo a fim de minorar a dor vindoura que, “surprise, surprise”, é inevitável. E que se foda se esse processo impende falta de respeito e o esquecimento do que sente aquela outra pessoa a quem uma vez você jurou amores, não é? Aquela mesma para qual você disse te amo, ou que prometeu, todo “nhunhuzinho”, não machucar.

Sei lá, eu tento ser condescendente mas não consigo. Não consigo entender pessoas que optam pelo caminho mais doloroso para fugir de um que já será doloroso o suficiente. A separação doerá para todos se a relação foi significativa de alguma forma. Por vezes dói mais para um do que para outro, é verdade, mas ainda assim, é uma merda. Por que colocar mais álcool na fogueira? Se realmente não foi “safadeza”(nunca vi alguém assumir que foi) e sim fruto de uma situação que se constituiu anteriormente, por que não abriu o jogo e picou a mula?

Como se vê, meus caros, está difícil fugir do binômio apresentado. O infiel ou é burro porque, por via oblíqua, aumenta os problemas e gastos em sua vida, além de não atacar o verdadeiro imbróglio que é a sua relação original, ou é fraco, porque não tem colhões para “botar o bacalhau para fora” evitando assim, mais adiante, um transtorno ainda maior, pois, tal qual o burro, ele posterga mas não soluciona.

É claro que você pode “ser fodão” e não ser pego. Claro, pode. Quer uma medalha por se achar malandro quando de fato é um otário? Sim, porque quem tem tamanho talento para ser ator ou atriz, deveria demonstrá-lo em lugar apropriado e não fazer da sua vida uma peça de mau gosto que, via de regra, traz consequências nefastas para gente que não comprou o ticket para o espetáculo. Que fique claro, infidelidade não é oriunda de oportunidade ou se explica pela mera insatisfação. Infidelidade tem, acima de tudo, relação com caráter. 

Então o que fazer, cacete? Tá bom, eu digo. Sugiro, com alguma experiência e muita pretensão, o remédio para não cair na esparrela de se machucar, de machucar aos outros e, de quebra, em alguns casos, ainda ter que pagar a porra de um advogado enxerido como eu, para limpar a merda que você fez quando descobriu que a vida é feita de escolhas mas também de compromissos assumidos. Estão preparados para a dica? Ela é foda! Inédita! Original! FIQUE SOLTEIRO, PORRA!

Se você não acredita em casamento, namoro e exclusividade, não se case, não namore e não se comprometa com a monogamia. Simples assim. Se você entende que o ser humano é infiel por essência, que a banda toca desafinado mesmo, que estudos afirmam, que é genético, que o Daniel filho se casou 50 vezes e não deu certo e, por isso ficou comprovado que é impossível se manter retilíneo, mais um motivo para fazer o fácil, não se aporrinhar e ser feliz em sua poligamia. Agora vou perguntar de novo: qual é o problema? Não suporta os domingos sozinho? Fraco ou burro, pode escolher.

Eis o “mistério da fé”. Não se pode ter tudo. Cresçam e lidem com isso. É o que tenho a dizer, em última análise. O que queremos é ter o melhor dos dois mundos. Todos querem. Mas em algum momento esses mundos colidem e você precisa escolher. Conheço pessoas felizes em ambos os universos, mas não conheço nenhum que é feliz os misturando. Talvez durante algum tempo, mas não como projeto de vida. Em algum momento a máquina emperra e o conserto é caro, ou impossível.

Dessa forma, para aqueles que optarem pela solteirice e seu condão de leveza e descompromisso, parabéns. Já joguei no time e foi legal durante um tempo. Tem seu valor, é inegável. Hoje virei casaca e estou muito feliz com a minha escolha. Para aqueles que querem embarcar no trem da vida a dois, seja ela como for, desde o namorico “vamos ver no que dá”, até o casamento “envelhecer juntos”, eu recomendo que sejam bacanas. Não perfeitos, mas bacanas. Que se disserem que amam, que amem de verdade. Qualquer um é capaz de dizer que ama, o importante mesmo é AGIR como quem "diz que ama". Não tente ser malandro com alguém que está a seu lado, aguentando as porradas da vida, você pode acabar como um “Mané”. O tiro pode sair pela culatra e você se foder de verde e amarelo. Esteja avisado.

Por fim, aceite que independente do que você escolher para sua vida, haverá consequências positivas e negativas, e elas serão medidas e proporcionais a seu comportamento em relação a elas. Não existem atalhos, existem opções. O cardápio está aberto à sua frente, mas o restaurante não mistura os pratos sem te cobrar muito caro para isso.

No entanto, não fique triste por não poder assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Se tudo falhar e, em seu âmago se der conta de que é um caso perdido, não se desespere. Você sempre poderá ser mórmon.
PS: Apenas para ficar claro, só porque a internet é o lar dos bravos e morada dos desententidos. O texto, apesar dos exemplos e das construções masculinas, se refere a homens e mulheres. Não tem passada de mão em cabelo com chapinha, não. 
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