O Jogo da Amarelinha, 1963, Julio Cortázar



Demorei muito pra ler este livro.
Queria lê-lo certo, e logo descobri que nem, não dava.
(e como é que "se lê certo"?)
Comecei a ler nas férias de 2007 pra 2008 - com um lápis do lado direito - caso quisesse sublinhar alguma passagem - e com o bloquinho amarelo de post- it s do lado esquerdo, caso quisesse marcar alguma página.

E aí que de repente, 50 páginas lidas e umas 70 passagens assinaladas mais umas 40 páginas marcadas.
Não dava pra continuar assim...

Daí que na volta, eu desisti do livro - tinha coisas mais desinteressantes pra fazer, livros mas urgentes pra ler, e ele ficou assim, abandonado, na pilha dos "por ler".

insisti muito pra que minha irmã o lesse desde o início desse ano - ela obedeceu, vencida pelo cansaço, no meio do ano e odiou muito o livro todo - mas não conseguiu parar de ler. terminou as 640 páginas, quis muito morrer, e me obrigou a lê-lo.

tive recesso, ainda não venceram minhas primeiras férias, mas pude aproveitar os 20 dias gordos pra completar a leitura.

Comecei do início - li as primeiras 50 páginas de novo, concordando com as primeiras anotaçoes que tinha feito anos antes.

Qause MORRI, mas consegui completar a leitura do bichinho hoje - amanhã volto ao trabalho - a pessoa é pontual, veja bem...

O livro não é ruim.
É excelente.
Mas demanda uma atenção, uma paciencia, um sei-lá-o-quê...

(acabei concordando com a irmã - depois deste livro, ler Ulysses vai ser fichinha. A gente já tentou ler o Ulysses antes...)

notas:
1) O livro escrito originalmente em sua maior parte em espanhol, aqui transita entre o português, o inglês e o francês. Preciso dizer que 65% das passagens em francês, a gente que é semi-leiga na língua puxa o significado pelo contexto, e faz de conta que entendeu tudim.
2) As passagens em russo e em italiano a gente disfarça, assovia, e pula pra próxima linha em português (espanhol)
3) O livro não tem uma ordem certa pra ser seguido - Logo no prefácio o autor já avisa que o livro é muitos, e vc meio que escolhe de que forma quer ler - conheci pessoa X que dizia que folheava o livroi de olhos fechados, e parava o dedão numa página qualquer - pronto! esse é o capítulo do dia.
O proprío Cortázar diz lá, no tal prefácio que vc pode ler o librinho de cabo a rabo (como toda leitora-fêmea o preferiria fazer segundo o próprio, e como eu, na condição de fêmea (mulé) que sou, preferi fazer), ou seguindo uma ordem de capítulos sugerida pelo autor - só que, veja bem, ao seguir essa segunda forma, váááários capitulos ficariam de fora.

Como eu li o bichinho de cabo a rabo, segui a ordem natural da coisa (enquanto objeto, veja bem, pq o livro não tem ordem - e procurar a ordem é perda de tempo, sem contar que cê vai cansar... ah, vai...) notei que o livro é dividido em 3 partes -
a) Do lado de lá (onde ele conta os acontecidos em Paris...)
b) Do lado de cá (acontecidos quando da volta do personagem principal pra Argentina, a procura da Maga...)
c) De outros lados (... então... esta parte tem o subtítulo de "Capítulos Prescindíveis"... tem recortes de leituras aleatórias do autor/personagem principal - recortes de revistas, notas de jornais, trechos de notícias pertinentes dos anos 50, época onde se passa/m a/as história/s... e passagens com trechos da obra de um suposto autor X que nem me interesso em saber se existiu (deve ser um alter-ego do JC...)

A parte c é a mais fácil de ser lidas.
capítulos curtíssimos.

não vou mentir: não sei se entendi o livro.

não sei se sei o que aconteceu com a Maga.
acho que ela se afogou, quando da morte do bebê.
não sei se o que aconteceu com o Holiveira aconteceu mesmo - ou se ele foi parar no ho´spício porque, bem, ele enlouqueceu quando da morte da Maga.

não sei.

e não sei se quero reler o livro.

não sei se estou fiz as perguntas certas - se é realmente importante saber o que eu não sei se entendi.
e não sei se entendi o papel do jogo da amarelinha na vida dos personagens - o jogo sempre aparece em momentos decisivos; é também um personagem. e tem aquela coisa toda de ser um jogo de sorte, de se jogar a pedrinha no lugar certo, de se pular da forma certa pra chegar ao céu.

4) o capítulo 34, traz um texto misturado - é ná verdade a mistura de 2 textos bem distintos: uma memória sobre os tios do Holiveira/Orácio e uma carta do prórpio para a Maga, ora se despeindo e se desculpando, ora avisando que sairia por aí a procura dela. sou bem lerda, demorei um tempo pra descobrir que o capítulo 34 era dois, que deveria lê-lo pulando linha 2 vezes... mas deu tudo certo no final ;)

5)História da minha vida:
"Oliveira é patologicamente sensível à imposição de tudo aquilo que o rodeia, do mundo em que vive, do que lhe foi destinado, para dizer da maneira mais gentil. Em resumo, é despedaçado pelas circunstâncias. Ainda mais resumidamente, o mundo o incomoda."

Oi, prazer. Meu nome é Oliveira ;)
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