Uma Ode à Patifaria (por Hpcharles)



Foi um sábado de trabalho árduo, quase escravo. A Netflix em sua empreitada de fazer sua primeira série original, lançou os 13 episódios de “House of Cards” de uma vez só. E o fez de maneira épica. Como dizia a marquesa de Santos ligeiramente ruborizada, “a série é boa PARA CARALHO”!

Quer dizer, tive que ver a bagaça inteira no mesmo dia. Isso não se faz. É sacanagem. Mas fui guerreiro. Comprei colírio, mantimentos e fiz o trabalho sujo. É duro, mas alguém tem que fazer.

Em síntese apertada, a produção conta a estória de um deputado em Washington que não mede esforços em sua sede de poder. Ele é frio, calculista, experiente, articulado e acima de tudo, um belo de um filho da puta. Ou seja...o político “ideal”. Não sei se teria chance de jogar na “liga principal” no Brasil, é verdade. Mas voltemos ao seriado...

O personagem principal é encarnado pelo SOBERBO Kevin Spacey, que em House of Cards não atua, doutrina. É uma aula de interpretação. A Robin Wright, que faz a esposa do deputado em comento, está igualmente fodástica, compondo um casal que segura a trama com absoluta competência e maestria. Voa caco de tramoia e sujeira para todos os lados.


O resto do time é formado pela irmã mais fraca e mais bonita da garota com a tatuagem de dragão, a Kate Mara. A menina não é tão boa quanto a Rooney, mas pelo menos deu a cara a tapa, NÃO É MESMO ZOOEY?! Uniu sua “nhuiuzisse” habitual com a coragem e deu sua "pala" na maciota, no papel de uma ambiciosa repórter que faz de tudo para conseguir uma matéria relevante. Quando digo “faz de tudo”, é de tudo mesmo, ok? Temos também o Michael Kelly, ótimo, entregando com pertinência o personagem do fiel assistente do deputado Underwood. Tudo isso entre alguns outros personagens secundários muito interessantes. 

O seriado cobre toda a gama das figuras existentes no complexo mundo da política. Vemos com frequência o lobista com sua mala de dinheiro, o presidente que mais parece uma marionete, a luta partidária por mais poder, o contraste dos interesses difusos entre as diferentes classes sociais e o deputado que é mais sujo que pau de galinheiro, envolvido com drogas e prostituição. A série não ameniza, não passa a mão na cabeça. Diz na tua fuça que política é  isso aí mesmo. Não “guenta”? Bebe leite.

Não há dúvidas, a Netflix acertou em cheio. Tudo o que uma série sobre política precisa, está presente em Hart of Cards. Todo o jogo sujo, as bandalheiras, as pessoas sendo usadas como peões em um jogo de xadrez absurdo e repugnante foi inserido no contexto. Na política, o dinheiro, a priori, é secundário. A ambição precípua é o poder. O "capim" é apenas o caminho para o fim maior.


A produção fez questão de deixar claro ao espectador que nós, meros mortais, não decidimos nada. Reforça a teoria de George Carlin, de que mesmo na democracia, não temos opção de escolhas relevantes, apenas a “ilusão de que temos escolhas”. O que possuímos de verdade é o direito de decidir se preferimos “plástico” ou “vidro”, sabonete com cheiro de “lavanda” ou “patchouli”. Nos é permitido fazer pequenas escolhas, mas as que realmente importam alguém decide por nós, em outro panteão.

House of Cards, em minha humilde opinião, será a série a ser batida esse ano. “Mas HP, estamos no começo do ano”. Sim eu sei e insisto com o meu palpite. Para quem curte a temática, para quem acha fundamental atuações convincentes, produção cuidadosa, direção acima da média, pode ir de olhos fechados. É chutar com o gol vazio e correr para o abraço.

Aliás, a direção é o “icing on the cake”. Em “House of Cards” ela é dividida entre vários diretores. E olha o naipe: James Foley (Caminhos violentos, Medo, Twin Peaks), David Fincher (Millenium, Rede Social, Seven, Zodíaco), Joel Schumacher (Um dia de Fúria, 8mm, Número 23). Ou seja, a Netflix não chegou para ficar de bobeira.

A coisa deu tão certo que a série foi lançada no dia 1 de fevereiro e já foi renovada, graças ao retumbante sucesso. Não é preciso dizer mais nada, não é mesmo? Façam as contas.



Então é isso. Não reclamem que não há nada de bom para se fazer no domingão. Não sei se a promoção da Netflix continua e não ganho nada por isso, mas para mim vale pagar R$15,00 e assistir os 13 episódios. É o preço de um café no Starbucks.

Bom, mas para quem não gosta de política, de séries de tv, de ficar em casa no domingo, sugiro uma opção fantástica: os blocos de Carnaval que estão por aí. Aqui no Rio tem o “Boitata” e o da Preta Gil, que inclusive já estão na rua. Quem sabe vocês me encontram por lá. A possibilidade é a mesma de encontrar o coelhinho da Páscoa no bloco, mas existe.





20 comentários:

  1. Me deu muita vontade de assistir. Sou Cientista Social e fico vidrada nessas séries. Você escreve muito bem, assim como a Tatiana. Parabéns! Minhas férias ganharam um brilho a mais com voces. Bjus...

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    1. Rs, obrigado Eloisa. Se vc curte o tem corre para ver. Eu rasgo a minha carteira se vc não gostar.

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  2. Pô Kevi Spacey realmente é o cara, acompanho o trabalho dele desde que me entendo por gente ;D, hahaha. Mas ainda não tive tempo pra ver essa série, o que me lembra que ele continua engajado nas mesmas temáticas né? Em Casino Jack e em Margin Call, ambos ótimos trabalhos!

    Depois de sua resenha, só me resta a confirmação de que ele não dá um passo em falso ;D Baixarei!

    Ah, e posso perguntar da onde vem o "HP Charles"?

    Abraço ;}

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    1. Acho que ele está particularmente bem nessa série assim como a Robin. Humberto P. Charles, acabou indo para Hpcharles e finalmente Hp, rs. O curioso é que ninguém nunca me chamou assim até os textos pararem no Youtube. It`s not a big deal...

      Outro abç.

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  3. Amei! Assim que terminei o texto corri para o Netflix, no início não dei nada, porém quando ele foi alvo de promessa não cumprida, meu amigo, a coisa mudou. Para quem é leiga em política, como eu sou, se surpreende a cada decisão e atitude que ele toma, começamos a entender como funciona a coisa. Todo mundo se apoiando, mas , no fundo ninguém confia em ninguém.
    Valeu muito pela indicação.

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    1. Pois é, quem deseja entender como a política funciona de fato, deveria assistir essa série. Dá para perceber como o jogo é sujo e como somos meras marionetes na mão de quem detêm o poder.

      1abç.

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  4. Comecei a assistir ontem e há muito tempo uma série não me conquistava assim, logo nos primeiros minutos. Sou fã de The West Wing, no entanto sei que a visão de política ali era um tanto romântica. Neste não. É possível sentir a perversão e o regozijo dos personagens que alcançam o que querem através de manipulação, ou o que for necessário. Ainda não terminei a primeira temporada, mas saber que já foi renovada para uma segunda me tranquiliza

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    1. Há! Eu disse, né? A série é espetacular!

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  5. Cara, me interesse pelo tema, penso parecido com você em muita coisa, por isso vou confiar em você e assinar esse negócio...

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    1. Cara, se eu não me engano o primeiro mês é grátis. Não sei se essa promoção ainda existe. De qualquer maneira vale os R$15 em minha opinião.

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  6. Hp, to muito ansiosa pra ver essa série.
    Não terá pra download né? Só assinando pela Netflix mesmo.
    Vc é o noivo da Tati? O Beto? rs
    Comecei agora a acompanhar o trabalho de vcs...

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    1. Acho que vc acha o torrent sim, Sara. Sim sou, rs.
      Que legal Sara, pode ver a série que vc vai gostar.

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  7. Estou no quarto episódio e adorando. Chegou a ver, nos anos 90, a série Profit? Eu achei muito semelhante o protagonista das 2 séries, só que em Profit era o mundo corporativo. Como a House Of Cards inglesa é de 1990 fico na dúvida se a série inspirou Profit ou Profit inspirou a House Of Cards americana, pois não sei se na versão inglesa o protagonista também falava com a câmera, deixava o público estar com ele na articulação das coisas, etcs como cúmplices.

    Profit foi inspirado em Ricardo III que deve ser a inspiração também da versão inglesa e americana.

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    1. Cara, pode Ih rapaz, não sei te informar. Não vi Profit, mas agora que vc comentou fiquei interessado.
      House of Cards é foda, muito bom. Que legal que já renovaram, não precisaremos ficar com aquela dúvida que sempre deixam no ar sobre o prosseguimento de séries novas.
      1abç.

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  8. Vi a chamada no Netflix e confesso ter sido atraída a assistir não pela trama mas pelo ator, gosto muito do Kevin Spacey, mas ao começar a assistir fui surpreendida, é uma aula de pilantragem e canalhice em alto nível,ao terminar um episódio é impossível não começar o próximo, me sinto hipnotizada tanto pela trama como pela atuação fantástica. Vale realmente a pena assistir e que venham as próximas temporadas !

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    1. Há! Eu disse, não disse? A Tati está assistindo de comigo (estou revendo) e adorando também. Provavelmente ela fará um video sobre a série quando terminar de assistir a essa temporada.
      Essa já foi renovada, tá garantida, rs.

      1 abç.

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  9. minha humilde opinião: Q-U-E S-É-R-I-E! Depois de me decepcionar com o final tosco de Arquivo X, dei uma segunda chances pra seriados e acho q acertei dessa vez rs Ansiosa pela segunda temporada.

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  10. como voce julga um atuação? quando ela é boa ou ruim pra vc? abç

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  11. Oi HpCharles, vc já viu uma série chamada Boardwalker Empire?? A meu ver ela é perfeita, gostaria de saber sua opinião? O estilo dela lembra indiretamente o de House of Cards na minha opinião.

    VLw!!!

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