As coisas das quais "não" precisamos...(por Hpcharles)

Tyler Durden: "The things you own end up owning you." (Fight Club)

Envelhecer é uma merda. E quem nega é porque é novo demais ou já está tão velho que não consegue perceber a merda que é. Simples assim. Dito isso, existem algumas coisas boas a serem agregadas com o andar da idade, além das inevitáveis mazelas oriundas da velhice.

O que há de ruim não é preciso nem se elencar, sendo o pior, talvez, o fato de que sabemos que nosso tempo aqui neste planetinha azul, não durará tanto. Tirando isso, vem as dores, a calvície e os cabelos brancos, a fadiga e a necessidade premente de reclamar da NET.

Tá, essa última parece não fazer muito sucesso entre os mais novos também. Mas o irônico é que foi ao lembrar dela que comecei a me dar conta, faz alguns anos, de que apenas achamos que precisamos de algo, quando de fato não precisamos.

Existem hábitos e supérfluos que estão tão impregnados em nosso dia a dia, que passamos a considerá-los como indispensáveis. Em nossa juventude, corrida e invencível, queremos mais. Precisamos de mais. Somos mais. Ou acreditamos que somos.

A idade chega e percebemos que a história não é bem assim. Pelo menos deveríamos perceber. Não somos tão bonitos, tão legais ou tão especiais. Mas aceitamos isso com muito mais facilidade. Essa clarividência é uma das virtudes do tempo.

Faz uns cinco anos que cancelei aquela praga de serviço de tv a cabo e não morri até agora. Senti falta daquela bosta durante uma semana apenas. Que bobo que eu era. Passei a ler mais, a ver programas com mais critério e nunca mais tive que digitar meu cpf naqueles telefonemas infernais. É claro que não seria preciso mencionar a porra da conta, que deixei de pagar com especial prazer. Quase sexual.

O incrível é que antes disso, se alguém me perguntasse, diria que a NET, com seus “trocentos” canais, dos quais vemos uns 3 ou 4, seria tão relevante quanto o fornecimento de gás, em minha cabecinha anestesiada pelos comentários inteligentes e inéditos, propalados no SporTV.

Daí para frente, comecei a contar quantas coisas eu não precisava. E não precisava de uma porrada delas. Que antes jurava que precisava, lógico. A idade muda os paradigmas. Alguma compensação há de haver. E há.

Não precisava de tantas roupas, de tantos relógios, trocar tanto de carro, não precisava comprar tanto, não precisava tanto ser o que não queria ser. Não precisava de “mais”. Com a idade, não é só a pele que cai. A ficha também.

Não me entendam mal, nós continuamos a desejar às coisas. Apenas sabemos que não “precisamos” delas. A realização pessoal nunca esteve ligada a elas. Nos dizem isso, mas é mentira. A televisão nos diz, os shoppings nos dizem, os que tem, nos dizem. Tudo baboseira. Tudo tapação de buraco.

Não precisamos de um Iphone com uma câmera melhor, acreditem. Precisamos de afeto. De um beijo na boca. Mas um que signifique algo. É disso que precisamos. Foda-se a NET.

Foda-se se você vai comer no McDonald`s ou no Burger King. Muda o quê, mesmo? Foda-se se seu jeans é Diesel ou é à gasolina. Foda-se se o Neymar tá comendo a Marquezine. Foda-se se o tempo vai virar, leva o guarda-chuvas. Foda-se se você deu um arranhãozinho no retrovisor. Foda-se bem, foda-se mal, vocês conhecem a rima...

O que quero dizer meus caros, é que a dor no joelhos e a barriguinha não são a única coisa a se contabilizar. Existe mérito no tempo. A vida será sempre difícil, aparentemente injusta ou até sórdida em alguns casos. Mas você percebe que não será o acúmulo que resolverá isso. Muito menos a NET.

O tempo te faz, inclusive, aceitar a complicada verdade de que o “que não tem solução, solucionado está”. O que não implica em desistir. Mas em “lidar”.

É mais do que óbvio que cada um traça metas distintas em sua existência e que, verdades absolutas só existem na religião e nas cabeças fundamentalistas. Mas uma coisa se descobre com o tempo: que coisas significativas ainda farão diferença mesmo anos à frente. E "aquela camisa tão bonita"? Será que significará algo daqui a dois meses? Não se farão outras camisas? Vale eu me apertar, me preocupar para adquiri-la? Estou com poucas? Mesmo? Se eu não a tiver, morrem crianças na Somália?

Preciso comer tanto, todos os dias? Beber tanto, todos os dias? Ser tanto, todos os dias? Acho muita responsabilidade ser tanto. Dá angústia, pressão alta, derrame, calo no pé.

No balaio com a NET, se foi muita coisa. Serviu para algo. É claro que ela só foi uma desculpa para o que já sabia. Mas que se dane, vai levar a culpa. Merece. O fato é que, tiradas nossas necessidades primárias, como alimentação, moradia e vestimenta, o resto é discutível. E muito desse resto é ilusão, fantasia, imaginário. Muito mesmo. Mas queremos mesmo assim. Fazemos birra, batemos pezinho. Tal qual a uma criança que teve um picolé recusado na padaria.

Saber separar as coisas é o pulo do gato, porque “nem só de pão vive o homem” e um brigadeiro ou um bom whisky pode fazer diferença em um dia difícil. Mas note que você não irá se lembrar deles daqui a alguns “dias”. Mas talvez vá se lembrar do abraço ou beijo dado, ou pior, não dado, em seus pais em alguns “anos”, quando eles não mais estiverem por aí. Velhice, lembram?

Então é disso que devemos correr atrás. Do que faz diferença. E também, do que nos ajuda a perceber o que faz diferença. Cultura em todas as suas matizes. Conhecimento.

E é justamente o afeto conjugado com o saber, que te dá a paz e a tranquilidade para  distinguir o que é relevante ou não. O que importa "mesmo" nessa vida bandida. É essa sapiência que faz a foto da sua vida ficar bonita de verdade, não o “S” no Iphone.

É verdade, não tenho mais NET. Mas tenho mais paciência com meus pais, mais tempo para dar à minha esposa, escolho fora do controle remoto. Tem gente que aprende isso com vinte. São uns abençoados. Mas tem coisas que só a vida e seus corolários funestos, te enchendo de porrada, é que te ensinam.

Não deixe de se presentear ou fazer o que se sentir compelido a fazer se for o caso, mas por favor, nesse processo, não diga que PRECISA. Diga que você QUER! Muito provavelmente você nem se recordará daquele mimo em poucos dias. Quantas gavetas já lotamos de imprescindíveis esquecidos?

Talvez essa seja a maior benesse e o maior condão de se envelhecer. Saber que o tempo fica cada vez mais exíguo e não se deve despendê-lo com o que é inútil ou irrelevante. E melhor...se aprende a separar o que é inútil e irrelevante, do que não é. Isso não é fácil e ninguém disse que seria. Mas a experiência compensa um pouco as vicissitudes, rugas e estragos causados pelo tempo em nossas vidas.

Destarte, abrace mais, beije mais, leia mais, converse mais, se entregue mais. Você não vai encontrar isso em nenhum canal, de nenhuma tv a cabo. Nem no plano Maxiplus Pica das Galáxias Chuck Norris, com desconto nos três primeiros meses. O plano a que me refiro, só a vida oferece. E esse não tem jeito. Você “precisa” assinar.

Das "delícias" de se ter um canal literário

Jamais entenderei o tipo de vida que leva uma pessoa que se ofende com lapsos de vlogueiros.

No vídeo de ontem da Patrícia Pirota, ela se confundiu com um nome unissex (quem nunca?...) e uma criatura que é, no mínimo, infeliz, se ofendeu e passou horas do seu dia escrevendo comentários gigantescos sobre como Pati é preconceituosa e como eu (oi?) a "ataquei"...
Muita pena de pessoas cujo conceito de amizade não inclui cuidar daqueles de quem se gosta.

Isso sem contar o quão estranho é saber que algumas pessoas que deixam comentários ofensivos acham absurdo quando respondemos à altura, retiramos o comentário e bloqueamos o usuário.
Ora, temos mais é que deixar pessoas que não nos conhecem nos agredir verbalmente, não é mesmo?

Outra coisa descabida é o fato de pseudointelectuais que ofendem sem usar palavrões, acharem que estão fazendo uma crítica construtiva que merece toda a nossa atenção, destaque e um "muito obrigada".

Principalmente aqueles que não conseguem compreender (está além de suas capacidades), que vídeos sobre livros não são análises profundas e acuradas dos mesmos - é um passatempo. Que eu inventei. 6 anos atrás. Sim, fui eu mesma quem começou a falar de livros no youtube. Num passado longínquo em que nem "like/dislike"existia. E não, não quero ninguém dizendo "Oh, Tatiana, como você é maravilhosa! Inventou os canais literários!!" - mas estaria mentindo se dissesse que não gostaria de crédito quando copiassem descaradamente o que eu faço, inclusive sem seque trocar o título dos vídeos, ou trocar um "O que eu estou lendo" por um "O que eu andei lendo", ou um "Você Escolhe" por um "Você decide". Ou quando citassem algo que foi dito por mim sem o comentário "como foi dito em uns canais literários por aí...". Me dá um pouco de vergonha alheia (e quem acompanha esse blog há mais de uma década, sabe que eu sofro de vergonha alheia crônica...).

Por fim, os comentários não respondidos.
Me dá uma dorzinha saber que foge totalmente do meu controle e do meu parco tempo livre poder responder a todos individualmente.

Por isso comecei as TAGs literárias.
Sim, fui eu, de novo!
Eu transformei TAGs americanas de maquiagemmmmm em TAGs de livros.
Comecei pelo "This or That?"
Assim conseguia responder perguntas gerais sobre determinados assuntos.

[Aliás, você sabe o que é uma "TAG"?
Não, não é uma sigla.
"Tag" é a brincadeira de "pega-pega" em inglês.
Eu respondo uma enquete e escolho quem vai responder depois.
( E "I'm it" é algo do tipo "Está comigo!", "é a minha vez!"
Você já deve ter visto alguma TAG em canais gringos, espero que tenha entendido).]

Por isso o PMF - Perguntas mais frequentes

Por isso a página do Facebook - que cuido muito mais do que minha página pessoal, que anda às traças.

Por isso a minha tentativa de manter um twitter.

É por isso: para vocês saberem que "eu estou aqui".

Já ia perdendo o foco e me esquecendo de comentar sobre o número de comentários que recebi dizendo que só reclamei da bienal porque não fui tão paparicada quanto Nicholas Sparks, que descontos não devem ser cedidos a "pessoas ricas" *cof, cof*, que funcionário de livraria não é obrigado a conhecer livros *COF, COF*, e por aí vai...

Vejam só: eu fiz a minha parte.

Querem continuar sendo mal atendidos e ficarem quietinhos no canto, ou resmungando pros amigos? Tá jóia. É por isso que o país não vai pra frente. Não reclamem de nada, não, que está tudo uma maravilha!

Livros de 200 páginas tem mais é que custar 40 reais, mesmo - e eu que sou "rica" *COF, COF" e não tenho nada pra fazer na vida, nem vida social *COF, COF, COF* que compre,  leia e faça vídeos a respeito.

Resumindo: quer fazer um canal literário? quer mesmo? tem certeza?
Vejam aí o ônus.

The Conjuring - "eu fiz clap, clap...motherf@cker!" (por Hpcharles)




"Look what you made me do", seu The Conjuring?! Me fez escrever esse post!

E não é que quando estava quase perdendo as esperanças no gênero, aparece “The Conjuring” e me dá um soco nas fuças? E me deixa crianção de novo? E põe um "a valer" após divertimento? Mas não se enganem. The Conjuring vai fazer você se segurar na cadeira com suas mãos suadas. A pipoca vai engasgar e a Coca-Cola vai descer quadrada. Bom, vamos tentar resumida e polidamente descrever o filme: THE CONJURING É FODA!!!!!!

É montanha-russa, são espíritos trabalhando com demônios, são clichês clássicos extraordinariamente aproveitados, é terror sem mi-mi-mi. A película não te engana. Te oferece tensão, sustos e uma péssima noite de sono. E entrega. Ah, se entrega.

A “bagaça” começa quando uma família se muda para uma nova residência, no meio do nada. Nem Casas Bahia tem perto. Tá, eu sei que é clichê e avisei. Mas dane-se, quem dera todos os diretores os usassem assim. Dito isso, mal o pessoal põe os pés dentro do muquifão, coisas muito estranhas começam a acontecer. São quadros que caem, relógios que param em determinado horário, pernas sendo puxadas na cama, enfim...coisa do demo purinha. "Tá amarrado em nome de G-zuis, ó ripalabaxéia!"


Alheio a isso, um casal de "caçadores de fantasmas e afins", leciona em universidades com o fito de ganhar sua vida e ajudar a quem precisa, nessa seara. Dão entrevistas sobre o assunto e possuem um quarto repleto de relíquias e objetos que detém alguma história sobrenatural conexa. Patrick Wilson e a ótima Vera Farmiga (mais conhecida como "mãe do Norminho") encarnam tais papéis com competência. Sem exagêros, sem aparentarem serem inverossímeis. 

O filme engrena mesmo quando o caminho de tais profissionais cruza com o da família assombrada. Os demonologistas, ao serem abordados por uma mãe desesperada (Lili Taylor), prometem fazer uma visita a fim de verificar se tem caroço naquele angu. Mas não acham caroço. Acham uma bigorna. Bom, daí para frente o que já era estranho...fica medonho. Claramente as entidades ficaram putas com os convidados. Nem assombrar os outros em paz podem, caraio?! 


Cumpre mencionar que Lorraine Warren (Farmiga), é uma poderosa médium. E já, em sua primeira visita, percebe que a coisa tá feia para os "Perron". Fiquei matutando o que a Lorraine pensou após dar uma escrutinada básica na casa: "Porra seu Perron, como se não bastasse você ter tido 5 filhas e quando bater a TPM você estar FODIDO, sua casa está cheia de encostos."

Destarte, os Warren então levam sua equipe para o local a fim de tentar debelar o mal que devasta a família Perron. Para isso, buscam informações sobre a história da sinistra moradia e descobrem a quantidade enorme de tragédias que por lá aconteceram. Somados aos frequentes e, cada vez mais agressivos incidentes sobrenaturais que se apresentam, montam por fim, o quebra-cabeças das motivações por trás de tais manifestações.

Como ressaltei, gostei bastante de, em The Conjuring, terem sido usadas ideias clássicas de filmes de espíritos e demônios, mas de maneira pertinente. A casa é sombria, mas não é uma caricatura. É isolada, mas não é "inacessível". A família Perron, talvez por existir e haver uma base real a se retratar, tenha sido desenhada sem estereótipos absurdos, como ocorre em abundância nos filmes de horror. 


O diretor usou muito mais o suspense para assustar do que propriamente os efeitos especiais, que é claro, estão lá - e não poderia ser diferente. Mas a sacada está na criação do clima. Como Hitchcock costumava dizer, "criar suspense é passar ao espectador uma informação que os protagonistas não possuem". Dessa forma, mesmo a infantil brincadeira de "hide and clap", se torna uma experiência aterradora para quem está assistindo. A expectativa de que "se pode" ver algo em um espelho, dentro de uma caixinha de música, é tão ou mais assustadora do que o que de fato se vê. E assim, o diretor James Wan trilhou a construção dos sustos em seu filme. O que se assiste é assustador, mas o que se imagina, é ainda mais. O terror gráfico se faz presente, mas esperar pelo susto foi o ingrediente de que mais gostei em The Conjuring. E o melhor...você espera e ele vem.

O roteiro é bem coeso, as atuações convincentes, a tensão é mantida durante quase todo o tempo e se reserva para o final um clímax (ui!), com muita ação e terror. O que mais se poderia querer de uma película em uma indústria cinematográfica que é pródiga em fazer filmes de horror fraquíssimos? The Conjuring mostra que ainda existem recados a serem dados. Ideias a serem exploradas. Sustos e diversão a serem aplicados. 


Só sei que, justo quando O Exorcista faz 40 anos (post no blog), e eu reclamava sem parar sobre a dificuldade de se encontrar novas produções entusiasmantes no gênero, The Conjuring surgiu renovador como uma brisa de ar, fétido e putrefato é lógico, mas vocês me entenderam.

Pretendo ver novamente no cinema quando o terrorzão der o ar da graça aqui em Pindorama, o que não deve tardar. Recomendo fortemente que assistam e que cubram seus pés bem cobertos à noite. 

Ei pessoal......................................................CLAP, CLAP!

See ya when I see ya.

PS.: Deixei o trailer abaixo, caso a curiosidade seja grande. No entanto, advirto que ele entrega alguns sustos, por isso não recomendo que vejam. It`s up to you, guys .


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