Comendo Capim Pela Raiz (por Hpcharles)



Já tinha ouvido falar e chegado perto de baixar a parada. Mas sabem como é, né? Quem é aficionado por séries como eu, tem que colocar prioridades. Se não fizer isso, acaba não acompanhando nada.

Pois bem, a Tati sempre me falou de “Six Feet Under”. Ouvi umas duzentas vezes que era uma de suas séries prediletas e “tals” e que eu tinha “obrigação moral” de ver. No fim do ano passado trouxe um box espetaculoso para ela de presente(até onde eu sei, nos fizeram o “favor” de não lançar por aqui) e aproveitei a moleza para destrinchar o seriado.


Olha, vou contar a vocês...SFU é diferente de tudo que já tinha visto. Me pergunto como esse seriado me passou despercebido. Definitivamente não é uma série para todos. Tem muito drama, muito sexo, muita loucura, muito xingamento, muito tudo. Mas é foda. Daquelas que marcam. Daquelas que te deixam triste por ter terminado. E essa especificamente não me deixou apenas triste. Me deixou triste “bagaraio”. Eu chego lá...

O seriado cuida de uma família cujo ofício é realizar todo o procedimento pertinente a funerais. Isso vai desde o embalsamento, o que inclui a reconstituição e “embelezamento” do presunto, que nem sempre teve uma morte bonitinha, até o serviço do funeral e o enterro propriamente dito.

Claro que isso não é um trabalho dos mais comuns e muito menos, dos mais agradáveis. Mas alguém tem que fazer. E eles fazem. Bem feito. Para ser justo, com uma profissão dessas, por que exigiríamos que os membros dessa família, que tem sessenta anos de tradição lidando com defuntos e mortes, não sofreria com os corolários de tais atividades?

Six Feet Under destila humor negro, situações inusitadas, dramas familiares, enquanto corpos são levados “daqui para a melhor”. Nessa loucura toda, mortos se comunicam, só que não (vejam a série), e o Dexter “tá” mais gay do que a Lady Gaga.

Como um puta fã do Michael C. Hall e que acompanha o psicopata mais legal do mundo faz sete anos, ficou complicado ver o ator todo frágil e “nhui” com o namorado. Compreensível, o cara é um assassino gélido na outra série. Bom, isso só mostra o grande ator que o sujeito é. Foda como psicopata forense, foda como agente funerário gay. Como será que ele se sairia como um agente funerário gay que também é psicopata? Há!!!! Taí HBO, que tal minha sugestão?

Brincadeiras à parte, todo o drama e cotidiano apresentado na série é um mero atalho para se abordar o tema precípuo de SFU. E esse tema é “PERDA”. De maneira cuidadosa, irônica, trágica, agressiva, triste e às vezes comovente, os episódios levam o espectador, de forma quase despercebida, a refletir sobre o processo de perda e de morte. Te força a vislumbrar o quão frágil somos e como nosso tempo pode ser curto por aqui.

As crises pessoais dos protagonistas nos irritam, nos tornam parciais, críticos em demasia, porque de uma forma geral, englobam problemas que nós mesmos vivemos ou poderíamos vir a experimentar.

A dor dos parentes, as diferentes maneiras com que cada um se despede, com que lida com suas irremediáveis perdas, nos deixa quase íntimo daquela estranha família de “coveiros”.


Mas pelo menos para mim, Six Feet Under ainda tem um mérito maior do que ser uma grande série de tv. Mérito este que só é revelado propriamente, no último episódio. E o faz com maestria. É bonito pacas. Garanto.

Six Feet Under nos faz, de alguma forma, ter que lidar durante cinco temporadas com algo com que a maioria abissal das pessoas possui, que é o medo da morte e seu condão inelutável. Isso é fato. Entretanto, ao final ela nos conduz certeira para o outro lado da moeda, nos lembrando que nem tudo está perdido, que existe RENOVAÇÃO. Não faz apelos metafísicos, religiosos, lida com o que nós temos por certo.

Crianças são trazidas, desejadas e cuidadas como jóias, no seriado. Sendo profissionais da morte, entendem como ninguém que a redenção está justamente nesses jovens.

A preocupação em manter o negócio da família é constante ao longo de todas as temporadas. A ideia de sequência, de transição, de passagem de bastão , é fundamental na narrativa de SFU.

Quando o último dvd apresentou seus créditos finais, eu estava grudado na tv, com os olhos encharcados. Triste porque a série tinha acabado. Triste por coisas que tinham acontecido nos últimos episódios. Triste porque as cenas são tristes mesmo. Mas paradoxalmente, de alma lavada. Emocionado por ter sido mais uma vez recordado que tudo passa. Que daqui nada se leva e que o grande senhor de nossas vidas é o TEMPO.

Difícil não dar spoiler, e foda-se, vou dar um. Atentem para a última frase dita no seriado, pelo personagem “Nate”. Ela resume TUDO!


Agora tirem a bunda da cadeira e já correndo para ver Six Feet Under. Depois vocês voltem aqui para me agradecer.

PS.: Sabe como eu sei que você é um robô? Você não chorou no último episódio de Six Feet Under...

***

OBS da Tati: eu já tinha escrito sobre Six Feet Under aqui e aqui ;)

12 comentários:

  1. estou assistindo a serie (quarta temporada) e estou gostando bastante, mas, como bom fan de dexter, eu esperava ver "otimas" mortes, mas como disse acima, estou influenciado pelo por outro seriado hehe

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  2. A melhor série que assisti ! Como vc comentou, não é uma série para todos. O final é sensacional, trilha sonora perfeita. Vale muito a pena !

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    1. Olha, foi complicado ver o final, viu? Foi de soluçar...

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  3. Comecei a ver esta série hoje e estou no primeiro episódio...por enquanto está incrível!

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  4. Bom bagaraio KKKK Acho que foi deste seriado que a Rede ovo se inspirou, para fazer uma tal programa de humor que esta para lançar, é certo.

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    1. Confesso que o nome tb me lembrou, mas acho improvável de ter a qualidade testaminhada no texto... :(

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  5. Depois de The Sopranos, À Sete Palmos é a minha série favorita.

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  6. Minha série favorita, depois de The Sopranos. Direção impecável, atuações excelente, sem falar nos roteiros dos episódios, que são muito bem amarrados e com uma dose de humor negro na medida certa.

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    1. Puxa, que bom saber. Peguei uma promoção incrível e comprei uma caixa com todas as temporadas. Foi assim meio no escuro, pois nunca vi um episódio de Sopranos com a devida atenção. Agora que vc disse isso, finalmente fiquei motivado para começar a fazer valer o "investimento" e ver os boxes.

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  7. Oi Tatiana, por acaso vc já leu algo da Marian Keyes?? Se já leu pode me contar sobre suas impressões? obgda. Erika Pimenta.

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  8. Oi Tati, olha se existe amor a primeira vista então existe FÃ a primeira vista rs...vi um post seu no you tube e fiquei impressionada como você é cativante e hiper inteligente.
    Estou lendo alguns livros que você recomenda, inclusive li "THE HOST", e gostaria de saber se já leu? e o que achou?
    Então é isso, agradecer pelo blog e que sou sua fã.

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