ME DESCULPE, MAS SEM FACEBOOK NÃO ENTRA. (por Hpcharles)


Sempre acreditei que nada divide mais a humanidade do que a política, a religião e o preconceito, mas que nós damos corda para os caras, nós damos. 

Na semana que se encerrou, o STF aprovou por unanimidade a constitucionalidade do sistema de cotas raciais, que passa a valer para todas as universidades públicas de nosso país. Mas esse não é o tema que pretendo abordar. Apenas ressalto de forma breve que, apesar de entender que é fato indiscutível que os negros sofrem até hoje com o corolário funesto oriundo do resquício de uma história não tão distante, onde não possuíam a menor possibilidade de “brigar” em igualdade com os “brancos bem nascidos”, sou contra cotas “raciais”. A discrepância é cristalina, não se nega. Estudei em um colégio elitista do Rio de Janeiro (considerado por muitos como o melhor e um dos mais rigorosos do Brasil), me graduei em uma universidade federal no Rio de Janeiro e não me recordo de ter negros em minha sala de aula, sejam como alunos ou como professores. No entanto, somos um país de mestiços e a proporção equilibrada de matizes, espanca à vista quando andamos pelas ruas de nosso país. Como explicar isso, sem se reconhecer que ainda não há igualdade? Mas a pergunta mais importante é: como solucionar isso?

Mas ainda assim, como afirmei antes, sou contra cotas “raciais”. Não entendo que se solucione uma injustiça perpetuando outra. Disse que sou contra cotas raciais, mas não contra cotas. Sou absolutamente a favor de cotas “SOCIAIS”. Acredito que o nordestino que é vilipendiado em suas oportunidades acadêmicas, o caucasiano miserável, o índio esquecido, não deva ser relegado nessa discussão. Todos os que se encontram no final da linha de partida devem ter apoio diferenciado e total relevância aos olhos de nosso governo. Isso não é criar desequilíbrio, pelo contrário, é colocar as peças do tabuleiro no lugar certo. Só assim o jogo pode ser considerado justo.

Mas passado o longo introito, vamos ao que interessa. Como ateu sempre convivi com a minha cota de preconceito e, apesar do ateísmo figurar no topo da pirâmide nesse quesito (pesquisa efetuada pela Fundação Perseu Abramo), ainda assim, nunca senti tanta incompreensão como quando digo para alguém que não tenho Facebook. Pois é, ao que parece, agora temos um novo jeito de dividir as pessoas: os que tem Facebook e os que não tem.

“Mas como assim você não tem Facebook?!?!?!”. Depois de ouvir isso umas sete vezes, resolvi realmente pensar sobre o assunto. Será que tenho problemas? Será que estou perdendo meu tempo com livros, cinema e música escolhidas a dedo e ao invés disso, deveria estar conectado ao Facebook? Será que sou...SERÁ QUE SOU ALIENÍGENA, MEU “ZEUS”?!

Um calafrio subitamente percorre a minha espinha quando me recordo que nunca tive Orkut também? Procuro então, de forma atabalhoada e obsessiva, o livreto de endereços do meu plano de saúde. Será que eles tem tratamento para quem não tem Facebook? O desespero toma meu ser e por alguns segundos penso em chorar, em ligar para minha velha mãe e culpá-la. “VIU?! É TUDO CULPA SUA QUE NÃO ME PREPAROU PARA A VIDA! Ficou me dizendo que tinha que ler e estudar e não me disse nada sobre redes sociais e amigos virtuais!”

Não tenho “amigos virtuais”. Preciso dar um click, um “curti” urgentemente, preciso fazer parte da massa, do rebanho. Preciso me integrar. Chega de Nietzsche, aquele sifilítico só atrasou minha vida na internet, não é mesmo?

Mas vocês jovens antenados podem me ajudar. Me digam qual é o “pulo do gato” atrás desse negócio. 

Confesso que ainda não entendo muito bem. Recentemente li uma pesquisa realizada no Reino Unido, que aduzia que mais de 85% dos casos de separação e divórcio possuíam o dedinho do Facebook. Sei não, mas isso deve dar um número mais alto do que falar o nome da ex-namorada(o) durante o sexo.

Um dos argumentos que jogaram em minha fuça foi de que o Facebook te ajuda a fazer amizades de forma “fácil e segura”. REEEEAAAAALLLYYYY!?!?!? Então meus problemas são maiores do que eu pensava. Sim, porque ao longo de minha vida toda só consegui fazer 4 ou 5 amigos de verdade. Tenho muitos conhecidos e colegas, no trabalho, no dia a dia. O cara da padaria é meu colega. Discutimos sobre o resultado do jogo e ele sempre separa a melhor fornada para mim, mas duvido que me fizesse uma canja de galinha às 10 da noite se estivesse febril.

Então me desculpem, mas esse argumento é furado. Amigo não é isso. Para quem acha que se faz um amigo com um clique, quero apenas lembrar que também “se desfaz” um amigo com o mesmo clique.

Tá, e quando você recebe um convite de amizade e recusa ? (ou não aceita, sei lá já que não tenho Facebook). Já ouvi casos em que a pessoa ficou realmente magoada. Não sei, mas tudo isso é muito estranho para mim (continuo procurando o maldito catálogo da UNIMED).

Outra coisa que me espanta é o incentivo à exposição. Porque cargas d’água eu colocaria fotos minhas, fazendo lá o que fosse, na internet? Ora, se é importante dividir isso com alguém de fato relevante em minha vida, porque não mandar um e-mail. É isso...um e-mail. Quentinho, na caixa de entrada. Exclusivo, privado, “teleguiado”.

Que a internet é fria já sabíamos desde o início, mas precisamos torná-la ainda mais fria? Bom, a não ser que exista por aí uma necessidade quase patológica de se expor. De mostrar que é mais feliz, que é mais rico, que tem mais “amigos”. A foto do perfil é sempre maravilhosa né? Ou é o Brad Pitt ou a Helena de Tróia.

Segurança?!?! Bom, só pode ser brincadeira né? O que tem de pedófilo virtual, crimes de informática e psicóticos chafurdando a vida dos outros, o dia inteiro, não é brincadeira. Já tem o google não tem? Será que é preciso dar mais cartas para os bandidos? Tem gente que bota fotos de filhos de colo no Facebook, expondo o bebê. Me digam “PRAAAAAQUÊ” CACETE?!

“Pôxa, mas tá no privado, só alguns podem ver”. Ah, sei...tipo igual a um e-mail né? Então o Facebook serve mesmo para quê? Me lembra aí? Sei lá, sei que estou ficando velho e tudo, mas nunca senti falta disso. De verdade. Me parece uma das experiências mais fúteis e supérfluas que já apareceram.

Tem gente que acorda e como um atleta olímpico pula da cama para o computador para fuxicar a vida dos outros no tal do Facebook. E notem, é em qualquer lugar. O cara baixa o aplicativo para o Iphone, para o Ipad, para a puta que o pariu. Porra filhão, será que você não está indo longe demais com isso não?

“Ô fulano, você leu o Saramago que te recomendei mês passado?”, “Deu não, estou quase certo de que minha namorada foi àquela festa na casa da Paulinha e “tô” cercando ela no Face, deixa aquela safada comigo!”.

Que legal, né gente?!?!?! Sabe quem também ficava olhando por um buraco na parede? O Norman Bates. Bom, já sei de gente que se faz de mulher na internet quando de fato é homem (e vice-versa). Para colocar uma peruca, vestido e falar como a mãe morta não falta muito, não é mesmo?

Exageros à parte, ainda não encontrei bons argumentos que me fizessem perder, um minuto que fosse de meu tempo livre e que pudesse dedicar à minha namorada (que é real), meus livros (físicos) e meus filmes (tá bom, baixo  torrents, vocês me pegaram, seus danadinhos); em detrimento de uma estultice qualquer dentro do Facebook.

A crase sanguínea da questão (o trema acabou tá pessoal), é que sinceramente não me importam as vidas dos outros. E porque importariam? Só me interessam suas ideias (e ideia também não tem mais acento ok?), seus trabalhos, suas contraditas. Sempre me recordo da “clarividência” poética de Fernando Pessoa quando afirmava que “todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros”.

Li que um dia desses, uma confusão enorme se formou em um shopping center desses da vida, por conta de gente que queria tirar foto com um tal de Fael. WTF?!?!?! Quem é Fael?! Jogou em que time?! “Ué HP, foi o vencedor do BBB, você não sabia?” Ok, me desculpe por não saber quem é Fael, ok? Estou perdoado?! Mas me diz aí: o que acrescenta em minha vida saber que a Preta Gil falou que a Luana Piovani não presta? Vazaram fotos da chata da Carolina Dieckman nua? Que se foda, oras! (bom, péssimo exemplo, alguém sabe o link???? Se souber me envia tá?).

Brincadeiras fora, me ajudem por favor e me informem o porque de toda essa neurose. Ok, não tenho Facebook, me crucifiquem, mas continuo sem saber o porque da surpresa misturada com indignação quando revelo meu “pecado”. Teve uma que insinuou que eu era arrogante por não ter Facebook. Tipo: “mas como você OUSA não ter Facebook”, saca?

Claro que alguém vai dizer: “é mas o Facebook me ajudou a encontrar um amigo com quem tinha perdido contato”. Verdade, isso é bem legal. Mas já pegou o telefone do carinha? Ele é importante mesmo? Então liga para ele caramba! Ouça a voz, escreva um e-mail cuidadoso, especial, só para ele. Mas não vá ficar procurando “na linha do tempo” suas mazelas. É, agora tem essa coisa de “linha do tempo”. É muito bom para ninguém se esquecer das merdas que fez há dois anos.  Porra, como se não desejássemos esquecer as que fizemos ontem, né? Aí vem um puto e estraga tudo. Brilhante!

Enquanto escrevo esse texto, olho para a minha estante de livros e vejo quanta coisa eu já li e quanta coisa falta para eu ler. Isso sim, me deixa de fato preocupado. Sobram letras e faltam minutos. Por favor não me entendam mal, cada um faz o que quiser com seu tempo livre, isso é garantido constitucionalmente. Só não entendo porque tem gente que gasta tanto tempo com coisas como o Facebook. Simples assim. Mas posso estar absurdamente errado, quem sabe? Quem sabe tenho um problema genético e prefiro ficar lendo esses livrinhos cheios de pó? Quem sabe estou velho “pra caralho” e esse negócio de abrir um vinho para assistir a Donnie Darko pela vigésima vez seja coisa de quem não tem o que fazer? Damn it?!?!?!?! Onde está a porra do livro da UNIMED?! Lá tem alguém que vai me ajudar com certeza. Alguém há de me dizer porque não tenho Facebook!

Ah, agora vai...achei o diabo do livro! Agora vou fazer estes anos todos de  pagamento pontual do convênio de saúde valerem a pena. Taí! Já achei algo interessante, não disse?! 

Bom, para quem pensou que fosse um psiquiatra se equivocou. Vou é atrás de um bom oftalmologista. Devo estar enxergando mal. Não estou vendo as coisas com clareza. Só pode! Afinal, o Facebook já atingiu a marca de mais de 400 milhões de assinantes em todo o mundo, enquanto isso o recente livro de Umberto Eco (Cemitério de Praga), que para mim é o herdeiro legítimo Italo Calvino e de Borges, só vendeu 40 mil exemplares no Brasil (e dizem que está indo muito bem). É, estou é cego. Tem de haver algo sensacional naquela telinha e eu é que não estou vendo. “Ô MÃE!!!!! Me empresta seus óculos, porque a culpa é toda sua que me mandou ler ao invés de aprender a dar “joinhas”!

        Hpcharles

22 comentários:

  1. Gostei do texto; mas discordo desse tom de que nordestino é "raça"; nordestino é alguém que nasce no nordeste, havendo lá brancos, negros e mestiços, como em todo o território nacional.

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  2. Ué Geisa, mas aonde escrevi que "nordestino" é raça? Vc é que entendeu o "tom" errado. A conotação é de grupos que sofrem preconceito. Isso está bem claro. Não acredito sequer em "raças" diferentes entre seres humanos. Existe gente que tem mais melanina do que as outras e só. Mas entendo que todos devam ter as mesmas oportunidades acadêmicas, independente de onde nasceram inclusive. Coisa aliás, que não acontece aqui no sudeste pelo menos. Por aqui não é raro encontrar gente que deprecia pessoas nascidas no nordeste. Acho que vc sabe disso né?

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  3. Me enrolo ao discutir cotas. Sobre as raciais eu discordo até a morte, e fiquei muito triste com essa notícia. Não há raças humanas diferentes, somos todos homo sapiens. O que diferencia mesmo é a cor da pele. Parece que querem afirmar que só negro estuda em escola pública, e branco é tudo rico. Fiz vestibular ano passado, e vi várias pessoas de pele escura se inscrevendo nas cotas mesmo tendo estudado a vida toda em escolas excelentes! Esses precisam de cotas? A cor da pele é algo que nem deveria ser considerado nessas situações.

    E adorei sua parte sobre o Facebook. "mas como você OUSA não ter Facebook?" LOL! Eu tb tive uma fase dessas, o pessoal me importunava tanto para que eu abandonasse o Orkut, aquela coisa em extinção, que eu acabei topando. e eu adoro o site, fiz vários amigos (que vc talvez considere colegas) e também conheci um monte de coisa legal. Mas se eu pudesse de dar uma dica sobre ele, seria "não entre". É um comedor de tempo impressionante, quando você se dá conta perdeu horas naquele negócio, curtindo as parada XD já estou me policiando, passando por lá um tempo controlado por dia, e não é que está ficando ótimo? vou tentar passar um mês sem para ver se a minha vida fica melhor ou pior...

    e me irrita muito mesmo esses aplicativos de celulares. já teve vez q eu tava em jantares com amigos e vários, ao invés de se concentrarem na conversa, ficavam com os olhos grudados nas atualizações! argh!! não dá mesmo para esperar chegar em casa? e depois as pessoas falam que EU sou viciada em internet. sim, a minha vida seria bem diferente se eu não estivesse conectada, mas eu saio de vez em quando. qdo eu tô fora eu não entro em nada (até pq eu nem teria como, meu celular é fuleira >.<) e acho que nunca entraria. eu gosto de deixar para ir em casa, com calma.

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    1. Olá Liz, faça o teste. Vc pode viver sem o Face,rs. Trust me on this...

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  4. Eu já tinha virado fã da tatiana..e a cada dia gosto mais dos seus escritos Hp! Mesmo sem facebook, curto vcs dois...rs (piada infame!).

    Excelente semana,

    Nayara.

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  5. Eu já fui uma "sem face", mas entrei. Não conheço quase ninguém na minha cidade e estava difícil juntar gente pra festinha de livros livres: bookcrossing, mamãe e bebê leitores, bibliotecas livres... no face eu estou divulgando essas coisas e tem tido audiência maior que no blog... por uns dois segundos, é incrível, todo mundo esquece rápido, rápido.

    Pra essa ideia meio doida de fazer os livros circularem mais na minha cidade e não ficarem pegando poeira nas estantes particulares, acho que o facebook é uma boa ferramenta.

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  6. Quanto às cotas, HP, eu era contra até que me disseram o seguinte: o objetivo é combater o preconceito, não a desigualdade social. É pra gente se acostumar a ter advogado negro, médico negro, fisioterapeuta negro, professor negro. É para as crianças negras conviverem com essas pessoas e verem um futuro melhor para si mesmas. Hoje eu acho justíssimas as cotas para negros. E nunca considerei inconstitucionais, mesmo quando era contra.

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    1. Tá ok Sharon, mas e a isonomia prevista na CF de 88? Só os negros sofrem preconceito e são afetados academicamente? E outra, combatendo a desigualdade não estaremos dando um belo chute na bunda do preconceito? 1abç.

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  7. Eu tenho facebook, twitter, blog, tive orkut....sou de TI, sei lá, dá curiosidade, vejo isso de vários ângulos.

    Mas olha, vejo, com cada vez mais frequencia, eu, velinha, com a cara enfiada nos livros, num retiro, em paz, com as últimas árvores da cidade, sem essa papagaiada social toda, sem saber qual o último meme, porque olha, até lá, eu terei aprendido que nada disso realmente fará alguma diferença...

    bjos

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  8. Humberto, sim. Combater a desigualdade também se combate o preconceito, mas demora muito mais. Até a renda ser partilhada e os adolescentes negros estiverem em condições de competir com os brancos vai quanto tempo? 50 anos? Não acho que seja o caso de esperar.

    Não, os negros não são os únicos discriminados, claro que não. Mas calha de ser a minoria "maior", com mais representatividade... democracia é o direito das maiorias, mesmo as minoritárias.

    De qualquer forma, tem cota social em quase toda universidade pública, que deveria ser muito maior. 50% de vagas para oriundos de escolas públicas com baixa renda comprovada.

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Me desculpe Sharon, mas há um erro fundamental em seu conceito de democracia e que prejudica toda a lógica restante. Democracia NÃO é direito da maioria. É o direito de todos. A democracia não pode privilegiar um em detrimento do outro apenas pq o primeiro faz parte de uma maioria. Fazer isso é transformar democracia em "ditadura da maioria". A CF garante igualdade e isonomia a todos. Deixar isso de lado é pegar um caminho perigoso e que, de forma comezinha abriga injustiças.

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  11. Gostei muito do texto e acho que Facebook é divertido sim mas se não houver controle você acaba se perdendo no tempo. Não é em hipótese alguma ser essencial participar dessa rede social, isso nunca me fez falta e nunca fará. Participo por distração quando não estou com meus livros em mãos.
    Agora achei uma baita ironia ter encontrado este texto através da divulgação no Facebook rsrsrs.
    Parabéns pela escrita. CURTI kkkkk

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  12. Charles, não é meu "conceito de democracia ideal" é o "funcionamento da democracia real". O meu conceito de democracia igualitária tem base na frase de Aristóteles: "A verdadeira igualdade consiste em tratar-se igualmente os iguais e desigualmente os desiguais a medida em que se desigualem "

    Não acredito que tratar com isonomia seja ignorar completamente as desigualdades entre as pessoas.

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  13. Sim Sharon, mais um motivo para vc concordar comigo, não é? Ou devemos dar prerrogativa a uma minoria em detrimento da outra?

    O fato de se garantir distintas premissas a negros e não garanti-las a quaisquer outras minorias que são afetadas em oportunidade de estudo ou ingresso em universidade, mas que sofrem igualmente em função de questões de ordem econômicas e políticas, impenderia em absoluta desproporcionalidade constitucional. E outra, tratar com isonomia não é ignorar a disigualdade, é justamente o oposto. É garanti-la.
    Não existe "democracia ideal" ou "funcionamento da democracia real". Só existe democracia e suas violações à mesma. Para tais violações temos a doutrina jurídica singrada pela jurisprudência.
    No dia em que se mostrarem índices que atestem de forma incontradita que a questão "racial" é maior do que a social aqui no Brasil, no que concerne a oportunidades acadêmicas, eu serei o primeiro a aceitar as cotas raciais. Até lá, continuo com o entendimento que é criar uma injustiça para superar outra. Por isso insisto em cotas sociais e não raciais. Devemos matar de uma vez e não usar paliativos. Até quando essas minorias precisarão de quotas raciais? É assim que se corrige tal abismo? Ou é através da diminuição do desequilíbrio socio-econômico? Mais acesso a livros para todos, mais acesso a bens de consumo, mais nivelamento financeiro entre "minoria(S)"que historicamente sofreram com a desigualdade? Mas tá valendo. Respeito a sua opinião. 1 abç.

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  14. Ótimo texto, até porque penso exatamente com você. Eu tenho uma relação de amor e ódio com o Facebook...entrei lá há seis meses depois de muita insistência de amigos e família mas admito que não sou grande fã. Antes disso, ouvi muito a tal frase "Como assim, você não tem Facebook?" e até a frase de uma amiga "Sem Facebook você não existe!

    Enfim, um dos "males" da vida moderna do qual é difícil fugir...ainda mais pra mim que moro há 18 anos fora do Brasil mas ainda tenho grandes amigos por lá.

    Mas como você, não sou fã de amizades virtuais, fiz até ótimas amizades na blogosfera como a Lia (Quero Morar uma Livraria) mas blog não é Facebook e o nível dos contatos é bem mais pessoal - pelo menos pra mim!

    Sem falar que sempre preferi meus livros, companheiros de vida inteira...

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  15. Ótimo texto. Eu já tive Orkut e desisti. Acho que com o tempo nos transformamos em zumbis das redes sociais, que apenas ficam em frente ao computador sem saber o que fazer e lendo uma enorme quantidade de bobagens postadas. Tive twitter e também dei fim.
    Confesso que tenho o facebook e ele me auxilia a vender meus quadros, a divulgar meus trabalhos nas artes plásticas, etc. Por falar neles, o link é: www.flickr.com/sandrocp.
    A tecnologia precisa ser uma aliada no nosso desenvolvimento intelectual, mas vejo que o facebook, por exemplo, se tornou uma espécie de status da futilidade: quem tem mais "amigos", quem tirou foto com aquele artista famoso, etc. Enfim...

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  16. HP, pode ficar tranquilo que não é a idade aumentando que o faz não ter vontade de criar uma conta nessa rede infame (problemas psicológicos ou oculares eu não garanto porque esses eu também posso ter), só digo isso por estar na 8ª série/9º ano e também me faltam motivos para usar o Face.

    Sim, meus pais e professores (alguns com mais que o triplo da minha idade) tem Facebook e eu não. E o que me impediu de ter foi, há um ou dois anos atrás, a honestidade no momento de preencher o item 'data de nascimento'. Coloquei minha idade real (11 anos na época) e o IP do meu computador foi bloqueado para criação de contas por um tempo. Durante esse tempo mudei de ideia e até hoje continuo apagando os constantes e-mails de meus amigos me convidando a tentar novamente.

    Estes me perguntam como consigo ler um livro de apenas quinhentas páginas. Eu que pergunto, "Como ELES conseguem ler dezenas de vezes esse número em uma tela luminosa durante horas?". Se ao menos o assunto fosse construtivo...

    O pior é que muitos sites quase nos obrigam a usar a rede para comentar neles.

    Luto para não ser vencido pelo feitiço de Mark Zuckerberg, mas admito que está bem difícil ultimamente.
    Abraço,

    Augusto

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  17. (HP) Olá Augusto, talvez sejamos "alienígenas" né? Rs! Mas cada dia que passa, me sinto mais convicto de que acertei em minha decisão de não ter Facebook. Não perderia um segundo de minha vida em detrimento dessa rede social. By the way, vc escreve muito bem para sua idade, parabéns.

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  18. Já li esse texto umas 3 vezes, não me canso. rsrs
    ri na parte do “mas como você OUSA não ter Facebook" kkkk quem foi esse idiota? ou essa? enfim, eu me sinto até mais aliviada em sair desse mundo de facebook, orkut. já fui muito viciada nisso, e só hoje percebi o quanto isso me prejudicou, e o quanto é bobagem, a verdade é que pelo fato de todo mundo está fazendo, tendo algumas pessoas se sentem como se fossem obrigadas a acompanhar esse mundo virtual. Lá tudo é legal, as pessoas são legais apenas lá, todo mundo é bonito lá, todo mundo é rico e feliz lá, serio é muita hipocresia estampada nessas redes. Gente que vive exibindo foto do corpo da cinturinha fina ou a bunda grande, mostrando a casa, as fotos de férias, o prato de comida, até já vi gente tirando foto e colocando lá do que ia comer. por favor né, ai já é implorar.

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  19. É, o Facebook realmente está se tornando um problema... antes de começar a falar, indico à você, HPCharles, que assista o vídeo da Juliana Gervason onde ela resenha sobre o livro "A geração superficial", trata de um problema parecido.
    Agora, dando meu "testemunho", desde o Orkut vejo pessoas passando parte da sua vida (quando esta já está passando a muito tempo), deixando de estudar, de LER (veja só) para ficar procurando a vida dos outros... é triste. Apesar de ser nova ainda, mas comecei a me reservar depois de um tempo das pessoas, deixando para falar com aqueles poucos que mal se conta nas suas mãos, ao invés de muitos amigos. Mas no meu caso, mantenho o Facebook para manter pessoas que conheci, ou alguns amigos, lá. Não me dou o trabalho de anotar telefones, porque não falo com eles o bastante.. e você falando me fez pensar que estão lá apenas acumulando.. mas deixo o Facebook como uma "saída de emergência", uma forma de achar a pessoa, quando as linhas telefônicas não funcionarem (porque elas tem um costume de falhar). Meu argumento era manter lá, "guardado" pessoas que conheci a anos, mas não amigos, para, sei lá, saber que estão lá se algum dia precisar falar, mas sinceramente nem eu acho que isso vá acontecer.. seu texto deixou este argumento com as pernas bambas. Mas comecei a entrar menos no Facebook, e quando entro é quando meu namorado diz que viu uma foto legal e "me marcou", de forma que eu possa ver também, então entro para ver; ou para entrar em contato com algum colega de classe. Ta aí, tem isso também, professores principalmente, alguns colegas, mas a questão é que é mais "simples e fácil" entrar lá e deixar um recado que mandar um SMS (que ninguém mais responde porque todos só tem Whatsapp ou seja lá como escreve isso...) ou um e-mail.
    Gosto de e-mails, apesar que quando comecei a entender que era gente as redes sociais já existiam e não via quem utilizava e-mail.. mas é mais pela praticidade de um diálogo instantâneo, já que o MSN ruiu, e o Skype ainda não ganha do bate-papo do Facebook.

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