Shoufle Roulette #1: Fire Inc. – “Tonight is what it means to be young”


Esqueci  o livro que estou lendo em casa, hoje, e o Kobo ficou na outra bolsa que estava usando.

Como diria Morrissey, panic on the streets of London!

Transporte publico sem entretenimento não dá, minha gente, é humanamente impossível aguentar quase uma hora de viagem agradável de ida e outra de volta sem entretenimento.

Remexi a bolsa toda (bolsa da Tatiana = Buraco Negro) em busca do meu iPod (que eu tinha quase certeza que estava em casa, lindo e feliz, sendo carregado na tomada perto da estante...)

Por sorte ele estava lá.

Quando não quero ouvir nada específico, só pra abafar o barulho do motor do busão, dos celulares que as pessoas insistem em usar pra ouvir música sem fone de ouvido (é que a música é tão boa #sóquenão, que é preciso compartilhar com o próximo!), da conversa animada das pessoas que precisam falar mais alto do que o som do motor do ônibus pra se entenderem, do choro do bebê, odo trânsito de São Paulo, eu vou de shuffle.

E o shuffle sempre tráz boas surpresas!

Bandas e/ ou músicas das quais a gente nem lembrava que existiam, nem como foram parar no teu iPod,rs...
Mas tá, tudo isso pra dizer que hoje, o shouffle roulette resolveu que eu precisava ter 5 anos de idade de novo, vendo Sessão da Tarde e desejando ser a Diane Lane quando crescer ;)




O filme Ruas de Fogos era um dos preferidos das minhas irmãs (que já eram “mocinhas” quando eu nasci). Elas tinham o vinil da trilha sonora. E elas passavam horas pouvindo as músicas.

O filme é uma fábula do rock ou coisa parecida. Conta a estória de uma cantora de rock (vivida pela Diane Lane) que ficou famosa e volta pra sua cidade natal depois de anos para um show e é sequestrada por uma... gangue de motociclistas punk... e quem vai tentar salvar a moça? O ex namorado que ela tinha, antes da fama (vivido pelo gato do Michael Paré) ,  e, que é tipo um badboy caçador de recompensas... e os dois ainda se amam.. e tem o cara do “querida, encolhi as crianças”, cujo nome me escapou... E é, parece uma bela porcaria de filme, mas pode acreditar: É “mó”legal! Rs...




Mas, tá, eis a música ;)

Vlogs, Trolls , Stalkers e afins...(por Hpcharles)





Não sei qual é a parcela de pessoas que frequenta esse blog que são vloggers, bloggers ou desejam um dia ser. Para aqueles que já são, boa parte do que eu vou dizer nesse texto não será novidade. Será uma mera constatação.

Em primeiro lugar, dá trabalho. Como qualquer atividade em que se deseja fazer algo bem feito, há que se dedicar. O mínimo que seja. Bom, se você não quer fazer bem, basta ligar a câmera e falar qualquer bobagem, que tá valendo. Tem muita gente que faz isso e é feliz.

Mas se você quer passar conteúdo com um pouco mais de cuidado, opinião concatenada em fontes e, quem sabe, com um formato mais atraente...aí o bicho pega. É preciso investir não só intelectualmente como materialmente. Se seu vlog é sobre livros, há que se ter tempo para realmente lê-los. Sim, a Tati já disse isso em vídeo e infelizmente é uma verdade de meridiana clareza - tem gente que faz o vídeo e não leu. Se seu negócio é cinema, o mínimo do mínimo é ver o filme com um bom coeficiente de atenção e seriedade, o que não exclui a adicional leitura de literatura sobre o assunto.

Aprender a editar é uma coisa interessante. Não é preciso ser o Spielberg, mas é legal fazer uma “aberturinha”, fazer uma gracinha qualquer. Os vídeos ganham em leveza e o canal, bem ou mal, adquire mais identidade, mais tempero. Claro que se o conteúdo for ruim, a melhor das edições não salva. 

É preciso separar um tempinho para responder os comentários. Se você deseja feedback, tem que dar feedback. Com o crescimento do canal isso se torna cada vez mais difícil. De fora, eu vejo como está difícil para a Tati, que é uma vlogger que preza por isso, em responder e acompanhar os comentários. Nada mais natural quando a proporção de visualizações e inscrições cresce exponencialmente. É humanamente impossível, depois de um certo tempo, a não ser que se viva para tal atividade, dar resposta a todos.

Retorno financeiro não existe. A não ser para “Big Shots” do tipo Cauê Moura, Felipe Neto ou qualquer coisa nesse parâmetro. Então quem pensa em entrar nessa pelo “milho”, pode desistir. A merreca dá para comprar um livro para sortear aos assinantes, pagar um MacDonald`s, ou em um mês ruim, comprar uma coxinha com suco de caju. Mais que isso é lucro. Essa coisa de vlogger ficar rico com Youtube é lenda urbana. Está no mesmo quilate de achar que beber Coca com Mentos mata. Quem dúvida que pegue os valores do Ad Sense e faça as contas.

Bom, isso só para começar. Não abordei qualidade de câmera, áudio, computador e outras “cositas” onde, com o tempo, você vai sentir necessidade de investir. Perceba, você pode criar seu canal com uma Tekpix. Ou apenas fazer um canal com edição de imagens e voz. Sem problemas. Mas até nisso chega uma hora em que aparece aquela vontade de dar o recado com mais firula ou mais profissionalismo. Absolutamente natural. É normal querer proporcionar mais conforto para quem assiste.

Viram como não é tão fácil? Mas não para por aí. Imagine que você sucumbiu ao desejo de fazer todo esse investimento. Doar seu tempo e dinheiro às expensas de outras coisas que você poderia estar fazendo. Tudo isso porque acredita piamente que existe um recado a ser dado, seja lá qual for. Você vai fazer isso na paz de G-zuis? Claro que não. Existem trolls à espreita. E eles tem fome.

O troll é uma figura tão imbecil quanto comum. Todo canal que se preza tem que aprender a conviver com tal espécie. Apesar dos comentários variarem, no fim das contas é tudo a mesma coisa. Gente com muito tempo nas mãos e pouca coisa para dizer. Mudam as moscas mas a merda é a mesma. 

É ridículo. O cara faz um vídeo de vinte minutos e tem nego que reclama insistentemente que ele disse uma expressão em outro idioma que não o português, ou fica se esperneando que foi passada uma informação entre trocentas, que é equivocada ou discutível. Tem gente que reclama que a pronúncia não é a mesma que o "professô" ensinou. Tem gente que reclama do áudio como se não houvesse um botão de volume ou fones de ouvido. Tem gente que reconhece que o mundo não é perfeito mas pensa que o vídeo tem que ser. Tem gente que entra e deixa apenas um “PQP”. Tem gente que deixa um imbecil comentário de que não viu o vídeo porque é longo ou larga o inteligentíssimo “TLDR”(no caso de blogs). Ora, se não viu ou não leu, não comente porra. Precisa avisar que não leu? É memorando da empresa, por acaso?

Tem outros que entram, xingam ou fazem um comentário alienígena que não possui a menor relação com o vídeo em si e somem. Tem trolls que são tão trolls, que são fakes de outros trolls. Tem troll que acha que é crítico, quando de fato...é troll. Esse é o pior.

Tem os trolls fãs de sagas, que param até de ver malhação para ofender quem criticou obras primas como Crepúsculo e Hunger Games. Tem os trolls analfabetos funcionais que “chingam” porque não foram à “iscola”. Tem os raivosos, que entram e dizem que é tudo culpa do comunismo, do PT, do demônio, da “mulher de branco”, mesmo que o vlog seja dedicado ao ensino da “Hula”. Respeito mais quem negativa, mesmo que só de implicância.  É estúpido, mas pelo menos não enche o saco, não dá "flood" no canal ou no blog.

Não é fácil, tem gente que se assusta e desiste. Mas com o tempo você aprende a lidar com os burricos. O vlogger tem que criar uma casca. Isso é condição “sine qua non” ao trampo, em qualquer ambiente que se labute na internet. Que o sujeito poderia aproveitar o ensejo, já que entrou no vídeo ou no blog, e aprender alguma coisa só para variar, me parece cristalino, é o que eu sempre penso. Mas isso sou eu. No entanto faz parte do negócio. Botou a barraca na feira, vai aparecer tomate podre.

But sometimes there`s a different breed of animal in this jungle. É o troll stalker. É amiguinhos. O troll stalker, gostou de te trollar. Provou o gosto de seu sangue e quer mais. “Ah Hp, isso não existe, você tá de sacanagem!”

Então tá. Vou matar a cobra e mostrar o pau. Caso verídico, ok? Tão verídico que tem até texto nesse blog, só para a criatura das profundezas do inferno. Quem duvidar que vá lá e confira.

Eu juro que aquilo eu nunca tinha visto. Mesmo com um puta background nessa seara, afinal meu canal é sobre ateísmo e tive que aprender rápido se quisesse sobreviver. Já estou mais do que acostumado a ser chamado de filho do demônio e ser avisado que o inferno me espera. É daí para pior. Mas vou contar...stalker em canal literário eu nunca tinha visto. E naquele nível, com aquela intensidade e pontualidade? Nunca me passou pela cabeça que existisse. Fuck! É preciso ser criativo. Odiar quem fala de livros? E esperem! Não foi um canal só, foram três. A biatch tava com a pomba gira. Yaaaaaaahhhhhuuhauahaua!!!!(sim, isso foi a risada dela).

A parada foi a seguinte. Sacam a Annie Wilkes de “Misery”? Pois é, foi nessa linha. Não sei porque cargas d`água, a doente mental foi ensimesmar logo com a “Santíssima Trindade” dos vlogs literários. Leia-se Tatiana Feltrin, Patrícia Pirota e Juliana Gervason. E olha, aquilo foi amor. Não foi de pica porque não dava para ser. Mas bateu e ficou. Não tinha um dia em que a desgraçada não deixasse um comentário histriônico, eivado de soberba e cinismo. Ofensas baratas, comentários inoportunos propalados por quem não fazia melhor. Aliás, é sempre assim. O troll, via de regra, não tem canal ou seu canal é muito ruim, com poucos ou nenhum inscrito, até porque masoquismo não é para todos. Mas o “triunvirato” lerá esse texto e lembrará, com absoluta certeza, da “desvairada da USP”. Bons momentos, não?

A menina perturbou, viu? Depois de bloqueada, criou contas fakes (facilmente desmascaradas, é claro), sendo que em uma delas usou o nome e a personalidade de um professor da faculdade. Corremos atrás e o cara, é claro, nem sabia de nada. Aí a personagem pulou da Annie Wilkes para o Norman Bates. Até o sexo mudou. Troll stalker pesado, possuído. Aquela menina não “tava pura” não, “tava acompanhada”. Ops...até deixei cair minha Valise no chão.

Brincava com a Tati na oportunidade, afirmando que ela queria tanto ser “miguxa” que, quando desprezada, se fechava em um sótão qualquer, onde colocava um vestido de tule bem de menininha (mesmo sendo bem adulta) e encarnava seu personagem. Aduzíamos que teria arranjado uma mesinha daquelas de criança, três bonecas (cada uma representando  as vloggers que lhe rejeitaram) e um respectivo jogo de chá minúsculo, daqueles de plástico, onde todas as tardes perpetuava sua insanidade, em longas conversas sobre Proust. Ela falava e respondia com vozes diferentes. Pensando bem, depois de passada a chateação, a guria até que nos proporcionou fartos risos. No que agradecemos prontamente. 

Isso é “water under the bridge” é lógico e a jovem manceba deve estar melhor. Não há nada que uma boa dose de Haldol com Fenergan não resolva. Mas nunca esqueço a história, porque acho loucura total. Ilustra bem até onde pode ir a cabeça de um troll, bem como serve de aviso para os que desejam entrar no mundo dos vlogs e blogs, por que não?

Por outro lado esse trabalho traz muitas recompensas, sem dúvidas. É terapêutico até certo ponto. Você faz alguns amigos. Nem tantos quanto pensa ou deseja. Mas no mundo de hoje, se fizer um apenas, já valeu. Manda sua mensagem, contribui com conteúdo diferenciado, pode chutar a bunda da mesmice que impera. Isso é importante “pacas”. Em um país de néscios, de gente carente por informação direta e com qualidade, desvinculada de interesses escusos ou viciada pela mídia alienadora, faz toda a diferença. Eu recomendo. Quanto mais gente que lê, que assiste a filmes legais, que ouve música com um mínimo de apuro, melhor. Mais dicas, mais opiniões, mais troca.

Ih pessoal...tenho que parar por aqui. Acabei de receber o comentário de mais um troll no canal. Não faz mal. Já vi que ele gosta de vôlei. Ele levanta, eu bloqueio. E a vida segue.

Quadrinhos do mês #2: várias coisas da Panini


Comecei o mês pelo Nêmesis, do Mark Millar.
Não é exatamente o tipo de quadrinhos que chamam a minha atenção, mas foi uma leitura interessante (acho importante tentarmos ler coisas com as quais não estamos lá muito familiarizados, e, quem sabe, superarmos alguns preconceitos...hm...)



Em seguida, passei para a insanidade do Neonomicon.
Alan Moore nos agracia com esta fofura de HQ baseada em contos de HP Lovecraft.
Crianças, evitem.
Seriously.
Quem já leu, sabe bem do que estou falando ;)


Depois, foi a vez do triste que dói We3.
Na minha humilde opinião de leiga, a arte mais bacana desta leva de HQs.



Na esperança de ler uma HQ mais "feliz", errei feio e li o Sweet Tooth (ou, Bico Doce... e, não, não é o Zézinho Bico Doce do Nelson Rodrigues...).
Mais uma estória triste que só.


Aí Tatiana leu o volume 1 do Fábulas, o Lendas no Exílio.
E se deparou com a maluquice que excesso de contos de fadas e/ou fábulas na infância podem gerar.



E, bom, lá pela metade do volume 2 do Fábulas, o A Revolução dos bichos, já estava achando tudo muito normal, e mais natural ainda essa referência ao livro do George Orwell...



E fechamos com chave de ouro com O Inescrito.
Sim, eu adorei essa HQ e quero a continuação agora, 1,2,3, já (mas sim, sei de pessoas que acharam "nhé"... questão de gosto ;)



Onde encontrar os quadrinhos mencionados:
http://www.paninicomics.com.br/web/guest/shop
http://comix.com.br/distinction.php
http://ligahq.com.br/zero.php?tipo=1

Para ficar por dentro dos lançamentos da editora Panini:
http://hotsitepanini.com.br/vertigo/

Quadrinhos de Fevereiro (Panini)


Vídeo em que mostro e falo sobre os quadrinhos recebidos pela editora Panini e lidos no mês de Fevereiro de 2013 ;)


Quadrinhos mencionados:

Nêmesis (Mark Millar e Steve McNiven)
Neonomicon (Alan Moore e Jacen Burrows
We3 (Grant Morrison e Frank Quitely)
Sweet Tooth: Depois do apocalipse: Saindo da Mata ( Jeff Lemire)
Fábulas: Lendas no Exílio (Willingham, Medina, Leiaoha e Hamilton)
Fábulas: A Revolução dos Bichos (idem)
O Inescrito (Mike Carey e Peter Gross) - SENSACIONAL!!! Esqueci de comentar sobre os zilhões de referëncias literãrias ao longo da estõria.


Onde encontrar os quadrinhos mencionados:
http://www.paninicomics.com.br/web/guest/shop
http://comix.com.br/distinction.php
http://ligahq.com.br/zero.php?tipo=1

Para ficar por dentro dos lançamentos da editora Panini:
http://hotsitepanini.com.br/vertigo/



Vídeos recomendados:
* Minha coleção de quadrinhos

Bookshelf tour: Gabriel (do Cabine Literária) - muitos quadrinhos!!!

Foco, Desejo e Necessidade (por Hpcharles)




Desde que me dou por gente, sempre gostei de coisas boas. Quando eu digo boas, I mean “reeeaally” good stuff. Muito cedo fui catapultado a um universo de uma certa sofisticação, inclusive estética.

Ainda bem novo já apreciava arte, moda, tecnologia, gastronomia e sempre quis viajar. Claro que existem aquelas predileções especialmente pessoais, idissiocráticas e que possuem arrimo em algo mais subjetivo, inconsciente talvez. Garotas de óculos, por exemplo. Nunca soube explicar bem esse fetiche, assim como minha fixação por mãos bonitas.

Se já gostava cedo, "desejava" cedo. O desejo me parece que começa com a visão ou com a antevisão do objeto. Viu, fodeu. Apesar de ter devorado o meu Freud logo quando comprei, não sou especialista, não tenho a menor competência para me aprofundar e abordar as patologias, como a obsessão. Mas que o desejo é um ambiente perigoso, escorregadio e tênue, isso é.

No entanto parece que com a pressão social, a mídia implacável e jovens que “experimentam a vida” cada vez mais cedo, certas coisas tem ficado esquecidas e, muitas vezes, ocorre uma confusão em nossas cabecinhas. Isso não é raro e muito menos absurdo, face ao mundo hodierno.

A distinção entre desejo e necessidade aparece em destaque nessa seara. Para não parecer o “pica das galáxias”, vou me colocar na berlinda e fazer o “mea culpa". Mesmo podendo me considerar um cara vivido, quantas vezes já caí nessa armadilha. Desde o consumo imbecil até o imperdoável sacrilégio de perder de minhas vistas, o prazer das "pequenas grandes" coisas da vida.

Já disseram que “as piores coisas o dinheiro não resolve e as melhores ele não compra”. É claro que isso não impende uma interpretação rígida. Quando se fica doente é importante o acesso a tratamento de qualidade. Para isso é preciso dinheiro. Comida não é de graça, moradia não cai do céu. Mas notem...isso não é desejo. É necessidade.

Sendo assim, a assertiva faz sentido. Quem curte o primeiro gole no chope gelado, um gol de seu time no último minuto ou finalmente assistir aquele filme que você tanto esperava, sabe a que me refiro. Isso custa pouco ou nada. Mágica pura.

Durante muito tempo eu esqueci tais coisas e não distingui mais essa dicotomia entre o que se precisa e o que se quer. Em minha adolescência, lia compulsivamente. De tudo. Dos clássicos ao papel que embrulhava o peixe. Depois o ritmo diminuiu consideravelmente. A literatura pendeu para o direito e era obrigatória. E tudo que é obrigatório, se torna entediante. Do entediante para o insuportável a viagem é curta. A consequência é que até meu hobby predileto, que era a leitura, agora precisa ser resgatado e isso é meio que deprimente, pelo menos para "moi".

O que é relevante dizer é que, por motivos estúpidos, comungados com a vida, que é uma “beeeaaaatch”, muitas vezes perdemos o foco. Depois para recuperar é um "parto de ostra".

Criamos expectativas exageradas, desejos impossíveis, ilusões irremediáveis. Dá para ficar muito doente com isso. E o pior, a solução muitas vezes estava ali...bem a seu lado. Era só puxar o volante um pouquinho que o carro entrava na vaga.

Darei um exemplo real mas omitirei os nomes e alguns detalhes para preservar a pessoa. Esse amigo sempre teve uma vida muito suada e, com muito custo, conseguiu comprar uma franquia de uma determinada conhecida empresa do ramo alimentício. Trabalhava muito com a esposa e encontrava seu tempinho para dedicar aos dois filhos.

Comprou um pequeno mas confortável apartamento, carro para ele e carro para ela. A vida melhorou. Pode colocar seus rebentos em um colégio melhor e, de vez em quando, se dar ao luxo de fazer uma viagem, comprar os “imprescindíveis” supérfluos ou qualquer outra extravagância boba. Life was good in paradise...

De comum acordo com a esposa decidiram que precisavam de um apartamento melhor. Carros melhores, mais de tudo. Fizeram seu “tour de force” e adquiriram uma segunda loja da franquia. Agora trabalhavam separados. Cada um em uma loja. Muitas horas. Nos feriados e fins de semana. Os filhos, é claro, precisavam compreender. Papai e mamãe só queriam o melhor para eles.

Tanto fizeram que compraram uma boa cobertura e carros luxuosos. Yeeeeayyy!!!! Mas algo aconteceu. A relação deu uma esfriada. Natural, né? Acontece com todos.

O tempo passa e o negócio vai bem. Mais exigências, maior investimento de tempo e de dinheiro se faz mister. O lazer fica totalmente relegado. Isso também era esperado. Já pensam em outra terceira loja, o negócio é expandir.

Corta para Hp sonhando. O telefone toca abruptamente no meio da noite e acordo sobressaltado, com vontade de matar um. Para quem odeia telefone (odeio pacas) e tem pais idosos, sabe como isso é foda.

Era o tal amigo. Ia se separar. Deixei o cara falar. Já aprendi, até por força do trabalho com o direito de família, que nessas horas o sujeito PRECISA contar a história triste. E ele estava triste, viu?

Para minha surpresa, o que disse foi totalmente distinto do que habitualmente ouvi como advogado ou sequer como ombro amigo em inúmeras oportunidades de minha vida. Ao invés de reclamar da esposa, do cotidiano, da puta que o pariu, optou por reclamar de si mesmo. Puxou a responsabilidade. Não para ser fodão, não para bater no peito e mostrar que era homem com H. Mas por absoluta clarividência.

Me perguntou então: “Para quê?”

E continuou: “sabe qual é o maior erro que podemos cometer na vida? Perder o foco."

Percebi de cara onde ele queria chegar. Daí para frente foi fácil. Basicamente se questionou sobre seus objetivos originais e fundamentais e como se perdeu deles.

“Me diga Hp? Honestamente? Eu precisava trocar de carro todo ano? Será que eu realmente precisava de uma cobertura? Fiquei sem realmente dar a meu filho mais velho, que hoje é distante de mim, a atenção devida. O irônico é que ele nunca me pediu um apartamento melhor, carros melhores, uma vida acima do que ele sempre teve. Meu casamento desmoronou, eu e minha esposa somos dois estranhos e a responsabilidade é apenas nossa. Se tivéssemos nos apegado ao que sempre planejamos para nossas vidas, acredito com boa dose de evidências, que isso não teria ocorrido. Agora até a relação com meus filhos preciso resgatar. Voltar a conhecê-los, pois cresceram e não presenciei, já não são os mesmos.”

“-Foco Hp! Perdi o foco...”

Guardei aquilo. Achei a análise do cara comovente e precisa. Não espalhou merda, não jogou a culpa no outro, não estava preocupado com quem iria ficar com o galheteiro. Apenas estava triste. Tinha motivos.

Padrão é ótimo, mas ao custo do afeto? Da presença? Essa discussão não é fácil e achar o equilíbrio é difícil “bagaraio”, porque existem muitos fatores a serem considerados. Mas uma coisa é fato. Desejo não é necessidade. Meu camarada aprendeu da maneira mais difícil essa importante lição.

Pensando bem, acho que esse trabalho ingrato de não perder o foco precisa ser aprendido, feito, renovado, todos os dias. Não há truques ou atalhos, mas se pudesse dar uma dica, diria para tentarmos separar realidade de ilusão. Me parece que daí para diferenciar desejo de necessidade, é um pulinho.

Ao fazermos isso, de quebra aprendemos que problemas reais são doença, desemprego, morte, coração partido. A luzinha do freio de mão acendendo estranhamente, não é um problema de fato. O risco no vidro do seu celular, também não. Aquele livro que você tanto queria e não pode comprar porque estourou o limite do cartão, muito menos. Essas coisas não são problemas, são ilusões de problemas.

Já vou me indo porque ando com uma vontade enorme de comer lagosta, beber um bom Shiraz, comprar mais uma guitarra e preciso ver onde essas coisas estão mais em conta. Bom, pensando bem todo mundo anda apertado ultimamente. Então hoje vai de pizza, cerveja e minha velha PRS mesmo.

Para quê mais? Tenho livros para ler, filmes para ver, músicas para ouvir. Tudo isso ao lado de uma mulher de óculos. Não foi isso o que sempre desejei desde o começo?

Foco Hp! Foco rapaz...

"Martyrs", quando o filho chora e a mãe não ouve (por Hpcharles)




Bom, em primeiro lugar eu vou dizer para você NÃO ASSISTIR “Martyrs”. Isso mesmo, não assista. Aí você vai retrucar: “ah tá, o velho truque de mandar não assistir só para eu ficar com vontade”.

Tem muita gente que faz isso, mas nesse caso só estou tratando de tirar o meu da reta, porque depois não quero gente comentando...”Hp seu filho da puta, estou sem dormir faz dois dias”. “Hp seu sádico, fiquei com nojinho!!!!”. “Hp seu demônio de asas, porque você me disse para ver esse filme?!” Aí eu vou jogar na tua cara...nãnãninãnão! O que é que eu escrevi no post? Agora se vira, dá teu jeito!

Fora a perfumaria acima, Martyrs é um daqueles filmes que diria para “Massacre da Serra Elétrica” ir para a caminha dormir porque já passou das dez, sacam? Gente, é terror francês. Não tem "Parent Guide" naquela porra, não. Lá é queijo, vinho e navalhada!

Já gostava do estilo sem mimimi do pessoal do “crème fraiche”, desde o visceral “Frontiers”. Em “Inside” eu me apaixonei pelo jeitinho doce e delicado com que os franceses contam suas estorinhas de amor. Então desculpem meu francês, mas Fuuuuuuck! Les fils de pute não fazem cinema de terror, aquilo é teste para entrar no BOPE.

Martyrs vai te dar um tiro de calibre 20 nas entranhas. E quem viu o filme sabe que isso acontece quase literalmente, né Mylène Jampanoï? Vejam bem, não há concessões na película. Não existe economia nos traumas propostos ao espectador e sofridos pelos protagonistas. Não são feitos cortes pontuais nas cenas mais repugnantes. Aliás, eu menti. O filme é cheio de cortes. Vocês só entenderão a dimensão e o tamanho do estrago, quando assistirem.

A estória também não é boba como uma Sexta-Feira 13 da vida. Ali tem roteiro, tem escritor. Mas os diálogos são escassos. É um filme acima de tudo para os olhos, sem redundâncias. A narrativa caminha desposada de maiores pistas e você só vai entender a trama central propriamente, lá quase pelo meio.

Tudo começa com uma menina correndo, fugindo em desespero. Essa criança foi visivelmente abusada. Não se sabe por quem ou porquê. A narrativa dá um pequeno pulo e é remetida para um orfanato onde essa mesma jovem tem, em uma “miguxinha”, sua única ligação com o mundo exterior. Ela continua sendo agredida implacavelmente por um ser qualquer. Não é passado ao espectador, em um primeiro momento, a certeza de que tal criatura é real ou imaginária. Só se sabe que as feridas na coitada da guria são reais e ardidas. Como eu sei? Porque cortava no LCD e doia em mim, tal a plasticidade das cenas. Dá pena da infeliz.

Novamente a estória dá um salto para o futuro. Café da manhã de família no estilo “Doriana”. Irmão brinca com a irmãzinha, pai conversa sobre a vida com a “mammy”. Tudo sussa. É mesmo? Big fucking mistake!

Agora, a mesma menina que antes tinha sido abusada repetidamente, já bem mais velha, entra em cena com uma espingarda de grosso calibre na mão e diz: “Meu nome é Zé Pequeno e vou matar geral!!!!!!”


Daí para frente é montanha russa. Quem quiser continuar a viagem toma Plasil, quem não quiser que desça do bonde agora. Não vou dar mais spoiler do já que dei. Seria sacanagem para quem gosta desse tipo de cachaça. Vou dizer apenas que, etimologicamente a palavra mártir deriva "martys"(mais cedo), palavra grega para “testemunha”.

Ficaram curiosos? Pois é. Garanto que a temática, por mais que não pareça, se resolverá na busca pelo transcendente. A Discussão vai para porra do metafísico. Loucura total. Como disse antes, a trama não é adolescente. Achei interessante, original, seu argumento sofisticado, quase elegante. Tudo isso a despeito de tanto sangue e do filme ser absurdamente violento. O elevadíssimo coeficiente de desgraça e sofrimento não é gratuito. É diretamente ligado e proporcional à questão primordial da estória.

Definitivamente não é um filme para todos. A maioria para no meio ou assiste com a mão nos olhos, ou seja, não assiste. Martyrs é aquele filme que, ao terminar, te deixa com um gosto ruim na boca e com estômago embrulhado. No entanto, a ideia é boa e para mim isso já bastaria, “in casu”.


Quem se interessar conseguirá encontra-lo com facilidade nos sites da vida, mas curti tanto que comprei o filme. Ele está na prateleira, ao lado de “Frontiers” e de “Inside”. Coloquei um crucifixo em cima dos caras e os deixo quietos por lá. O que será que vai na cabeça desses franceses para bolarem coisas tão “bloody disgusting”? Depois eu que sou o maluco.

Mas pessoal, por favor...a recomendação é só para quem gosta muito de coisas do gênero. Para quem tem tripas de ferro e bolas de aço. Não vai por mim não, afinal “qui hante chien, puces remporte”.


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